Origem dos estudos sobre inteligência

Os primeiros estudos sobre testes de capacidades intelectuais, surgiram com Francis Galton, matemático, primo de Charlis Darwin. Esses estudos levaram a questões de eugenia, ao classificarem determinados linhagens de sangue e raça eram superiores intelectualmente às outras. Os horrores por trás desse tipo de pensamento levaram aos horrores do século XX e a diversas posturas compulsórias de incentivar a eliminação de determinadas raças. Fora o clássico exemplo da Alemanha nazista, podemos citar o Estado de Indiana, EUA, em que, de 1907 até a década de 1960, mais de 64 mil americanos considerados “inaptos”, principalmente aqueles classificados como prostitutas, alcoólatras, doentes mentais e criminoso, foram submetidos à esterilização compulsória. Esta foi a primeira lei de esterilização compulsória do mundo. 

No entanto, graças ao avanço da ciência, esse tipo de pensamento foi sendo deixado de lado e os estudos relacionados a inteligência foram sendo cada vez mais refinados. Entre as teorias contemporâneas de inteligência, encontramos entre as mais difundidas os pensamentos do psicólogo americano Howard Gardner. Em 1983, ele publicou o seu livro “Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences” e revolucionou o que entendemos sobre o que é inteligência e o que é ser inteligente. 

Gardner, antes de desenvolver sua teoria, trabalhava em dois centros de pesquisa: um envolvendo estudos com indivíduos que sofreram algum tipo dano cerebral e outro em que o foco era em lidar com estudos do desenvolvimento cognitivo humano em crianças. Trabalhando com esses dois grupos de pessoas, o psicólogo notou que a ortodoxia da inteligência é algo único e que, supostamente, podemos determiná-la por meio de um quociente de inteligência (QI). Ele estava errado. A crença começou a ser debatida ao ver indivíduos que, por exemplo, tiveram sua linguagem prejudicada por conta de uma lesão cerebral, tinham bons resultados em outros contextos fora da linguagem. Ou ao ver crianças com extrema facilidade em poesia e expressão oral, mas com dificuldade de desenhar uma pessoa. A partir desses fatos, Howard começou seus estudos e desenvolveu sua teoria dos 9 tipos de inteligência. 

A teoria dos 9 tipos de inteligência

Inteligência: Potencial biopsicológico de processar informações de determinadas maneiras para resolver problemas ou criar produtos que sejam valorizados por, pelo menos, uma cultura ou comunidade. 

Howard Gardner faz algumas afirmações sobre sua teoria:  

  • Ter um ponto forte em um dos tipos de inteligência não significa força ou fraqueza em outro.  
  • Todos os seres humanos possuem essas inteligências; em menor ou maior grau. São elas que nos tornam humanos, em termos cognitivos. 
  • Não há dois humanos – nem mesmo gêmeos – que possuem o mesmo perfil em suas qualidades e suas limitações em termos de inteligência. 

O psicólogo não determinou um conjunto de práticas de como se deve ensinar as pessoas, ao contrário do que nomes como Montessori e Paulo Freire fizeram. Para ele, devemos individualizar a educação. Cada ser humano é único e tem sua forma de aprender, um sistema que tenta ensinar todas as pessoas de uma mesma forma, e ainda dando grande ênfase a inteligência linguística e a lógica-matemática, como o nossa, não é eficaz. O trabalho do professor deveria ser se adaptar ao aluno para que possa passar a informação de modo adequado à forma de pensamento daquele indivíduo. Tudo isso seria um grande trabalho, considerado impossível décadas atrás, mas hoje, graças aos computadores, que disponibilizam um mesmo conteúdo sendo explicado das mais variadas formas, é possível.

Gardner vê a tecnologia como a grande aliada para um maior acesso para uma educação de qualidade, que incentiva os alunos e se adapta melhor a individualidade de cada um. A individualização e a tecnologia são o futuro da educação.

Os 9 tipos de inteligência 

Uma inteligência se encaixa em 8 critérios: 

  1. Isolamento potencial por dano cerebral. 
  2. Existência de idiots savants (distúrbio psíquico com o qual a pessoa possui uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência), prodígios e outros indivíduos excepcionais.  
  3. Operação central ou conjunto de operações identificáveis. 
  4. Trajetória do desenvolvimento da característica, culminando em desempenho especializado. 
  5. História e plausibilidade relativa. 
  6. Apoio de tarefas psicológicas experimentais. 
  7. Apoio de dados psicométricos. 
  8. Suscetibilidade à codificação em um sistema simbólico. 

Originalmente, a teoria surgiu com 7 tipos de inteligência. Após sua publicação e atualização, foram acrescentados a inteligência naturalista e existencial. As pessoas possuem em média 1 a 2 inteligências em destaque das outras. A conclusão da teoria de Gardner foi que nenhum tipo de inteligência é superior à outra, já que, em determinado do contexto, uma pode ser mais útil que a outra. Fora a combinação e nível de desenvolvimento em cada inteligência que cada pessoa possui. Para Gardner, cada indivíduo deve identificar as suas aptidões e limitações para, assim, aprimorá-las e/ou supri-las. 

Inteligência Espacial-Visual 

Ligada a pessoas com a capacidade de imaginar e visualizar o mundo em três dimensões, sendo capaz de se projetar coisas mentalmente em vários pontos de vista, representar o mundo real de maneira fiel, criar arte e pensar com clareza sobre mudanças que serão realizadas sobre um objeto. 

Ligado a arquitetos, pintores, escultores, designers, pilotos, navegadores e fotógrafos. 

Inteligência Existencial 

habilidade de entender, questionar e ter sensibilidade sobre questões relacionadas à existência, origem da vida, ao sentido da vida, finitude do ser (morte), bem e mal e temas espirituais. 

Ligada a líderes espirituais, teólogos e filósofos. 

Inteligência Interpessoal 

Habilidade de entender e responder adequadamente a humores, temperamentos, motivações e desejos das outras pessoas. Também implica na capacidade de se entender perante aos outros. 

Ligada a professores, atores, vendedores, políticos e posições de liderança. 

Inteligência Intrapessoal 

Habilidade de conhecer sua própria pessoa. Ter um autoconhecimento, sabendo seus próprios sentimentos, limites, sonhos, ideias, crenças, valores, motivações e como lidar com eles. 

Ligada a psicólogos, líderes espirituais, filósofos. 

Inteligência Linguística 

Habilidade de se comunicar de forma efetiva, sendo capaz de executar uma boa argumentação e transmitir uma mensagem de maneira clara e direta. Possuem um vocabulário rico e facilidade de aprender novas línguas. 

Ligada a escritores, poetas, jornalistas, palestrantes, oradores e políticos. 

Inteligência lógico-matemática 

Habilidade de lidar com questões lógicas, equações matemáticas, raciocínio sequencial, considerar hipóteses e proposições e ter padrões de pensamentos indutivos e dedutivos. Sensibilidade ao lidar com padrões, ordem e sistematização. 

É o tipo de inteligência mais valorizado na sociedade. O quociente de inteligência (QI) é baseado principalmente nesta inteligência e na linguística. 

Ligada a matemáticos, cientistas, acadêmicos e engenheiros. 

Musical 

Habilidade de apreciar, interpretar e compor canções. Identificar timbres, tons, ritmos e saber manipular esses e outros elementos relacionados ao som. Além da facilidade de criar, reproduzir e reconhecer sons. 

Ligada a compositores, cantores, DJ’s, maestros e produtores musicais. 

Inteligência Naturalista 

Habilidade de detectar, diferenciar e categorizar questões relacionadas a natureza. Facilidade em entender elementos naturais vivos ou não vivos. Compreendendo a natureza e seus elementos, como animais, água, chuva, solo, mar etc. Foi de grande importância para o desenvolvimento da humanidade por estar ligada a caça, agricultura, plantio, colheita e domesticação de animais. 

Ligada a biólogos, agricultores, veterinários, botânicos e chefs de cozinha.


Revisado por: Paulo Costa (@PauloDroopy)