Hipocrisia: Primeiro-Ministro britânico e as festas no lockdown

Primeiro-Ministro

O Primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, enfrenta a maior crise do seu governo após uma série de denúncias, registrando sua participação em festas no jardim de verão e reuniões de natal durante lockdown por conta da Covid-19. Muitas delas foram realizadas em momentos dolorosos, quando “pessoas comuns” não podiam se despedir dos seus entes queridos que morreram. 

Após criar uma trajetória política ignorando normas convencionais, Johnson foi atingido pela pressão de seus colegas do Partido Conservador a deixar o governo, pelas supostas violações de protocolos sanitários na residência oficial de Downing Street.

Ao relativizar a importância de ser rígido consigo mesmo no cumprimento de regras que estavam sendo impostas sobre a sociedade, Johnson e membros do governo cometeram um equívoco comum. Tão comum que muita gente enfatiza a hipocrisia dos que usam essa justificativa para sua renúncia. A questão não é o erro, mas a falta de respeito diante de um contexto de angústia nacional e a hipocrisia.

A imagem da rainha Elizabeth II sozinha comparecendo ao funeral do príncipe Philip, seu marido, cumprindo rigidamente os protocolos contra a Covid no Castelo de Windsor é chocante. Ao mesmo tempo circula a informação de que naquela madrugada ocorreu uma festança na residência oficial do primeiro-ministro. Pouco interessa se Johnson estava naquela festa ou não, visto que já havia participado de outros eventos que não respeitavam as normas as quais ele defende e impõe a população.

No entanto, quando confrontado no parlamento, Johnson ofereceu várias versões para as festas, desde que não quebraram nenhuma regra ou que ele não estava lá, mas pensou ser uma reunião de trabalho padrão até que compreendeu a revolta do povo britânico diante da hipocrisia protagonizada por ele.

Agora, ele assume a responsabilidade dos seus atos e pede desculpas repetidamente. Ainda assim, uma minoria do Partido Conservador teme as repercussões eleitorais sobre os assentos no Parlamento e pedem sua resignação.

“Infelizmente, a posição do primeiro-ministro se tornou insustentável”, afirmou o parlamentar conservador Andrew Bridgen, um ex-apoiador de Johnson. “O momento é certo para ele deixar o palco.”

Analistas concordam que não existe um nome de consenso no Partido que possa substituir Johnson. O que existe é uma pressão para ele deixar o cargo, mas não há um nome consolidado para substituir ou uma definição de nomes de representantes estabelecido. 

A grande rebelião da opinião pública se deu porque Johnson ressaltou em 2020 os bloqueios e medidas de distanciamento social impostas pelo governo britânico, mas o que veio adiante foi o escândalo de “Party Gate”, nome designado às festas na residência oficial, indo contra suas próprias restrições. 

Com o apoio público se deteriorando, Boris Johnson sofre constrangimento para entregar seu cargo, se recusa a fazê-lo e se mantém na busca por aliados, com o intuito de mitigar consequências. 

A polícia britânica está investigando se a festa surpresa de aniversário para o Premiê Boris Johnson, do qual participou mais de trinta pessoas em junho de 2020, infringiu as regras de bloqueio. 

Lucas Guimarães

Internacionalista e cursando MBA em Gestão de Negócios. Atualmente, trabalha na consultoria ULTRAMARES NEGÓCIOS INTERNACIONAIS e integra o grupo internacional Students for Liberty Brazil.

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