segunda-feira, outubro 3, 2022

Lula defende moeda única para América Latina. O quê poderia dar errado?

O ex-presidente Lula é conhecido pela defesa de ideias econômicas absurdas, e dessa vez a proposta do petista é a adesão de uma moeda única para toda a América Latina. Ao contrário dos que muitos pensam, tal medida teria efeitos drásticos a longo prazo que superaria a longo prazo qualquer melhoria ilusória.

Uma moeda única para toda a América Latina

Durante um discurso no Congresso Eleitoral do PSOL realizado neste sábado, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, afirmou que caso seja eleito presidente irá implantar uma moeda única para toda a América Latina.

Vamos voltar a restabelecer nossa relação com a América Latina. E se Deus quiser vamos criar uma moeda na América Latina, porque não tem esse negócio de ficar dependendo do dólar

Disse Lula

Outro que também apoia a ideia de moeda única latino-americana é o economista Gabriel Galípolo, ex-presidente do banco Fator, também colaborador do programa presidencial de Lula.

Em artigo recente publicado no jornal Folha de S.Paulo, Galípolo e Hadda defenderam a ideia moeda única para a América do Sul, em um modelo semelhante ao euro europeu, onde afirmam que tal medida seria uma forma de aumentar a integração regional e fortaleceria a independência monetária da região.

A proposta de moeda única para a América Latina também já foi defendida pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes, em agosto de 2021. Na ocasião, Guedes afirmou que uma moeda única para o Mercosul possibilitaria uma integração maior e uma área de livre comércio, e criaria uma divisa que poderia ser uma das “cinco ou seis moedas relevantes no mundo”.

As consequências da adoção de uma moeda estatal única

De fato a existência de uma única moeda, inclusive a nível global, é algo desejável do ponto de vista econômico. Além da ausência de taxas cambiais, uma moeda única tornaria as transações mais simples e práticas. No entanto, isso se aplica apenas à moedas cuja oferta não é controlada de forma centralizada, como as moedas lastreadas em ouro ou criptomoedas.

No caso de uma moeda estatal internacional ou global, a situação se torna pior do que a de uma moeda estatal nacional. Se por um lado há a vantagem de não haver custos com taxas de câmbio e haver uma maior facilidade e praticidade nas transações, por outro, o fato de todos os países estarem sob uma mesma moeda fará com que as políticas monetárias ruins sobre essa moeda atinja todos os países envolvidos.

Em seu livro ‘A Tragédia do Euro‘, o economista Philip Bagus expõe os problemas que surgiram na Europa com o surgimento da União Europeia e adesão ao euro.

A seguir, um trecho esclarecedor de Bagus sobre os impactos da adesão do euro:

“O mecanismo funciona da seguinte maneira: os bancos criam dinheiro eletrônico (meios fiduciários) ao expandirem o crédito para seus clientes. Em outros casos, eles criam dinheiro apenas para comprar títulos públicos. Nesse caso, eles compram os títulos públicos e os utilizam em operações junto ao BCE. Nessas operações, o BCE cria dinheiro (eletrônico ou físico) e compra os títulos públicos com esse dinheiro criado do nada. Esse dinheiro vai parar nas reservas dos bancos. Os bancos podem agora utilizar esse novo dinheiro para criar ainda mais meios fiduciários.

O resultado final é que os governos financiam seus déficits com dinheiro criado do nada (meios fiduciários) pelo sistema bancário, o qual compra títulos públicos do governo e os utiliza em operações junto ao BCE, nas quais eles, os bancos, conseguem mais dinheiro criado pelo BCE. Esse dinheiro novo será utilizado pelo sistema bancário para novas expansões monetárias e concessões de crédito.

Quando os preços e a renda nominal aumentam no país cujo orçamento governamental é deficitário, esse novo dinheiro começa a fluir para fora do país, onde o efeito sobre os preços ainda não se manifestou. Bens e serviços são comprados e importados dos outros países da UME, onde os preços ainda não subiram. O novo dinheiro vai se propagando por toda a união monetária.

Na UME, os países deficitários que utilizam esse dinheiro recém-criado antes dos outros se beneficiam. Naturalmente, há também um lado perdedor nessa redistribuição monetária. Os países deficitários se beneficiam à custa daqueles que recebem por último este dinheiro recém-criado. Os últimos recipientes desse dinheiro são principalmente os cidadãos dos países-membros cujos governos não incorrem em déficits muito altos. Esses últimos recipientes perdem porque suas rendas começam a aumentar somente após os preços subirem. Portanto, sua renda real diminui.

Na UME, os benefícios do aumento na oferta monetária vão para os primeiros usuários desse dinheiro recém-criado, ao passo que os estragos no poder de compra da unidade monetária é compartilhado por todos os usuários da moeda. Não somente o poder de compra do dinheiro na UE cai em decorrência de déficits excessivos, como também as taxas de juros tendem a aumentar devido à demanda excessiva vinda de governos excessivamente endividados. Países que são mais fiscalmente responsáveis acabam tendo de pagar juros maiores sobre suas dívidas por causa da extravagância de outros governos. A consequência é uma tragédia dos comuns. Qualquer governo que incorra em déficits pode lucrar à custa de outros governos que seguem políticas fiscais mais disciplinadas.”

Como Philip Bagus bem demostra, a ideia de uma moeda estatal única para um determinado grupo de países acaba gerando efeitos negativos para a população que superam os aparentes benéficos que ela traz.

Conclusão

A ideia proposta por Lula apesar de beneficiar a ele e seus aliados políticos e permitir os projetos demagógicos que eles tem em mente, traria consequências desastrosas para a sociedade como um todo a longo prazo.

Isso já é um destino para a qual a União Europeia está caminhando e no caso da América Latina – muito mais devastada por políticas socialistas populistas – talvez a tragédia fosse muito maior.

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