A liberdade é um estado natural! Naturalmente as armas são livres, por isso a principal questão não é pro-gun (armamentista) e sim contra o desarmamento que é eticamente condenável e injustificável.

O estado natural é o livre comércio de armas, não existe proibição natural e sim uma proibição coercitiva. O Estado com o intuito de deter o monopólio da força e da coerção proíbe o armamento para se proteger e para poder exercer agressão contra indivíduos pacíficos.

O armamento por sua vez é um direito natural, uma extensão da propriedade privada, os indivíduos podem trocar suas posses (propriedade privada) por posses de outros indivíduos em um acordo mútuo, logo o indivíduo pode trocar seu dinheiro por arma, sendo que o dinheiro é sua posse e arma é posse de outro indivíduo. Para impedir essa podem ser usadas duas maneiras: a) convencer todos os indivíduos de fazê-la b) usar a força para ninguém a fazer.

Sendo a praticamente impossível e estando fora da nossa realidade, o estado precisa recorrer a b, Então por meio de uma lei negativa o Estado proíbe a posse e o livre porte de armas, para cumprir essa lei o Estado regula a fabricação, venda, posse e porte, em todos os casos caso haja resistência de um indivíduo ele poderá ser multado, ter sua propriedade confiscada, ser preso, ou em últimos casos morto.

Além disso um simples porte de arma não fere a propriedade de ninguém e não se pode apontar vítima. “A vítima é a sociedade”. Sociedade é apenas o grupo de indivíduos socialmente agrupados, logo dizer que a sociedade é vítima implica em que cada um desses membros está sendo ameaçado, o que além de ser contraditório pelo fato de o próprio dono da arma ser também parte da sociedade (que obviamente não é uma vítima, afinal a posse é de seu desejo) também pode ser questionado como todos os indivíduos simultaneamente podem estar sendo ameaçados pela posse de arma desse usuário.

Além disso o Estado permite à certos indivíduos o porte de armas, o que é certamente usar dois pesos e duas medidas, afinal há uma diferenciação arbitrária de indivíduos. Para o Estado alguns indivíduos têm mais direitos que outros e podem assim portar armas para sua defesa e supostamente para defesa da sociedade.

Existe também outro direito que o desarmamento fere: a autodefesa, que é uma extensão do direito de auto propriedade. Está evidente na argumentação (A Ética Argumentativa por Vinícius Scheffel) que todos os indivíduos possuem direito de controle exclusivo do seu próprio corpo e quando outro indivíduo (a) quer controlar o corpo de outro indivíduo (b), a precisa usar sua força [de controle do seu próprio corpo] sobre a força de b para assim exercer o controle indireto sobre o corpo de b. Essa ação é caracterizada como agressão (violação do direito de controle sobre o próprio corpo, ou seja autopropriedade), e como b consegue utilizar de seu próprio corpo ele pode revidar a.

A força física de alguns indivíduos é naturalmente maior que a de outros, além disso de forma generalizada homens costumam ser mais fortes que mulheres, então alguns indivíduos têm vantagem ao tentar agredir outros.

Essas vantagens podem ser reduzidas por meio de ações de cada indivíduos, seja por treinamento de habilidades de combate e defesa, por treinamento de força física ou por uso de ferramentas. Ao longo dos tempos esses meios de se aprimorar a defesa e combate (vamos chamar de defesa apenas para ficar mais curto) foram sendo aprimorados.

Artes marciais foram desenvolvidas e aprimoradas para o melhor uso da força física, assim com menos força se possibilita um golpe com mais efeito. Treinamentos físicos foram aprimorados e desenvolvidos para um aumento mais efetivo na força e resistência físicas. Ferramentas foram aprimoradas e desenvolvidas para reduzir a necessidade de força e da habilidade para se defender.

Ao longo do tempo essas ferramentas foram exigindo cada vez menos força e habilidade, isso pode ser observado desde o uso de instrumentos de pedra até hoje com armas cada vez mais precisas, leves, e de fácil manuseio. A arma de fogo é o atual topo da força de defesa. As armas de fogo fazem com que forças fiquem mais equilibradas, pois exigem menos das habilidades físicas do indivíduo. Como o tempo e os recursos materiais são escassos o uso das armas pode ser economicamente mais viável que outros meios.

Armas não anulam as diferenças, uma vez que alguns indivíduos podem usar armas de maneira mais eficiente que outros, mas essas diferenças estão cada vez sendo mais reduzidas.

O homem pode usar o controle de seu corpo para buscar meios de melhorar sua autodefesa, ele então tem a possibilidade de escolher combinações desses meios de forma que melhor lhe agrade. Novamente se percebe que a persuasão e a força são os únicos meios de se proibir isso um indivíduo buscar esses meios.

A persuasão é aplicada em campanhas desarmamentistas que tentam convencer as pessoas de que armas são perigosas e que seu uso deve ser controlado ou até mesmo abolido. Além de se tentar convencer as pessoas da legitimidade e da necessidade de cumprimento de leis que proíbem ou regulamentam o uso de armas

Já a força é usada na execução dessa lei contra proprietários de arma que caso contrariem essa lei serão agredidos, ou seja terão sua autopropriedade violada.

Todo o processo é baseado em subversão, relativização e roubo da propriedade privada. Para manter a fiscalização o Estado se financia confiscando propriedade por meio de impostos, para executar a fiscalização a propriedade é invadida e para se executar a lei a propriedade, no caso a arma, é confiscada. Além disso as penas podem incluir também confisco de outros bens (multas), trabalho forçado (escravidão, ou seja, violação de autopropriedade) por meio de “serviços comunitários” ou até mesmo uma violação mais grave do direito de autopropriedade que é o encarceramento. Caso o indivíduo não aceite e resista as medidas anteriores ele pode ser agredido e em últimos casos morto.

Obs.: Todos os argumentos sobre autodefesa podem ser aplicados ao exercício de defesa [voluntária] de outros indivíduos, uma vez que o indivíduo pode usar seu corpo para exercer tal ação.

Mesmo que o porte de armas não é um crime per se, o uso indevido delas pode violar a propriedade [e autopropriedade] alheia, sendo assim uma agressão e antiético. Como está implícito no ato do indivíduo que ele não concorda com a ética, o uso do argumento ético por ele [em sua defesa] seria uma contradição performática, afinal ao agredir outro indivíduo ele violou a autopropriedade desse indivíduo demonstrando não reconhece-la [de forma prática], por tanto qualquer argumento que ele use para defender a autopropriedade de indivíduos (no caso a dele própria) é contraditório. Assim está caracterizado o crime, por violar a ética e agredir uma vítima

Assim pode-se concluir a naturalidade do armamentismo e da antiética do desarmamentismo coercitivo.

“Deus fez o homem, Samuel Colt os tornou iguais”