No dia 04/11/2019, Gustavo Paul lançou na Época, revista do grupo Globo, uma reportagem sobre a oposição do chefe de estado Jair Bolsonaro a medida da ANEEL que visa taxar a produção de energia solar.

Como não se pode esperar muito da mídia brasileira mainstream, houveram erros oriundos de um coquetel composto por desconhecimento de causa e desonestidade – erros contidos nas imagens publicadas a seguir.

Na primeira ilustração, o jornalista atribui às empresas de energia solar a campanha contra a tributação que, segundo ele, temem perder “subsídio” – este que desmistificarei também no presente texto. Uma vez que jornalistas pueris não entendem do que falam, assim como economia, respostas didáticas devem ser dadas.

A medida da ANEEL busca a taxar, via tarifa, parte da energia gerada , ou seja, logo após a instalação. Em consequência, os sistemas projetados com os mesmos benefícios de hoje passarão a ser superdimensionados, i.e., projetados muito acima do necessário, no intuito de abater a fatura de energia, além do valor tarifado – logicamente encarecendo-os.

Tanto os sistemas de energia solar desnecessariamente maiores, quanto a demora significativamente aumentada para receber o retorno do valor investido, recaem diretamente sobre o consumidor, não as empresas – diferente do que diz a cúpula de iluminados da ANEEL.

Na segunda imagem temos outra mentira. O autor afirma que aqueles que produzem energia solar não pagam pela energia consumida durante a noite ou dias nublados, o que é completa mentira – com claro intuito de colocar aqueles que não utilizam de energia solar contra aqueles que a utilizam, dada a falsa sensação de que são prejudicados.

Sistemas on-grid, i.e., conectados a rede da concessionária, pagam 1) valor mínimo da fatura, ou 2) o valor de energia consumida acima dos níveis de geração – como apresentado na imagem a seguir. A energia injetada no medidor é abatida pelo valor consumido nesses momentos (noite e dias nublados). Se há um superávit de geração, o consumidor paga a tarifa mínima. Se há um déficit, o consumidor será cobrado pelo valor excedente do consumo, pela mesma tarifa de qualquer outro usuário de energia elétrica.

Em “tipos de medição”, a linha “Energia kWh” representa o consumo do cliente nos momentos em que a geração não supria o necessário na instalação. A energia injetada é a representação do excedente gerado sobre o consumo no momento de geração. Sendo esta última maior que a anterior, o cliente pegou apenas o mínimo da fatura de energia. Caso o primeiro dado fosse maior, ele pagaria sobre o valor consumido.

Sistemas off-grid, por outro lado, sequer utilizam a rede e estão fora tanto dessa medida, quanto dessas restrições. Essa FALSA afirmação de que os consumidores não pagam a energia consumida é o referido “subsídio” ao qual este jornalista, controversamente deu a entender, que fosse dado as empresas, que supostamente temeriam perder.

Quanto a última imagem, duas respostas bastam: a primeira é que controverso é você. E a segunda é que é desconhecimento econômico, técnico e financeiro afirmar que um payback de, normalmente três a seis anos, continue sendo viável caso esse tempo seja praticamente levado ao dobro, passando até mesmo do tempo de manutenção de parte dos sistemas.

Além dos incentivos reduzidos, há outro detalhe: inversores de frequência tendem a durar em torno de sete a dez anos, ocasionando que, consumidores tenham que reinvestir em uma pequena parte do sistema em momento que o retorno financeiro não teria ocorrido ainda.

Por fim, ao leitor deste texto: desconfie sempre daquele que defende o prejuízo injusto de um certo grupo sob a desculpa de que este prejuízo não é tão grande assim.