Mesmo a zoeira contra Marx sendo justa e merecida, convém reconhecer que o autor iniciou algo enorme. Sinto que a maioria das pessoas pensa que Marx, antes da revolução Russa e dos esforços da União Soviética em propagá-lo, era só um pensador obscuro, mas, isso é ignorância de quem não lê nada.
Marx leu Smith, Ricardo, Hegel, Feuerbach, Thierry, Saint-Simon, Fourier e Robert Owen, assimilou conceitos como dialética, materialismo, luta de classes e valor-trabalho, e depois reorganizou esse repertório numa tese cuja a crítica ao capitalismo aparece como análise científica, em vez de indignação moral.
O problema é que Horace William B. Joseph, Rudolf Hilferding, Ladislaus von Bortkiewicz, Harold Burrows Acton, Böhm-Bawerk e outros autores, no entanto, mesmo deixando de lado as divergências ideológicas, identificaram dentro do trabalho marxiano contradições internas, falta de rigor filosófico, impasses sem solução e até gambiarras matemáticas grosseiras.

Isso levou à publicação de obras que, agora traduzidas para o português pela nossa editora Konkin, nos permitirão superar esse absurdo que Rothbard já denunciava: “assim, quando as previsões marxianas falham, mesmo que sejam supostamente derivadas de leis científicas da história, os marxistas fazem grandes esforços para mudar os termos da previsão original.”

Mas por que eles precisam insistir em um sistema cheio de problemas? Por que não usá-lo como mera inspiração? Porque, citando o próprio Marx sobre interpretar o mundo, “o que importa é transformá-lo”. Por isso, para que esse poder apelativo e mobilizante não se perca, eles não podem se dar ao luxo de parecer “apenas” mais uma tradição entre tantas.
Como disse Rothbard, “O marxismo é um credo religioso”. Se você discorda da leitura marxista, não pode estar honestamente apenas discordando dela. Na verdade, estaria, consciente ou inconscientemente, servindo aos interesses da classe dominante. Então, diante de qualquer objeção que o militante não saiba responder, basta afirmar algo do tipo “isso aí é ideologia burguesa” ou “você precisa se descolonizar”.

E, como esse sistema é praticamente uma cosmovisão de mundo, abriu caminho para os frankfurtianos e suas famosas “teorias críticas da [insira aqui alguma área do conhecimento]”, capazes de integrar e subordinar qualquer disciplina a seita.Basicamente, é a armadilha retórica ideal, aperfeiçoada por décadas de produções teóricas que se tornaram pedágios intelectuais praticamente impagáveis para todos aqueles que ousam questioná-la.
Esta é a razão pela qual expor as falhas internas e metodológicas em Marx talvez seja o meio mais eficaz para desmascarar seus apóstolos e derrubar esse castelo de cartas. O que torna a nova temporada do Plano Konkin, “Marx Reprovado”, uma boa pedida para qualquer anticomunista.






