Mostrar apoio à Palestina é discurso de ódio

Em comunicado endereçado aos chefes de polícia, a secretária do Interior do Reino Unido, Suella Braverman, escreveu que agitar uma bandeira palestina ou entoar um cântico que defenda a liberdade para os árabes da região pode ser considerado um crime.

Segundo ela: “Não são apenas os símbolos e cantos explícitos pró-Hamas os motivos de preocupação. Cantos como: ‘Do rio ao mar, a Palestina será livre’ devem ser entendidos como uma expressão de um desejo violento de ver Israel destruído, seu uso em determinados contextos podendo equivaler a um delito de ordem pública racialmente agravado.”

E continua: “Incentivo todos os chefes de polícia a garantir que quaisquer protestos que possam exacerbar as tensões da comunidade…que possam ser interpretados como incitação ou assédio, tenham uma forte presença policial para garantir que os perpetradores sejam tratados adequadamente e que as comunidades se sintam protegidas…utilizando toda a força da lei”.

Esse fato ocorre após marchas pró-palestinas terem sido realizadas em Londres na sequência dos ataques. Um porta-voz da Community Security Trust, instituição beneficente cujo objetivo é oferecer proteção e aconselhamento à comunidade judaica no Reino Unido, disse haver: “um problema crescente de pessoas que assediam e intimidam os judeus gritando ‘Libertem a Palestina’…agitando bandeiras palestinas de forma deliberadamente hostil’”.

Há alguns pequeninos detalhes nisso tudo, porém. O Hamas não é o representante do povo palestino, bem como demonstrar apoio à Palestina não significa endossar os ataques feitos pelo Hamas. Os palestinos possuem décadas de tensões acumuladas contra Israel que, por ter sido estabelecido por decreto, necessariamente entrou em conflito com os povos que lá viviam. Como já dito sobre a guerra que atualmente ocorre entre Ucrânia e Rússia, não há guerra boa, apenas um tipo particular de guerra justa, caracterizada como guerra de defesa de indivíduos contra as forças que ameaçam seus direitos e liberdades. Guerras entre estados ou grupos armados que lutam para disseminar o caos nunca podem ser consideradas justas, muito menos honradas.

As verdadeiras vítimas são os inocentes que perdem suas casas, seus parentes e veem o mundo que conheciam destruído. Os conflitos no Oriente Médio são o resultado de sucessivos erros que desrespeitaram os direitos de autodeterminação dos povos. E isso é tão antigo quanto o Império Assírio. No estágio em que se encontram esses países, pouco provável será uma resolução justa, cabendo, como é geralmente o caso, à vitória ao lado que for capaz de exercer a maior violência.

Gabriel Camargo

Autor e tradutor austrolibertário. Escreve para a Gazeta com foco em notícias internacionais. Suas obras podem ser encontradas em https://uiclap.bio/GabrieldCamargo

2 thoughts on “Mostrar apoio à Palestina é discurso de ódio

  1. Quem são os verdadeiros terroristas? Um punhado de militantes que enfrenta a morte certa de peito aberto em precários ultra leves ou uma força de ocupação criminosa que bombardeia indiscriminadamente uma das zonas mais densamente povoadas da terra sem qualquer risco pra si próprios?

    Quem são os verdadeiros civis inocentes? A população de Gaza confinada no maior campo de concentração da história da humanidade, sadicamente bombardeada pelo terror aéreo de i$rahell ou militares genocidas das forças de ocupação talmudistas os quais, dentro do serviço engajam rotineiramente em atrocidades e fora se divertem no território roubado dos outros enquanto ao lado a massa espoliada vive amontoada numa gigantesca prisão, sem perspectiva e privada dos mínimos direitos?

    i$rahell, a Nação do Terror é um país 100% militarizado, não existem “civis” por lá, são diversas gerações que cometeram/cometem/cometerão atrocidades contra a população que espoliaram e oprimem à décadas… Confiram alguns desses “civis coitadinhos” se divertindo com as brutais atrocidades que cometeram no passado: https://www.reddit.com/r/Palestine/comments/172uofd/exidf_soldier_explaining_atrocities_while_laughing/?rdt=33454 .

    Incidentalmente cumpre observar que somente os idiotas úteis da direita ko$her (e eis aí novamente a razão de existência da mesma – é o último bote salva vidas dessa porcaria) continuam engolindo a hasbara cretina vomitada pela máquina sionista, nem políticos de esquerda, nem mesmo a mídia controlada consegue mais ter cara de pau suficiente para ocultar os crimes de i$rahell e culpar exclusivamente a resistência palestina…

    1. Toda a população israelense é militarizada? Sério mesmo? Uma população totalmente militarizada conseguiu deixar terroristas invadir uma festa, matar turistas desarmados (ou será que eles eram militarizados também?) E ainda levar reféns? Tá de brincadeira? Militantes apenas? Os caras sequestraram e mataram turistas que nada tem a ver com esse conflito e você os chamas apenas de “Militantes”? Nem vou entrar nessa discussão sobre o grande plano judeu para dominar o mundo, mas vamos nos atentar aos fatos: negar que há civis inocentes em ambos os lados, que a população civil israelense não é tão armada a ponto de se defender do Hamas (o estado estado Israel é mantém o monopólio do armamento pesado) e tratar todo mundo de forma coletivizada como se todo mundo tivesse alguma participação igual neste conflito é o cúmulo da negação da realidade. Esse é o grande mal do coletivismo, julgar uma pessoa por pertencer a grupo X ou Y. Você não está muito distante da esquerda progressista que reduz cada indivíduo a sua cor e sexo e o julga com base nisso. Você não tem nenhuma prova sequer de que cada indivíduo israelense tem total apoio dos crimes do estado de Israel. E sem falar que não me lembro de ter defendido o estado de Israel. Vá em nosso artigo sobre o conflito Israel Vs Palestina e veja que nós mesmos deixamos claro que o estado de Israel é ilegítimo como qualquer outro estado

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