A Formalização da psicologia

Wilhelm Wundt

Os temas que cercam a psicologia hoje, como aprendizado, memória, motivação, pensamento, percepção, comportamento, entre outros, são debatidos desde os tempos de Aristóteles e Platão, no séc. V A.C. Contudo, a psicologia moderna surgiu a partir do ano de 1879, com a criação do 1º laboratório de psicologia experimental por Wilhelm Wundt (1832-1920). Fundando uma nova escola de pensamento e a psicologia como disciplina acadêmica formal.

A partir do surgimento da psicologia experimental, outras ramificações, movimentos e escolas começaram a surgir, como o funcionalismo e o estruturalismo. Como fruto desse começo, surgem as 3 grandes forças da psicologia: psicanálise, behaviorismo/comportamental e a humanista-existencial.

Essas 3 forças são apenas o ponto de partida. Cada uma delas tem suas próprias ramificações, abordagens clínicas, foco de estudo e visão de ser humano.

Psicanálise

Sigmund Freud (1856-1939)

Primeiramente, é importante enfatizar que psicanálise e psicologia não são sinônimos. Freud não era psicólogo, mas um médico que exercia clínica particular e trabalhava com pessoas que sofriam de problemas emocionais. Embora treinado como cientista, ele não utilizou o método experimental, e sim, criou seu método, chamado de ”associações livres”, além de elaborar a sua teoria da personalidade com base na observação clínica de seu pacientes.

A psicanálise pode ser usada em diversas áreas, não sendo limitada a atendimentos clínicos e a psicólogos. É usada forma de estudar os aspectos dinâmicos da sociedade, economia, política e pensamento, por isso, existem diversos psicanalistas com a formação em áreas da educação, medicina e filosofia/sociologia, por exemplo. Mas a teoria freudiana teve grande impacto na psicologia e trouxe grande contribuições.

Freud apresentou ao mundo sua teoria do aparelho psíquico (Ed, Ego e Superego) e como essas estruturas se relacionam e trazem consequências ao comportamento humano, por meio dos mecanismos de defesa do ego. Além dos componentes desse aparelho: consciente, pré-consciente e inconsciente.

Os acontecimentos da nossa infância determinariam toda uma vida mental, e nosso padrão seria repetir esses acontecimentos e padrões aprendidos ao longo da nossa vida; o conhecido determinismo psíquico.

Fora que somos dominados por instintos inconscientes que, segundo Freud, são elementos básicos da nossa personalidade. Nosso objetivo seria satisfazer esses instintos e a tentativa de suprir essas necessidades modelaria nosso comportamento. Os instintos, ou pulsões, são separados em pulsão de vida e morte; em que o primeiro serve ao propósito da sobrevivência individual e a propagação da raça humana, enquanto o segundo, seria o desejo inconsciente de morrer, o desejo de voltar para a estabilidade inorgânica e a representação psicológica do princípio da constância.

Os pensamentos de Freud, influenciaram não só a psicologia, mas o ocidente como um todo. A partir da base que ele forneceu, surgiram diversos questionamentos sobre como funciona o aparelho psíquico e serviu de base para o surgimento de linhas psicológicas, como a psicologia analítica (Carl Jung), individual (Alfred Adler) e a corporal (Wilhelm Reich).

Behavorismo/Comportamental

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990)

Como resposta às teoria mentalista e introspectivas provenientes da psicanálise, surge a psicologia comportamental ou behaviorismo. A ”missão” dessa psicologia, é formar uma psicologia ligada a análise direta de dados. B.F. Skinner, o pai do behaviorismo radical, dedicou sua vida a formar uma psicologia sobre aquilo que é observável e mensurável, com o objetivo de descobrir o que molda e controla o comportamento humano e como podemos ter o controle sobre estes elementos. Tendo seu foco, então, no estudo do comportamento operante, pensamentos e emoções de modo experimental.

O cérebro parte do organismo, e o que faz, é simplesmente parte do que o organismo faz. Então, para explicar os fenômenos provenientes dele, como os pensamentos e emoções, devemos observá-lo para fora do organismo, assim como se estudaria qualquer outro órgão, sistema, produto ou fenômeno do organismo. Tendo que ser explicados, e não simplesmente sendo usados como explicações. Atribuir a origem do comportamento a esses eventos pouco conhecidos (pensamentos e emoções), para Skinner, é um tipo de ”criacionismo”.

A origem do comportamento, portanto, não é proveniente da mente e do self, mas sim da relação do organismo com ele mesmo e o seu meio. Trazendo para a psicologia uma visão monismo de ser humano, indo de encontro com o dualismo corpo-mente de Freud, por exemplo. Não é à toa que psicanalistas e behavioristas são considerados grandes rivais dentro da psicologia até hoje.

Podemos trazer como nomes de destaque, além de Skinner, I. Pavlov, J. B. Watson e E. L. Thorndike. É importante citar que da psicologia comportamental surgiu a psicologia social cognitiva de Albert Bandura, TCC (Terapia cognitiva comportamental) de Aaron Beck e a neuropsicologia.

Humanista-Existencial

Abraham Maslow (1908-1970)

A psicologia humanista veio como resposta a concepção humano da comportamental, e ao pessimismo e determinismo psíquico da psicanálise; trazendo uma visão mais otimista em relação ao ser humano, uma visão ”mais humana”, como seu nome sugere.

Para os humanistas, todas as pessoas possuem o potencial para terem um desenvolvimento sadio e criativo. O fracasso em realizar esse potencial se deve às influencias coercitivas e distorcedoras do treinamento dos pais, escolas e outras pressões sociais. No entanto, os efeitos prejudiciais sobre o individuo, provenientes dessas influencias no seu desenvolvimento, podem ser superados se a pessoa estiver disposta a aceitar a responsabilidade sobre a sua própria vida.

Abraham Maslow foi o fundador desta psicologia e famoso por desenvolver a pirâmide hierárquica das necessidades básicas. Incorporou à psicologia elementos dos movimentos existenciais e fenomenológicos, como podemos encontrar na Gestalt-Terapia (Fritz Perls), Terapia Centrada na Pessoa (Carl Rogers) e Logoterapia (Viktor E. Frankl). Também podemos destacar a psicologia transpessoal, que é considerada por Carl Rogers ”a 4ª força da psicologia”; a diferença desta para a humanista como um todo, é que considera que o ser humano necessita transcender, vendo o ser humano como um ser bio-psico-social e espiritual.


Revisado por: Paulo Costa (@PauloDroopy)