O mito do mercado perfeito

Existe um mito, mesmo entre alguns liberais, de que o mercado é infalível, de que ele é perfeito e que, se temos um problema, basta deixar a mão invisível do mercado agir e todos os problemas se resolverão como num passe de mágica.

A primeira coisa que precisamos entender é: não existe algo como uma solução “final” para um problema. O mercado é um processo e, como tal, está em uma constante busca, através de tentativas e erros, de encontrar soluções melhores. Dado esse cenário, já podemos desconsiderar que o mercado seja perfeito.

Além disso, para reconhecer que o mercado não é mágico, é preciso aceitar que ninguém possui todas as informações para responder todos os problemas. Apenas o empreendedor, que está atento às oportunidades e disposto a aceitar o risco de falhar, é quem pode encontrar a resposta.

E aqui temos outro ponto muito importante: aquelas pessoas que não estão dispostas a tomar o risco de empreender não são capazes de encontrar a solução. Seja porque não saíram da inércia, seja porque não vão pagar o preço de seus erros e, portanto, nem ao menos vão saber se erraram. Nem preciso dizer que o estado se encaixa nessa segunda categoria.

Entretanto, para esse mecanismo de recompensa aos que acertam e de prejuízo aos que erram funcione, alguns pré-requisitos são necessários. Nada adianta um “livre mercado” em que, ao errar, os prejuízos sejam mitigados “para proteger a economia”. Ou um “livre mercado” em um setor em que se é obrigado a pagar um “preço mínimo” na logística. Ou ainda, um “livre mercado” em que as regras mudam no meio do jogo.

Peter Boettke, em sua explicação sobre a “Mão Invisível” de Adam Smith, elenca esses fatores: respeito institucionalizado a propriedade, aos contratos e ao consentimento.

Essa é a verdadeira maravilha do livre mercado. Não é algo mágico ou místico, é simplesmente cada empreendedor buscando e encontrando o caminho mais curto para atender a necessidade de alguém. Sem precisar prolongar ou alterar esse caminho para atender aos interesses de terceiros que interferem de forma coercitiva, encontrar as respostas fica muito mais fácil.

Para saber mais:

Boettke, Peter. Living Economics: Yesterday, Today, and Tomorrow. Oakland: Independent Institute and Universidad Francisco Marroquin, 2012. Disponível em: <https://amzn.to/2JsacPI>

Kirzner, Israel. The Driving Force of the Market: Essays in Austrian Economics. Abingdon: Routledge, 2000. Disponível em: <https://amzn.to/2XTzL4t>


Revisão por: Paulo Droopy (@PauloDroopy)

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