Introdução

Este artigo trata-se de da adaptação de uma thread acerca do atual conflito econômico entre a Coreia do Sul e do Japão feita por mim no dia 2 de Agosto de 2019 no Twitter.

Como tudo começou

Diversos habitantes da Coreia do Sul começaram a boicotar produtos japoneses após o Japão impor restrições aos materiais-chaves usados em semi-condutores e displays digitais por fabricantes sul-coreanas no começo de Julho. As restrições geraram uma distorção na indústria de manufaturamento de produtos de alta-tecnologia no país. As restrições, segundo o Upi, se tratam de uma retaliação a uma disputa judicial iniciada por cidadãos sul-coreanos exigindo ressarcimento por conta de trabalho forçado durante o período em que o Japão dominou Coreia entre os anos de 1910 e 1945. O processo está em andamento neste exato momento.

A situação atual

O clima entre os governos e os habitantes dos dois países tem esquentado cada vez mais nos últimos dias. Os sul-coreanos estão fazendo diversas manifestações e promovendo um boicote organizado em larga escala aos produtos japoneses [1].

Desde quando a decisão sobre as restrições de exportação foi tomada, os protestantes sul-coreanos foram vistos com certa regularidade nas proximidades da embaixada japonesa em Seoul, na Coreia do Sul. As manifestações tiveram picos de milhares de participantes nos fins de semana. A principal marcha, no entanto, foi marcada para o dia 15 de Agosto, o Dia Nacional da Liberação, um feriado dedicado à comemoração do fim da ocupação japonesa sobre o país.

Cerca de 23.000 lojistas sul-coreanos se juntaram ao movimento de boicote em meados de Julho, de acordo com a mídia local. Diversas lojas de conveniência removeram produtos japoneses de suas prateleiras.

A indústria de turismo japonesa já está sentindo o peso do boicote, tendo em vista que 24% dos turistas estrangeiros que visitaram o Japão em 2018 foram sul-coreanos, perdendo apenas para a China, de acordo com a JNTO [2]. O número de sul-coreanos que viajaram para o Japão durante o período de 16 a 30 de Julho caiu 13% comparado com o mês anterior durante o mesmo período, de acordo com o ministro da Terra, Infraestrutura e Transporte sul-coreano.

As linhas aéreas sul-coreanas reduziram ou suspenderam as rotas para o Japão. A Korean Air anunciou que iria suspender a rota Busan-Sapporo a partir do dia 3 de Setembro e a Asiana Airlines vai usar aviões menores nos vôos para as 3 maiores cidades do Japão, devido a baixa demanda.

No Twitter, as hashtags que estão sendo usadas para comentar, promover ou apoiar o boicote são: #일본제품불매 (em coreano) e #BoycottJapan (em inglês).

A solução que deve ser adotada por ambos

A abertura de mercado neste momento, dada a situação em que os dois países se encontram, tornaria qualquer negócio futuro entre os dois países algo completamente desnecessário e seria uma solução que evitaria qualquer eventual conflito.

Os sul-coreanos poderiam aproveitar a chance para fazer negócios com empresas de qualquer outro país que exporte os mesmos tipos de materiais que as empresas japonesas exportavam para a Coreia do Sul, como o Brasil (caso possua a capacidade para exportar tais materiais), e, inclusive, conseguir pechinchar por preços menores. Para ter empresas sul-coreanas como possíveis clientes, diversas empresas ao redor do mundo estariam dispostas a vender seus produtos por preços menores do que os seus concorrentes locais ou estrangeiros por se tratarem de clientes valiosíssimos.

Com preços menores, a importação desses materiais-chaves, é claro, se refletiria diretamente nos preços dos produtos vindos da Coreia do Sul, dado o fato que uma diminuição no custo de produção pode levar diretamente a uma redução dos preços dos produtos finais sem a necessidade de seus produtores diminuírem a sua porcentagem de lucro.

Em resumo: a abertura de mercado resolveria não apenas o conflito entre os dois povos, evitando que eles precisem interagir um com o outro, como também pode beneficiar economicamente os sul-coreanos.

Já no caso do Japão, exportar para qualquer país que queira comprar os seus produtos e produtos faria com que o volume de exportação crescesse exponencialmente por conta do novo leque de clientes disponível e faria com que o Japão se distanciasse cada vez mais das políticas keynesianas de intervenção estatal que o assolaram décadas atrás e deixaram feridas que não cicatrizaram até hoje [3].

Referências

[1]: MARESCA, Thomas. South Korean boycott of Japan grows ahead of crucial trade decision. Disponível em: <https://www.upi.com/Top_News/World-News/2019/08/01/South-Korean-boycott-of-Japan-grows-ahead-of-crucial-trade-decision/3851564652547/>

[2]: Japan National Tourism Organization. Disponível em: <https://www.upi.com/Top_News/World-News/2019/08/01/South-Korean-boycott-of-Japan-grows-ahead-of-crucial-trade-decision/3851564652547/>

[3]: AMSELEM, Yonathan. Como as políticas keynesianas do governo mutilaram a economia do Japão. Disponível em: <https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2519>