No ano decorrido desde o “dia da libertação” de Donald Trump em abril de 2025 — no qual ele começou a aumentar os impostos de importação sobre os americanos — há agora 1,2 milhão a menos de americanos trabalhando, e os ganhos por hora ajustados pela inflação continuam abaixo do nível de 2021. Enquanto isso, o emprego total na indústria manufatureira recuou para os níveis de 2022. À medida que a inflação de preços aumenta, graças à guerra eletiva do governo Trump contra o Irã, o custo de vida crescente, somado a este mercado de trabalho estagnado, garantirá ainda mais dificuldades econômicas para muitos americanos, especialmente para os trabalhadores mais jovens que não conseguiram comprar ativos antes da Grande Inflação de 2022.
De acordo com os dados de emprego mais recentes do Bureau of Labor Statistics, divulgados na semana passada, o número total de empregos na folha de pagamento aumentou em 115.000 em abril, na comparação mensal. Isso pode parecer robusto, mas se olharmos além desse número principal, descobriremos que a real situação é bem menos impressionante. Por exemplo, se analisarmos a pesquisa domiciliar, que mede pessoas empregadas em vez de vagas de emprego, constatamos que o nível de emprego caiu, mês a mês, nos últimos quatro meses. O emprego domiciliar caiu em 226.000 de março para abril. Esta pesquisa também mostra que o emprego total diminuiu em 1,2 milhão desde o ano anterior — o mesmo mês do chamado “dia da libertação” em abril de 2025. Nos últimos quatro meses, o total de pessoas empregadas caiu em quase 1,4 milhão.

Então, como pode haver tanto crescimento nos empregos da folha de pagamento, mas números decrescentes de pessoas empregadas? Parte da discrepância pode ser encontrada no fato de que a pesquisa da folha de pagamento mede tanto os empregos de tempo integral quanto os de meio período. Para abril, a medição mensal mostra que o emprego em tempo integral caiu em 424.000, enquanto o emprego em meio período aumentou em 123.000 no mesmo período. Na comparação anual, no entanto, o emprego em tempo integral caiu em 1,1 milhão e o emprego em meio período caiu em 109.000.

Podemos notar que, desde 2023, o emprego em tempo integral estagnou, praticamente sem alterações em mais de três anos. É o emprego em meio período que responde pela maior parte do crescimento das vagas nesse período. No entanto, até mesmo o emprego em meio período começou a cair nos últimos meses, com o total de vagas de meio período diminuindo em mais de um milhão desde novembro do ano passado.

como evidência de certa força no mercado de trabalho. Afinal, a taxa de desemprego ficou inalterada de março para abril, permanecendo estável em 4,3%. No entanto, a taxa de participação na força de trabalho em abril caiu para 61,8%. Esse é o nível mais baixo desde outubro de 2021. A taxa de participação na força de trabalho caiu mais de meio ponto percentual desde dezembro do ano passado, sugerindo que mais de um milhão de trabalhadores deixaram a força de trabalho nesse período. Isso contribui muito para evitar que a taxa de desemprego suba, apesar de uma situação de emprego estagnada. Não surpreende que a relação emprego-população também tenha caído repetidamente nos últimos meses, estando agora no nível mais baixo desde outubro de 2021. Essa é uma das evidências mais recentes da economia de “sem contratações, sem demissões” que o presidente do Fed, Jerome Powell, tem mencionado repetidamente.
De fato, o Washington Post informou na semana passada que os homens estão deixando a força de trabalho a “taxas recordes”. E isso também não se aplica apenas aos aposentados:
Alguns podem apontar a taxa de desemprego como evidência de certa força no mercado de trabalho. Afinal, a taxa de desemprego ficou inalterada de março para abril, permanecendo estável em 4,3%. No entanto, a taxa de participação na força de trabalho em abril caiu para 61,8%. Esse é o nível mais baixo desde outubro de 2021. A taxa de participação na força de trabalho caiu mais de meio ponto percentual desde dezembro do ano passado, sugerindo que mais de um milhão de trabalhadores deixaram a força de trabalho nesse período. Isso contribui muito para evitar que a taxa de desemprego suba, apesar de uma situação de emprego estagnada. Não surpreende que a relação emprego-população também tenha caído repetidamente nos últimos meses, estando agora no nível mais baixo desde outubro de 2021. Essa é uma das evidências mais recentes da economia de “sem contratações, sem demissões” que o presidente do Fed, Jerome Powell, tem mencionado repetidamente.
O mercado de trabalho enfraqueceu desde o início de 2025, com a maioria das oportunidades de emprego concentrada em áreas tipicamente dominadas por mulheres, incluindo saúde e educação privada. Ao mesmo tempo, vários setores dominados por homens, incluindo manufatura, transporte e mineração, eliminaram postos de trabalho, deixando um descompasso entre as qualificações típicas e as oportunidades de emprego para os homens.
Não se trata apenas de aposentadoria e educação. … Há caras simplesmente sumindo do mapa. Eles não estão cuidando dos filhos. Não estão na escola. Não estão na força de trabalho”, disse Betsey Stevenson, professora de economia na Universidade de Michigan. “Geral da mesma forma, quando olhamos para os homens, vemos os desafios que enfrentam e que deixam homens demais desconectados.
(O novo relatório de emprego de abril mostra que a taxa de participação da força de trabalho para os homens permaneceu inalterada em seu nível historicamente baixo: em 67%, o mesmo número de março.)

Apesar das alegações da Casa Branca de que impostos de importação mais altos impulsionariam, de alguma forma, o trabalho manufatureiro a novos patamares, o oposto aconteceu. Desde o “dia da libertação”, os EUA perderam 66.000 empregos na manufatura, incluindo outros 2.000 perdidos entre março e abril deste ano. Os totais de empregos na manufatura estão agora no nível mais baixo registrado desde janeiro de 2022.
Finalmente, podemos notar que a atual fraqueza no emprego parece se refletir nos ganhos por hora. Em abril, os ganhos nominais por hora aumentaram para um novo patamar de US$ 37,41. No entanto, se ajustarmos esse valor pela inflação do IPC, descobriremos que os ganhos por hora caíram em abril, tanto na comparação mensal quanto na anual. Na verdade, os ganhos por hora ajustados pela inflação em abril caíram para o nível mais baixo em quinze meses. Por essa métrica, os ganhos por hora também permanecem abaixo do nível de janeiro de 2021. Em outras palavras, não houve crescimento no salário médio por hora em mais de cinco anos.

Tudo isso pode ajudar a explicar por que a confiança do consumidor continua caindo para os níveis mais baixos em várias décadas. A CNBC relatou que:
Os consumidores americanos têm sido pessimistas por tanto tempo que agora os economistas se perguntam quando — ou mesmo se — as famílias algum dia se sentirão em melhor situação financeira.
As Pesquisas de Consumidores da Universidade de Michigan, um indicador muito acompanhado, atingiramm as mínimas históricas em maio, de acordo com uma leitura preliminar divulgada na semana passada. Esse é apenas um de vários levantamentos de opinião dos consumidores que mostram que os americanos nunca recuperaram a confiança na economia dos EUA desde que a pandemia da Covid começou, há mais de seis anos.
O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan atingiu recentemente as mínimas históricas, com o indicador caindo inclusive abaixo dos níveis medidos no início dos anos 1980, durante um período de recessão e estagflação.

Enquanto isso, o The Hill reporta:
Quase 6 em cada 10 americanos dizem que a economia está piorando, de acordo com uma nova pesquisa do The Economist/YouGov.
A pesquisa, realizada de sábado a segunda-feira, constatou que 59% dos 1.549 entrevistados disseram que a economia está piorando. Apenas 15% disseram que estava melhorando, enquanto 20% disseram que estava praticamente igual e 6% não tinham certeza.
Isso não quer dizer que todos os americanos estejam sentindo o aperto. Os americanos mais velhos e mais ricos continuam se saindo bem porque se beneficiam da inflação contínua nos preços dos ativos, que é alimentada pelas políticas inflacionárias de Trump e Biden durante o pânico da covid e depois dele. No entanto, como sugerem os dados de ganhos por hora, os salários não têm acompanhado o ritmo. Isso significa que os trabalhadores que ainda não possuem grandes volumes de ativos continuam enfrentando ventos contrários para lidar com o aumento do custo de vida diante da contínua pressão de baixa no emprego total e nos salários.

Artigo escrito por Ryan McMaken, publicado no site do Mises Institute e traduzido por Rodrigo






