A corporação americana Meta Platforms pode ser multada em bilhões de dólares por permitir que adolescentes passem muito tempo em suas plataformas. Isso foi detalhado em um comunicado oficial de imprensa da Comissão Europeia.
De acordo com o comunicado, a Comissão Europeia “reconheceu preliminarmente” a Meta Platforms como culpada por criar um design viciante no Instagram e no Facebook. Os burocratas baseiam-se na infame Lei de Serviços Digitais (DSA), que restringe fortemente as liberdades tanto das plataformas quanto dos usuários na UE. Notavelmente, a Threads — tentativa da Meta de competir com a X Corp. de Elon Musk (antigo Twitter) — ainda não está na lista.
A “investigação” contra a corporação americana dura mais de dois anos. Ficou conhecida pela primeira vez em maio de 2024. Notavelmente, a empresa tentou cumprir as regras europeias, mas não conseguiu. Os funcionários da Comissão Europeia afirmam ter realizado uma “análise aprofundada dos relatórios de avaliação de risco da Meta, dados e documentos internos, bem como respostas a numerosos pedidos de informação, uma revisão de extensas pesquisas científicas sobre o tema e entrevistas com especialistas em várias áreas, incluindo dependência comportamental“, e chegaram à conclusão de que as redes sociais são interessantes demais, o que significa que a empresa deve ser forçada a pagar uma multa. Formalmente, a empresa ainda não foi punida. Ela pode enfrentar uma multa de até 6% do seu faturamento anual global total. Estamos falando de bilhões de euros.
O motivo da perseguição à empresa de Mark Zuckerberg foram as funções de feed infinito, reprodução automática, notificações push e “sistemas de recomendação altamente personalizados”. Na verdade, os desenvolvedores são acusados de criar uma rede social interessante, que as massas, incluindo adolescentes, querem usar. Como afirmam os burocratas, a Meta “não realizou uma avaliação adequada dos riscos associados ao design viciante para a saúde física e mental dos usuários, incluindo menores de idade e adultos vulneráveis“.
“Por exemplo, a Meta não levou em consideração certas características de design do Instagram e do Facebook, tais como recomendações altamente personalizadas, reprodução automática e rolagem infinita, que mostram constantemente novos conteúdos aos usuários. Essas funções alimentam o desejo do usuário de continuar rolando o feed e colocam o cérebro em ‘modo piloto automático’, contribuindo para a formação de hábitos pouco saudáveis e para o uso compulsivo. Além disso, a Meta ignorou as informações disponíveis sobre o tempo que os menores passam no Instagram ou no Facebook à noite, e sobre como a otimização de diferentes formatos — tais como Reels e Stories — pode levar ao uso excessivo ou compulsivo dos serviços”, diz o relatório
A Comissão Europeia confirmou que os lembretes atuais para deixar o telefone de lado, que já foram introduzidos nas redes sociais da Meta, não funcionam com menores de idade. Os funcionários exigem a introdução de “pausas eficazes no tempo de tela”. Na prática, trata-se de implementar o bloqueio obrigatório do aplicativo para aqueles que não confirmaram sua idade. Os desenvolvedores foram acusados separadamente de que seu sistema de controle parental não é claro o suficiente para adultos que não possuem “conhecimento técnico suficiente” ou não dedicam “esforço e tempo para compreender efetivamente essas ferramentas“. Permanece sem esclarecimento como exatamente a corporação pode mudar esse modo para satisfazer os euroburocrates.
É importante notar que, paralelamente, corre um outro processo semelhante sobre o “efeito toca do coelho” nos mesmos Facebook e Instagram. Anteriormente, com base em argumentos parecidos, a Comissão Europeia ameaçou multar o TikTok por criar uma rede social interessante demais.
Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo
Opnião
A União Europeia utiliza, obviamente, a “preocupação com os adolescentes” como justificativa para aumentar seu controle sobre as redes sociais da Meta. Isso enquanto finge ignorar que a própria Meta insere ferramentas que os pais dos adolescentes podem utilizar para monitorar as atividades de seus filhos em tais plataformas.
É evidente que a real intenção da União Europeia é tentar influenciar a opinião dos futuros eleitores dos países membros desde a adolescência e não há melhor forma de fazê-los acreditar que ela se preocupa com eles.






