Dívida global atinge recorde histórico

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que a dívida pública global atingiu os $92 trilhões em 2022. As dívidas internas e externas dos estados vêm aumentando de forma contínua durante décadas, mas a velocidade é crescente.

A pandemia de COVID-19 reforçou a tendência já anteriormente visível de aumento, tendo as dívidas superado as taxas de crescimento econômico global nas últimas décadas. A dívida total aumentou cinco vezes desde o ano 2000.

Os efeitos estão sendo sentidos principalmente nas economias emergentes ou em desenvolvimento, com governos precisando sacrificar parte significativa de seu orçamento para a amortização das dívidas e o pagamento dos juros. Os países em desenvolvimento, por suas economias e moedas mais fracas, necessitam pagar taxas de juros mais altas em comparação aos desenvolvidos.

Cinquenta e nove países em desenvolvimento possuem uma relação dívida/PIB acima de 60%. Em 2011, eram vinte e dois. Cerca de 40% do mundo em desenvolvimento está seriamente endividado. Os credores privados, como os detentores de títulos e os bancos, representam 62% do total da dívida pública externa desses países.

Comentários

Mesmo desproporcionalmente danificando as economias emergentes, no molde atual, contudo, a situação é insustentável para todos. Mesmo países desenvolvidos, como os Estados Unidos, não serão capazes de elevar o teto da dívida infinitamente. O montante crescente nunca será verdadeiramente pago.

A dívida em constante elevação pressiona os estados para a criação de dinheiro novo, uma solução temporária e danosa no longo prazo. Os impostos cobrados são insuficientes para cobrir o rombo, bem como impopulares as medidas de cortes ou contenção de gastos. No fim, todos esperam que o estado faça o que demandam, mas poucos se questionam de onde vem os recursos para tal.

O resultado, que ainda será visto em nosso tempo de vida, será ou uma reestruturação dolorosa e brutal, para de alguma forma retomar a confiança na moeda existente ou em uma nova fiduciária criada, ou um colapso econômico global sem precedentes, com a perda definitiva da confiança nas moedas estatais e a evaporação instantânea das reservas e poupanças da população.

Seja como for, as melhores alternativas existentes são retornar ao dinheiro real, não fiduciário, ou para os bens que nele possuem lastro. Metais que se encaixam nessas categorias são o ouro, a prata, o paládio e a platina. Criptomoedas sólidas, como o Bitcoin e a Monero, também são boas alternativas. Dinheiro necessariamente precisa constituir bens com valorização considerada certa e disseminada, com validade indeterminada e reduzido potencial de oferta/criação; algo que nenhuma das moedas estatais da atualidade é capaz de fazer.

Gabriel Camargo

Autor e tradutor austrolibertário. Escreve para a Gazeta com foco em notícias internacionais. Suas obras podem ser encontradas em https://uiclap.bio/GabrieldCamargo

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