segunda-feira, novembro 28, 2022

O que brasileiros deveriam ter aprendido com as eleições de 2018

As eleições estão chegando, e como de costume, a cada 4 anos um novo ciclo se repete na política, onde afim de buscar a reeleição medidas ”populares” são tomadas pelos democratas. Nas últimas eleições, muitos brasileiros viram nas novas caras da política, incluindo Bolsonaro e políticos liberais, a salvação para o Brasil. E nisso até alguns alegados libertários caíram.

O Brasil, em 2018, se encontrava em uma situação delicada, vindo de um impeachment da ex-chefe de estado Dilma, em 2016, com Temer no poder. Uma forte onda anti-”PT”, esse que a época era o destaque da esquerda brasileira, trouxe por consequência uma onda anti-esquerda. Após os escândalos envolvendo o PT virem à toma, uma onda anti-corrupção também tomou conta do país. Com tudo isso, surgiu uma movimentação política de partidos de direita e associações políticas como o MBL, que claro cresceu de 2013-2015, e viveu seu auge entre 2015-2018.

Bolsonaro, um político de carreira com bastante apoio popular, sendo o candidato eleito em 2014 com mais votos na cidade do Rio de Janeiro, foi ganhando mais destaque a nível nacional nos anos de 2016-2017. Com suas declarações, polêmicas e memes, foi ganhando cada vez mais popularidade frente ao público, o que tornou viável sua candidatura para a presidência em 2018.

O até então deputado vinha ganhando destaque da ‘ala conservadora brasileira’ devido à sua aproximação com o escritor Olavo de Carvalho e por ser um militar. Prometendo enfrentar o establishment brasileiro, a corrupção, e a promessa de medidas ”liberais” para a economia cujo discurso, que na época era bastante apoiado – Bolsonaro conseguiu se eleger em 2018.

No entanto, as coisas não saíram como muitos dos seus eleitores esperavam. Ao longo do mandato, Bolsonaro demonstrou que medidas liberais estavam longe de serem uma realidade. Para bancar medidas populistas ele aumentou impostos. Para poder barganhar e ganhar assim meios para suas articulações no congresso manteve o Fundão bilionário. Vem adotando medidas intervencionistas na economia com relação à Petrobras e o auxílio emergencial, para poder manter sua popularidade. Indicou Kassio Nunes ao STF (um combatente do establishment), além de dar poder a estados e municípios de fazer vacinação obrigatória contra covid-19.

A medida que Bolsonaro era mais conhecido antes das eleições pela população também crescia o MBL, que surfou na onda ”Bolsonaro2018”. MBL do qual seguiu o mesmo modelo de propagação ideológica que aconteceu com o Bolsonaro, com foco para os memes para conseguir atrair o público mais jovem de 16 à 35 anos (afinal moleque de 35 existe). Hoje os maiores símbolos do movimento Arthur do Val, Renan Santos, Kim Kataguiri, a trindade ”liberel” do MBL.

Em especial, um pequeno destaque a Arthur do Val, que cresceu no Youtube em meados de 2017, com seus vídeos confrontando manifestantes. Esses com maior destaque em seu canal, tanto é que é um modelo de vídeo já hegemônico no canal dele e outros vídeos dando sua opinião sobre acontecimentos.

Após conseguir bastante relevância, se associou ao MBL, conseguindo se eleger como deputado estadual de SP em 2018. Arthur do Val foi referência por muito tempo no meio liberal, levando muitos a se tornarem liberais, defendendo um mercado menos regulamentado, menos burocracia e menos impostos. Junto a tudo isso, um forte intuito de combate à corrupção, algo bem parecido com as propostas de Bolsonaro.

No entanto, não demorou para que ele mostrasse que não era diferente de nenhum outro político, defendendo censura de opositores e até mesmo medidas sanitaristas forçadas, como lockdown e vacinação obrigatória.

Após o escândalo do vazamento de seus áudios na Ucrânia – onde Arthur do Val faz declarações de cunho sexual em relação às ucranianas em uma situação de vulnerabilidade devido a guerra – o deputado começou a ver sua carreira política desmoronar. Não apenas saiu do PODEMOS – partido à qual estava afiliado – como teve sem mandato cassado e perda de sua popularidade frente ao público. O próprio não poderá disputar eleições tão cedo.


Demonstrando que não importa quem o político seja, sempre se corrompe, vejam esse vídeo:


Esses dois exemplos, em especial, por estes políticos serem considerados – ou até promovido ideais que trouxeram à tona o espírito de tornar o Estado um meio, um caminho benevolente, ou mais enxuto – apenas confirmam aquilo que já se pode extrair e se esperar, o pior.

Acima de tudo, o próprio estado é um mecanismo falho na missão de melhorar a situação de toda uma sociedade, principalmente pela sua incapacidade de saber o que é melhor para todos e os meios para atingir isso. Um outro agravante, é o fato de ser uma estrutura que permite aos indivíduos que nele ingressam tirar o melhor benefício possível e fazer de tudo para manter esse poder. Se necessário, usarão de todos os meios possíveis, indo do populismo à repressão de qualquer oposição.

Nas eleições deste ano, lembre-se: não importa quem seja o auto intitulado “salvador da pátria”, é apenas um oportunista querendo seu voto para ingressar na máquina para se beneficiar do sistema que você mesmo é obrigado a sustentar. Enquanto eles te iludem com migalhas os únicos beneficiados são eles!

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