Escrito por: Wallace Nascimento (@SrNascimento40)
Revisado por: Paulo Costa (@PauloDroopy)


O dia de hoje, 22 de Maio de 2020, é marcado, e comemorado por muitos entusiastas, como o Bitcoin Pizza Day [1] – dia que faz referência à primeira transação com Bitcoin, onde um homem da Florida pagou duas pizzas com a criptomoeda. O dia tornou-se parte do folclore, tanto por marcar a primeira transação da rede, quanto pelo preço: o homem em questão pagou 10.000 Bitcoins pelas duas pizzas. Na cotação de hoje, a quantia equivalente a cerca de meio bilhão de reais.

Tal história sempre traz interesse pela valorização do bitcoin, principalmente para aqueles que querem riqueza fácil. No entanto, essa transação por si só traz algo muito mais interessante e impressionante, que pode nos mostrar muito até mesmo sobre a teoria monetária.

Antes desta transação, não havia ocorrido nenhuma troca que precificasse o Bitcoin. Discussões acerca da precificação rondavam acerca do custo de produção de cada Bitcoin, mas eram apenas especulações incertas.

No dia 10 de maio de 2010, laszlo fez uma publicação no BitcoinTalk [2], oferecendo 10 mil Bitcoins por duas pizzas. Muitos não entenderam por que ele queria fazer tal transação. Segundo Laszlo, ele só queria poder contar que comprou uma pizza por Bitcoins. 12 dias depois, um inglês aceitou a proposta, contatou uma pizzaria de uma cidade vizinha de Laszlo, pagou pelas pizzas online e recebeu os Bitcoins de Laszlo. No mesmo ano o bitcoin começou a ser comercializado e chegou a bater 2.600 dólares.

LN Pizza
Imagem das pizzas recebidas por Laszlo

Esta transação foi extremamente significativa, principalmente em relação ao valor do bitcoin. Muitos economistas do mainstream tratam o valor como algo objetivo e muitos consideram que o valor de uma moeda advém de seu lastro governamental. Duas ideias que, se fossem verdadeiras, significariam que o Bitcoin jamais teria valor algum.

Essa transação colocou na prática o regressão da moeda na prática, de forma que qualquer um pôde observar. Antes dessa transação, o Bitcoin era subjetivamente valorado como um artigo geek ou como uma potencial saída para o dinheiro estatal. Os fins que levaram o bitcoin a ter seu valor inicial são irrelevantes. O fato é que certas pessoas valorizaram o Bitcoin como um meio para atingir determinado fim.

Posteriormente, já com o Bitcoin precificado, mais pessoas perceberam que o bitcoin era uma forma segura, rápida e barata de transacionar, além de trazer segurança financeira, haja vista que a oferta de Bitcoins foi previamente estabelecida em 21 milhões de unidades. Com o tempo, isso fez com que cada vez mais pessoas buscassem ter bitcoins para usar para trocas indiretas, transacionar entre países sem ter de esperar dias ou pagar impostos absurdamente altos, ou mesmo para guardá-los com o simples intuito de proteger o capital da impressora estatal, que desvaloriza a moeda fiduciária a todo instante.

Hoje, meio a uma pandemia, o Bitcoin se mostra mais importante do que nunca. Governos estão demonstrando não terem limites em relação à moeda fiduciária, cada vez mais desvalorizam e controlam nosso dinheiro. Graças ao Bitcoin, temos uma saída e uma forma de nos protegermos contra o contínuo processo descivilizatório, imposto pelo estado através da destruição do capital.

Referência bibliográficas

[1]: GABRIEL, J. O homem que gastou milhares de Bitcoins em pizzas. Disponível em: <https://gazetalibertaria.news/joaogabriel/o-homem-que-gastou-milhares-de-bitcoins-em-pizzas/>. Último acesso em: 22 mai 2020.

[2]: Bitcoin Talk. Disponível em: <https://bitcointalk.org/index.php?topic=137.0>. Último acesso em: 22 mai 2020.