Alexei Navalny condenado a 19 anos de prisão

Um tribunal russo condenou o líder da oposição Alexei Navalny por acusações de extremismo, tendo sido sentenciado a 19 anos de prisão. Navalny já está cumprindo uma pena de nove anos por acusações que, segundo ele, tiveram motivação política.

As novas acusações estão relacionadas às atividades de sua fundação anticorrupção, e às declarações de seus principais associados. O juiz levou menos de 10 minutos para anunciar veredito e sentença.

Desde 2008, Navalny ativamente denuncia a corrupção nas empresas e agências estatais russas. Em 2011, foi preso por 15 dias após participar de um protesto que questionava a validade das eleições parlamentares. Em 2012, foi acusado de apropriação indébita de fundos ligados a uma empresa estatal, da qual foi consultor, sendo condenado no ano seguinte a cinco anos de prisão. Mais tarde no mesmo ano, o tribunal concedeu a Navalny uma sentença suspensa no caso. Que ele estava concorrendo às eleições para a prefeitura de Moscou na época é apenas uma mera coincidência.

Em 2016, anunciou que concorreria à presidência no ano de 2018. Em 2017, publicou um vídeo no YouTube sobre corrupção nos altos níveis do poder russo. Em campanha pelo país, foi por diversas vezes detido por organizar demonstrações sem autorização. Agressores não identificados jogaram desinfetante em seu rosto, ferindo seu olho direito. Sua candidatura foi posteriormente barrada.

Em 2019, seu time de ativistas da oposição foi impedido de concorrer ao concelho municipal de Moscou, provocando protestos violentamente dispersos, milhares sendo presos. A equipe de Navalny respondeu promovendo a estratégia do “Voto Inteligente”, incentivando a eleição de qualquer candidato, exceto os ligados ao partido do Kremlin. O partido, desse modo, perdeu sua maioria.

No ano seguinte, Navalny procurou implantar a mesma estratégia durante as eleições regionais. Em agosto de 2020, contudo, durante um voo, Navalny passou mal, forçando uma aterrissagem de emergência. Entre a vida e a morte, foi transportado para Berlim, onde médicos confirmam seu envenenamento por uma substância neurotóxica.

Após cinco meses se recuperando na Alemanha, foi preso ao retornar à Rússia, sob a alegação de que seu tratamento no exterior havia violado os termos de sua sentença suspensa em outro caso anterior de apropriação indébita, também, segundo apoiadores, politicamente motivado. No mesmo ano, sua fundação de combate à corrupção foi considerada ilegal, sendo forçadamente fechada. Membros e associados deixaram o país para escapar da prisão.

No ano passado, já preso, Navalny foi sentenciado a nove anos adicionais por apropriação indébita e desacato à corte, em um caso que seus partidários denunciaram como forjado. Com essa condenação, foi transferido para uma prisão de segurança máxima.

Por continuar seu ativismo da prisão, é constantemente punido e colocado na solitária. Um de seus advogados acredita que ele esteja sendo lentamente envenenado.

Gabriel Camargo

Autor e tradutor austrolibertário. Escreve para a Gazeta com foco em notícias internacionais. Suas obras podem ser encontradas em https://uiclap.bio/GabrieldCamargo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sinais eletromagnéticos no cérebro
Política

A “Síndrome de Havana” é uma agressão russa ou outra teoria da conspiração da mídia?

Na noite de domingo, o programa 60 Minutes da CBS publicou um segmento sobre a série de episódios médicos misteriosos sofridos por oficiais de inteligência dos Estados Unidos e funcionários do governo que receberam o apelido de “Síndrome de Havana”. Por quase uma década, as autoridades e suas famílias relataram ouvir sons repentinos de zumbidos […]

Leia Mais
Lula Macron Urânio
Política

Governo Lula assina acordo com a França para explorar urânio no Brasil

Representantes dos governos brasileiro e francês assinaram nesta quinta-feira (28), em Brasília, um acordo que prevê colaboração para geração de energia nuclear. Segundo reportagem da CNN, um dos destaques do texto do acordo é um entendimento para a exploração de reservas de urânio no Brasil. O acordo é de grande interesse para o governo francês, […]

Leia Mais
Lula e Maduro
Política

De forma inesperada, governo Lula endurece o tom contra governo Maduro na Venezuela

De forma inesperada, O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o tom com o governo venezuelano de Nicolás Maduro, tradicional aliado das gestões petistas. A repreensão do governo foi feita por meio de uma nota divulgada na última terça-feira (26/3), pelo Itamaraty, onde foi manifestada uma preocupação com o andamento das eleições […]

Leia Mais