Mas…uma reforma tributária não é algo positivo?

A elite permanece no poder devido ao estado. Esse foi, na verdade, seu propósito de criação. O objetivo final é criar e manter uma casta diferenciada de indivíduos que não desejam fazer parte do grupo restante. Para a manutenção do poder, o controle econômico é de fundamental importância. Como os seres humanos se relacionam em sociedade por meio da troca de valores, aquele que deseja poder deve tentar ao máximo controlar esses fluxos. Para construir palácios luxuosos, obter ouro, prata, um harém, se vestir com tecidos nobres, pagar os homens que servem de seu braço armado, enfim, para manter a ilusão de que transcendem a humanidade, devem roubar dos produtores. A classe estatal é parasitária devido a sua própria natureza.

Com o passar do tempo, e com mudanças na tecnologia, produção e nas próprias necessidades dos expropriadores, novas regras vão se somando às já anteriormente estabelecidas. Com isso, o chamado “sistema tributário” criado progressivamente se torna grande, complexo e incompreensível em sua totalidade, mesmo para os membros da classe que serve. A complexidade dificulta o controle, facilita sua adaptação e escape, dificulta mesmo a criação dos valores tão importantes que servem de fundamento para o estabelecimento do sistema. Assim, uma reforma é proposta.

Os defensores de uma reforma tributária se prendem a uma visão limitada de mundo. Creem ser positiva a simplificação do sistema, que isso ajudará os empresários em suas operações e eliminará desperdícios. Não percebem que, caso realmente se preocupassem com isso, deveriam não pedir uma reforma do sistema, mas sua total e completa revogação. Não veem problema com a retirada forçada de valores dos indivíduos produtores, afinal, faz parte do contrato social.

Sabe-se, mesmo na visão distorcida da economia mainstream atual, que os impostos geram irremediavelmente um peso morto proporcional ao seu tamanho. As discussões são apenas o quanto deverá ser forçadamente desviado. Debatem sobre o volume e as porcentagens, mas sempre aceitam o fundamento. A justificativa para a imposição, no entanto, advém da ilusão multifacetada que prega não apenas ser o estado um ente criado para ajudar indivíduos comuns em situação de vulnerabilidade, mas o próprio garantidor da ordem social. Não apenas algo útil, mas necessário para a coesão da civilização humana.

Não é meu intuito neste pequeno comentário explicar o motivo dessa visão estar completamente equivocada, apenas dizer ser ela fruto do longo processo de consolidação do poder, afinal, você pode conquistar um povo pela força, mas apenas dominá-lo pelo convencimento.

Defender que o estado se torne mais eficiente, coisa que, inclusive, ditos defensores da liberdade na política almejam, apenas proverá meios mais eficientes de controle. Para de fato elevar a liberdade, o estado deve ser o mais ineficiente possível.

Os políticos não estão se digladiando para defender os seus interesses, estão debatendo qual a porcentagem da sua riqueza eles podem roubar. O quanto do que é seu eles têm o direito de tomar. Quais empreendedores serão mais prejudicados. O estado crê ser o legítimo dono de uma extensão de terra da qual meramente se declarou, bem como o legítimo controlador de todos que nela habitavam, habitam ou que no futuro habitarão. Ele deve ser sumariamente ignorado em todas as esferas possíveis como apenas um delírio de loucos. As consequências de uma reforma tributária não visam beneficiar os membros do povo, afinal, se assim realmente o quisessem, nem mesmo de você cobrariam impostos.

Gabriel Camargo

Autor e tradutor austrolibertário. Escreve para a Gazeta com foco em notícias internacionais.

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