No meio acadêmico o revisionismo histórico é visto como perigoso. Por perigoso, eles subentendem como uma forma de injustiçar a história. Lógico que isso faz parte das idéias de indivíduos que seguem uma ideologia e querem manter essa como padrão dentro do ambiente. Existe uma grande adversão entre os historiadores com a palavra “revisionismo”, já que para eles revisionar a história pode acabar com as suas teorias e isso pode desmerecer suas pesquisas e os autores que tanto consideram importantes como parte da justiça histórica hoje exercida. Historiadores marxistas consideram perigoso analisar, como disse no capítulo anterior, a Revolução Industrial com base em diferentes fatos. Vamos analisar esse revisionismo e tentar entender os motivos de tal “medo”.

[1]A explosão da revolução industrial na Europa com certeza afetou a vida de toda a sociedade da época. Com a divisão de trabalho e a automatização dos serviços, o que antes se produzia lentamente por um grupo pequeno de pessoas, hoje poderia ser produzido mais rápido de maneira mais barata para um grupo maior de pessoas. Que existia uma demanda gigantesca nessa época isso é um fato e seguindo por esse fato, com certeza a oferta foi criada. Quando analisada por um marxista, pouco se fala sobre o papel da revolução na independencia feminina. As mulheres viram nas fábricas uma chance de sair da dependencia dos salários de seus maridos, e logo, pode-se dizer que foi um dos pontapés iniciais para todo o movimento feminista, mas para os progressistas isso seria um ultraje por simplesmente ter uma visão positiva dos efeitos do capitalismo. Lógico que as condições nas fábricas não eram das melhores, mas as condições daquele mundo também não eram. Ignorar o aumento demográfico – a Inglaterra teve um aumento demográfico notável nessa época – que estava diretamente ligada às mudanças da forma de vida da sociedade da época – as crianças que antes morriam de fome agora crescem e tem filhos – é algo comum no meio acadêmico. O que trouxe justiça para dentro das fábricas não foram as tão exautadas leis trabalhistas, mas sim a adequadação ao mercado. Por exemplo, uma fábrica precisava de mão de obra, mas não existia tanta mão de obra sobrando no mercado, ele sabia que para atrair pessoas para sua fábrica, precisaria oferecer algo que as demais não ofereciam, logo, ele pensava em aumentar o salário dos trabalhadores daquela fábrica. O mercado se adapta, isso são leis de mercado.

Os progressistas consideram esse tipo de análise insultosa, ignorando, novamente, o indivíduo. O marxismo é uma ideologia coletiva, tratando-se de coletivismo é ignorado total e qualquer manifestação do indivíduo com um pensamento diferente. Impor os seus objetivos de pesquisa em outras pessoas é errado, como dito no capítulo anterior, mas para a maioria dos atuais acadêmicos, um trabalho diferente e pluralizado não passa de pura “injustiça”.

Se você, como historiador, acha que uma análise diferente do convencional é um absurdo, tem uma forma de você fazer as pessoas acreditarem nisso. Publique seus artigos, argumentem contra, formem debates e mostre o seu ponto, mas nunca imponha os seus valores individuais sobre as pesquisas de outras pessoas.

[2]Hans-Hermann Hoppe dizia que a história em si – a sequência de fatos – é cega, nada diz sobre causa e efeito, cabe às teorias o papel de analisar e interpretar os fatos. Dentro das teorias libertárias, grande parte do que hoje é tratado como verdade absoluta é na verdade uma má interpretação da história. Isso se deve principalmente pelas teorias mais utilizadas ultimamente pelos professores e alunos que cursam ou praticam o ofício de historiador. O materialismo histórico, utilizado como base para maioria dos professores dentro das universidades, comete erros anacrônicos que não condizem com a natureza das coisas.

Dentro do meio libertário há quem acredita que entrar na educação estatal com idéias libertárias não tem utilidade, e eu ouso discordar com essas pessoas. Hoje o monopólio da educação estatal tem impossibilitado discussões pluralistas sobre ideias e visões diferentes de história, me sinto na missão de entrar nesse meio onde as discussões singulares acontecem, e apresentar ideias diferentes, não de maneira puramente teórica, mas entrando na realidade do indivíduo da qual apresentarei as ideias. Esse livro não é simplesmente uma explicação teórica sobre o ofício de historiador e a visão libertária da história, mas é acima de tudo um incentivo para todos aqueles de mente pluralizada para que não se sintam amedrontados ao entrar no ambiente acadêmico e apresentar ideias diferentes, apenas não se comporte como os progressistas intolerantes à outras visões se comportam.

Entenda que cada indivíduo é um só, diferente, que acredita em suas idéias por um motivo e muita das vezes, um motivo até humanitário e cheio de boas intenções. Não entrar no ambiente acadêmico estatal não só não contribui com o movimento como faz com que os libertários cada vez mais se afastem da solução do problema estatal. Mises já dizia no seu livro As Seis Lições: “ideias, somente ideias, podem iluminar a escuridão”.


[1] Fatos e mitos sobre a “Revolução Industrial” – Ludwig von Mises.

[2] Democracia, o Deus que falhou – Hans-Hermann Hoppe