Os Mitos da Superpopulação

A crença na superpopulação é antiga. Os líderes da Revolução Francesa estavam convencidos que a população era muito grande, e que a França precisava eliminar muitas pessoas.

O mito da superpopulação não se originou com eles. Trata-se de uma antiga crença estatista. Entretanto, antigo ou moderno, o mito tem algumas premissas básicas.

As Interpretações Possíveis

Primeiro, para os que o defendem existem sempre demasiadas pessoas do “tipo errado”; tais pessoas podem ser negras, brancas, asiáticas, capitalistas, marxistas, de classe baixa, classe média, classe alta, ou qualquer outro grupo.

Estes povos indesejáveis são eliminados por uma variedade de técnicas, desde campos de trabalho escravo e assassinatos em massa até impostos exorbitantes.

Durante a “revolução” estudantil dos anos 1960, falei em muitos campus universitários hostis sobre o mito da superpopulação.

Nos “debates”, enquanto tentava sair do auditório, muitas vezes os ânimos se exaltavam e alguns estudantes apontavam certos grupos “prolíficos” que precisavam ser eliminados: negros, brancos, os intocáveis da Índia, e assim por diante. Suas premissas, asseguravam eles, não era racismo, mas uma avaliação sociológica sólida!

Socialismo e fascismo, cedo ou tarde, por sua própria natureza reduzem a população. Isso não é menos verdadeiro para as formas democráticas desses males. O estado é utilizado para dar forma metódica à discriminação.

Os Alimentos Estão Acabando?

Em segundo lugar, aqueles que acreditam no mito têm uma visão diferente dos limites dos recursos naturais.

Lembro que em 1929, numa aula de ciências, ouvi a primeira de muitas demonstrações das “teorias científicas” da tese dos recursos finitos. Fomos informados no final de nossos estudos que a falta de combustível fecharia as usinas e nós ficaríamos no escuro.

Nossas reservas de petróleo conhecidas são muito maiores agora do que eram em 1929, e só penetramos na pele da Terra com nossas brocas e instrumentos.

A terra é um vasto depósito de recursos que mal usamos. Lembre-se, antes de Colombo, as Américas eram “superpovoadas”, e, no inverno, alguns povos regularmente recorriam ao canibalismo para sobreviver.

Por chamar a atenção para este fato, fui cancelado por uma universidade, e, em outra universidade onde estava falando, me disseram que nunca mais falaria lá. Um professor de pós-graduação me disse que, dado o histórico dos homens brancos cristãos, nenhum deles tinha o direito de dizer qualquer coisa negativa sobre outra raça.

É impressionante a quantidade de pessoas que estão decididas a ver este mundo no limite de seus recursos: minerais, petróleo, gás, ar, ozônio, todos destinados a serem destruídos pela “voracidade capitalista”.

O mito da superpopulação é uma forma de ataque ao livre mercado, embora nada seja mais destrutivo e cruel para as pessoas e os bens materiais do que o socialismo.

O Aumento da Produtividade Pode Salvar Vidas

Em terceiro lugar, os proponentes do mito têm uma visão estática da história.

Eles afirmam que a população aumentará descontroladamente, mas a oferta de alimentos permanecerá estagnada.

No entanto, como pode ser visto, a população dos Estados Unidos dobrou, o número de agricultores diminuiu, e a oferta de alimentos aumentou drasticamente. Muitas terras agrícolas se tornaram florestas, porque não são mais necessárias.

A Tecnologia Supera As Perspectivas Pessimistas

Enquanto isso, o desenvolvimento do “controle climático e dessalinização” promete, nos próximos anos, transformar áreas desérticas em produtivas fazendas, capazes de fornecer alimentos para populações de tamanhos ainda inimagináveis. Considere o fato de que a esmagadora porção da Austrália, um continente em si, tem um grande potencial produtivo.

Economistas sérios e especialistas em agricultura veem a Austrália um dia rivalizando ou superando os Estados Unidos como centro de produção de alimentos, recursos naturais e população.  Outros chamam a atenção para o potencial de recursos africanos, e assim por diante.

Uma visão estática da história leva a uma mentalidade apocalíptica. Nos dias do Império Romano, alguns acreditavam que a terra estava desgastada e o crescimento populacional era exagerado.

O Futuro Parece Promissor

Uma sociedade que não vislumbra o futuro, não tem futuro. Estamos vivendo os estágios iniciais do maior desenvolvimento da Terra e, portanto, na capacidade de atender às necessidades das pessoas.

O que é incrível é que muitas pessoas não querem enxergar as possibilidades e inevitabilidades abertas aos homens livres.

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Artigo escrito por R.J. Rushdoony, publicado em Mises Institute, traduzido por Isaias Lobão, adaptado por Billy Jow.

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