segunda-feira, outubro 3, 2022

PCO acusa Jones Manoel e Boulos de serem financiado por “imperialistas”

Em um artigo recente no site Diário da Causa Operária (DCO), o PCO (Partido da Causa Operária) fez duras críticas ao youtuber, historiador e ativista político, Jones Manoel, e o acusou de ser financiado por empresas “imperialistas” (que fariam parte do plano dos EUA de dominar o mundo).

Esta não é a primeira vez que o PCO faz críticas à outras alas da esquerda. É de praxe o site sempre atacar a esquerda progressista principalmente por suas pautas identitárias e censura contra o discurso politicamente incorreto. O PCO sempre apontou isso como uma postura de uma esquerda “pequeno-burguesa” que só aumenta um estado que poderá ser usado com quem não estiver de acordo com a agenda, e isso inclui o próprio PCO.

Jones Manoel à serviço do imperialismo?

O youtuber havia feito um vídeo em resposta a uma série de artigos do DCO onde são expostos os partidos de esquerda que são financiados por empresas que o PCO afirmou serem antipetistas e que ajudaram a derrubar o PT no país. Em resposta, Jones Manoel disse em seu vídeo que:

Hoje, no Brasil, é muito difícil achar algum Movimento social que não tenha financiamento da Fundação Ford, Rockefeller, de uma ong americana

E continuou:

Não é porque a pessoa é de um movimento social que captou recursos num fundo que tem dinheiro da Ford ou Bill Gates que ele serve ao imperialiSmo

No entanto, para o PCO, ser financiado por ONGs e empresas americanas com interesses políticos equivale a ser agente dos EUA.

Em um trecho do artigo do DCO é dito que:

Quando afirma que uma pessoa não é agente dos EUA só porque é financiado por eles, Jones Manoel mostra sua desonestidade intelectual e política.

De fato, um agente da CIA é um funcionário, recrutado, treinado e com um pagamento regular. Recebe um salário ou alguma coisa próxima disso para agir como um espião, agente provocador ou algo assim.

O que está em questão quando se diz que determinada organização ou personalidade da esquerda age a serviço do imperialismo é que procura-se mostrar, em primeiro lugar, que sua política de uma forma ou de outra obedece ou está em acordo com os interesses imperialistas.

E mais:

A CIA, assim como qualquer serviço estatal de inteligência de uma potência imperialista, não tem apenas empregados regulares e oficiais. Tem inúmeros agentes que prestam serviços irregulares, pontuais. Tem, também, outros que são utilizados como fantoches sem mesmo o saberem. Isso foi demonstrado, por exemplo, pela pesquisadora Francis Stonor Saunders em seu livro “Quem pagou a conta?”, que menciona uma série de artistas e intelectuais que receberam financiamento da CIA ─ via fundações, como a própria Fundação Ford ─ para realizarem apenas e tão somente o trabalho que já vinham realizando. E por quê? Porque o governo dos EUA acreditava que esse trabalho era importante para combater ideológica e culturalmente as posições revolucionárias e anti-imperialistas, e assim era de interesse do imperialismo promover as posições moderadas pois estas não representavam perigo algum ao imperialismo e deveriam ser predominantes na esquerda para domesticá-la.

Guilherme Boulos também é apontado como terceirizado do “imperialismo”

Outro ativista político de esquerda apontado pelo PCO como financiado por empresas “imperialistas” é o professor de filosofia e membro do MTST Guilherme Boulos. O mesmo concorreu ao cargo de prefeito de São Paulo em 2020 e à presidência em 2018.

O PCO fez um levantamento de dados da empresa que financiou a campanha de Boulos, IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa), empresa que pertencente à Walfrido Warde, que possui ligações com o ex ministro de Michel Temer, Sérgio Etchegoyen e o ex-chefe da polícia federal, Leandro Daiello. Todos estes são apontados como apoiadores do “golpe” (impeachment) da ex-presidente Dilma Rousseff.

O artigo ainda diz que que essa mesma fundação promoveu vários protestos com a intenção de causar instabilidade no governo petista para que assim um governo que permitisse a venda do Pré-Sal para os EUA viesse ao poder.

O teto de vidro do PCO

Mesmo acusando seus camaradas políticos de servirem aos interesses do “imperialismo americano” e mostrá-los como meras ferramentas de poder destes, o PCO também não tem muito do que se orgulhar. O partido defende vigorosamente o PT enquanto nega todas as evidências de corrupção e trocas de favores para que seus líderes se mantivessem no poder.

É óbvio que a Operação Lava Jato foi um jogo político para tirar o PT do caminho. E com isso não se está dizendo que as acusações contra o PT não procedem, mas apenas que se fosse do interesse dos responsáveis pela operação manter o PT no poder ela não teria começado, mesmo com todas as provas. Isso é como a política funciona, principalmente no Brasil.

Mas é compreensível que o PCO defenda o PT com unhas e dentes, afinal, o mesmo é um partido com pouca representatividade política, sendo assim enxerga no PT uma esperança que as ideias de extrema-esquerda predominem em um futuro próximo.

No entanto, foi importante esse apontamento do PCO contra demais partidos de esquerda, o que já serve para os mais incautos entenderem como funciona o jogo político.

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