A Esquerda e a ciência política convencional identificam o fascismo italiano e o nacional socialismo alemão como uma ideologia de direita. A motivação deles é clara — eles não querem ser associados com regimes que trouxeram para a civilização horrores e sofrimentos sem precedentes. A Esquerda, tradicionalmente, baseia seu ponto de vista com duas proposições teóricas: primeiro de tudo, fascismo e nazismo não pertencem a Esquerda porque esses regimes não instauraram total coletivização dos meios de produção como Marx prescreveu. Em segundo lugar, nacionalismo e racismo tem sido tradicionalmente uma característica da Direita, enquanto a Esquerda é percebida como sendo internacionalista por natureza.

Direito de Propriedade Privada Apenas no Nome

Vamos considerar o primeiro postulado sobre a falha desses regimes de completarem a socialização total da propriedade privada. Para isso, Stalin apontou em uma entrevista para o jornalista americano Roy Howard que “a fundação de uma sociedade (socialista) é a propriedade pública: “propriedade agrícola coletiva, nacional e cooperativa, isto é, estatal. Nem o fascismo italiano nem o nacional-‘socialismo’ alemão têm algo em comum com tal sociedade. Primeiramente, isso é porque o direito de posse privada de fábricas e trabalhos, de terra, de bancos, de transporte etc. tem permanecido intacto, e, portanto, o capitalismo continua com força total na Alemanha e na Itália”, e esse tem sido o notório argumento dos socialistas marxianos.

O grande Ludwig von Mises atacou as inferências lógicas da Esquerda, apontando que em regimes socialistas não marxianos a propriedade privada foi permitida de jure, mas de facto o Estado foi o principal dono dos meios de produção. “Se o Estado toma o poder de distribuição do dono pouco a pouco; se seu poder de determinar qual direção a produção deve seguir for aumentado, então o dono é deixado, por fim, com nada exceto a nomenclatura vazia de posse, e a propriedade passou para as mãos do Estado”, escreveu Mises em Socialismo: Uma Análise Econômica e Sociológica.

Sem dúvidas, seu argumento descreve autenticamente eventos econômicos reais sob esses regimes. Na verdade, empreendedores eram privados do livre mercado de commodity, do mercado de trabalho e do mercado monetário internacional; o Estado estabelecia controles de salários e de preços e, geralmente, influenciava em todos os estágios de produção, distribuição e consumo. Entretanto, deve-se reconhecer que os argumentos de Mises não encontraram a interpretação e os efeitos adequados no mundo contemporâneo.

O ponto é que, o século vinte foi dividido por duas guerras mundiais sangrentas e a Guerra Fria prolongada. Apenas um Estado pode entrar em guerras mundiais, já que ele pode juntar e manejar os recursos financeiros, econômicos e de pessoas necessários. Assim, no século passado, o Estado havia sido firmemente fixado na esfera econômica da sociedade, e relutantemente desiste de suas posições. Afinal de contas, muitas gerações vivem em condições onde o Estado dita as condições da economia. Eles nem suspeitam que o Estado e a economia possam ter relações diferentes. Países industriais contemporâneos são culpados de conduzirem políticas que são similares aquelas das receitas dos governos italiano e alemão. Na verdade, o Estado tem posto varias regulações que adversamente afetam os negócios e a economia como um todo, incluindo, entre outras coisas, o controle sobre o salário mínimo, o estabelecimento de programas sociais que são abastecidos pelo fundamento da redistribuição de renda, entre outros.

Mises apontou que o Estado controlava a vida econômica, conduzindo várias medidas de coerção. Ele está, inquestionavelmente, correto; Porém, os regimes socialistas têm utilizado ambos os métodos: coerção e persuasão, e o segundo método ocupa até uma maior importância. Nos moldes contemporâneos, a total doutrinação coletivista nas instituições de ensino se tornou a forma primária de persuasão.

Seres humanos são a espécie mais adaptável e facilmente afetada por uma boa convicção. A maioria das populações correspondentes aceitaram, quase sem esforço, ideias nacionalistas dos fascistas e nazistas. Gotz Aly mencionou em Hitler’s Beneficiaries que o Terceiro Reich não foi uma ditadura mantida pela força. Ele deu um exemplo vívido que, em 1937, a Gestapo tinha pouco mais de 7.000 empregados, que eram suficientes para controlar mais de 60 milhões de pessoas. A vasta maioria da população, voluntariamente, subjugou seus pensamentos para as ideias que regiam o partido. Consequentemente, a população que passou pela coletivização da mente avidamente apoiava qualquer política, incluindo propostas de medidas econômicas pelo governo. As empresas alemãs foram uma parte integral do movimento nacionalista, não se importaram em aceitar as novas regras do jogo e, entusiasticamente, participaram no experimento social.

Tanto quanto o argumento de “posse de jure/posse de facto” levado à frente por Mises, é necessário adicionar as seguintes proposições: Se uma pessoa é dona da propriedade, ela deveria ser apta a controla-la. O contrário também é verdadeiro: Se uma pessoa controla a propriedade privada, ela é de facto sua dona. É mais fácil e mais efetivo de controlar a propriedade se a pessoa também possui essa propriedade. Portanto, foi bem natural que os Estados fascista e nazista desenvolvessem uma tendência de se tornarem os donos reais, não apenas de facto mas também de jure. A dicotomia posse-propriedade “uma pessoa é dona, mas é restrita de controle total — outra pessoa controla, mas não é dona” não poderia ser considerada como um paradigma estável. Essa construção tinha que colapsar e ser posta em uma posição estável — “uma pessoa é dona e controla.” Uma ambiguidade inerente na “posse de jure/posse de facto” seria, inevitavelmente, resolvido em favor da contraparte mais forte — o Estado. A história mostra que o Estado fascista foi se desenvolvendo por esse caminho. Em 1939, a Itália Fascista conquistou a maior taxa de posses pelo Estado no mundo, sem contar a União Soviética.

Então, o primeiro argumento apresentado pela Esquerda deve ser refutado pelo seguinte raciocínio: Primeiro de tudo, o fascismo italiano e o nacional-socialismo pertencem à Esquerda, posto que são encarnações do socialismo não-marxiano que utilizavam a coletivização da consciência ao invés da socialização da propriedade privada como o caminho primário para o socialismo. Em segundo lugar, o controle estatal sobre a economia vai, em última análise, caminhar para a socialização da propriedade privada, o que fará do Estado o dono de jure.

Nacionalismo Não É Apenas da Direita

A suposição de que o racismo e o nacionalismo são exclusivos da Direita é um mito político, propagado pela propaganda violenta esquerdista. É sabido que os fundadores do marxismo eram xenofóbicos que aderiram à divisão das nações hegelianas ao histórico e ao não histórico. O fundador do sindicalismo revolucionário, Sorel, foi um intenso antissemita. Algumas correntes do socialismo pregavam, abertamente, o chauvinismo; outras usavam a retórica internacionalista para ganharem benefícios políticos. Além disso, nacionalismo não era um fator que dividia o espectro político entre Direita e Esquerda no começo do século 20. Ao invés disso, foi a atitude em relação à propriedade privada (ou antagonismo entre o capital e os trabalhadores, nos termos marxianos) que dividiram o espectro político. Ou seja, nacionalismo pode ser inerente em várias filosofias políticas, seja entre os defensores do capital ou entre os proponentes do trabalhismo. Nenhum fato histórico concreto sugere que o nacionalismo é uma característica peculiar da Direita. Pelo contrário, como proponentes do livre mercado, a Direita promove uma divisão internacional do trabalho e da troca. Ao mesmo tempo, regimes institucionalizados da Esquerda, incluindo o fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão, implementaram uma economia de autarquia nacional.

O fascismo italiano e o nazismo alemão constituem as correntes anti-materialista e anti-positivista do movimento socialista, que foram extremamente hostis perante as ideias do marxismo e do socialismo democrático. Todavia, eles compartilham um contínuo banco do time socialista. Comunistas ocupam a extrema esquerda, seguidos dos sociais democratas; o flanco direito pertence aos fascistas e nazistas — eles estão à direita da Esquerda.

Escrito por: Allen Gindler
Traduzido por: Lucas Faria
Revisado por: Paulo Costa (@PauloDroopy)

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