Proibição de anabolizantes: mais um ataque à liberdade em nome do cientificismo

CFM proibe venda e prescrição de anabolizantes

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Desde a imposição das políticas sanitaristas durante a pandemia, ficou claro que a tendência de políticas públicas com viés cientificista seria cada vez maior. E a medida da vez é a proibição de anabolizantes para fins estéticos.

A justificativa dos defensores desta medida é que não há comprovação científica de que o uso de anabolizantes garanta a segurança e saúde de quem os usa. Só existe um pequeno detalhe nisso tudo: a preferência por parte dos usuários de assumir os riscos parece ter sido totalmente ignorada.

Justificativa para a proibição

A proibição passou a valer a partir desta segunda-feira. A decisão foi tomada pelo Conselho Federal de Medicina para atender à pressão (já de longa data) de médicos contrários ao uso de anabolizantes para fins estéticos. A justificativa? Segundo eles, não há nenhuma comprovação científica de que seja possível fazer uso destas substâncias sem haver riscos para a saúde dos usuários.

Além disso, o CFM proibiu até mesmo cursos, eventos e qualquer tipo de publicidade que estimule o uso de anabolizantes. Ou seja: nem mesmo a defesa do uso do produto será mais permitida.

No entanto, mesmo os médicos se dividem entre si quanto à decisão. Muitos deles entendem que a maior parte do mercado de anabolizantes é “informal” e que ao proibirem médicos de receitarem anabolizantes estarão deixando os usuários privados do acompanhamento e orientação de um profissional da saúde.

E eles realmente estão certos. Ao invés de seguirem o caminho mais razoável e justo, e permitirem aos usuários usarem os anabolizantes, o CFM os priva da possibilidade de reduzirem os riscos do uso do produto com um acompanhamento médico. Uma medida que visava o bem estar dos usuários se mostra um verdadeiro tiro pela culatra.

A proibição de anabolizantes é mais uma amostra do cientificismo insano

Como falado no início deste artigo, desde a pandemia e da aplicação das políticas sanitarista para tentar contê-la, o cientificismo vem se intrometendo cada vez mais na liberdade dos indivíduos por meio do estado.

É verdade que o cientificismo é primeiramente uma abordagem epistemológica equivocada que visa reduzir todo conhecimento ao conhecimento científico (mais precisamente o das ciências naturais). No entanto, o cientificismo vai muito além disso, sendo também uma postura sobre a conduta humana, fazendo uso da ciência para tentar justificar políticas públicas e determinar o que as pessoas devem ou não fazer com suas vidas.

E neste caso dos anabolizantes, os médicos acreditam que esta decisão é o “melhor” para os indivíduos. Eles simplesmente assumem que anabolizantes podem conter riscos para saúde, logo é necessário que os indivíduos sejam protegidos de tais riscos.

Há dois erros fundamentais nisso: primeiro, não há uma comprovação de que não seja possível fazer uso razoável de anabolizantes (mesmo que para fins estéticos) sem trazer riscos a quem os usa.

A prova disto é que a maioria das pessoas que usam anabolizantes para fins estéticos nunca enfrentou nenhum problema causado por eles. Todos que estão familiarizados com o universo do fisiculturismo sabe disso. Muitos médicos hoje sob influência do cientificismo levam em conta os casos específicos de pessoas que usam tal produto de maneira abusiva e daí deduzem que há um risco potencial para todos que usarem deste mesmo produto.

O segundo erro é o de acharem que a manutenção da saúde dos indivíduos deve ser mantida a todo custo. E isso inclui passar por cima da sua vontade. É basicamente a ideia soberba de que eles sabem o que é melhor para o indivíduos, não apenas em relação à sua saúde, mas sobre como devem viver suas vidas.

A possibilidade dos indivíduos decidirem como viver suas vidas, como bem entenderem e assumir riscos por escolha própria, está fora de questão para os médicos tecnocratas.

Leia também: Sobre o discurso do ministro Sílvio Almeida sobre a descriminalização das drogas

Liberdade acima de tudo

Por mais que muitos médicos tecnocratas que defendem a proibição de anabolizantes estejam cheios das melhores intenções, nada justifica tal interferência na livre escolha dos usuários. Ninguém ganha direito de poder de decisão sobre a vida e escolhas de uma pessoas por exercer uma determinada profissão. Por mais importante que ela seja.

A profissão médica tem sua suma importância para aqueles que se preocupam com a saúde, mas os médicos precisam entender que cada indivíduo possui soberania sobre si mesmo e que possui o direito de tomar qualquer decisão que quiser. E isso implica arcar com as consequências de suas próprias escolhas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

William Ling
Ética

Família Ling quer reconstruir pontes e estradas no Rio Grande do Sul

A família Ling — cujo patriarca começou a vida do zero e fez fortuna no Rio Grande do Sul — se comprometeu a doar R$ 50 milhões para obras emergenciais de infraestrutura. A iniciativa visa ajudar as comunidades a reconstruírem pontes e estradas destruídas pelas inundações. “Quando meu pai chegou no Rio Grande do Sul […]

Leia Mais
Michele Prado e Daniela Lima
Ética

Pesquisadora desmente afirmações de Daniela Lima da Globo e do ministro Paulo Pimenta sobre pesquisa da USP

A pesquisadora Michele Prado, que até então fazia parte de um grupo de pesquisa da USP, desmentiu afirmações da jornalista Daniela Lima, da Globo, e do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil, Paulo Pimenta, de que a pesquisa do grupo citava aumento de fake news durante a tragédia no Rio Grande do Sul. […]

Leia Mais
Enchentes Rio Grande do Sul
Ética

Arquitetos de Pomerode se unem à campanha “ReconstruSUL”, para ajudar na reconstrução de casas no RS

Uma iniciativa por parte de arquitetos na cidade de Pomerode (SC) está se mobilizando para iniciar a reconstrução das milhares de habitações destruídas pelas águas no Rio Grande do Sul. Chamada de “ReconstruSUL”, a campanha tem por objetivo arrecadar materiais de construção e móveis para serem doados aos gaúchos. A iniciativa surgiu no estado de […]

Leia Mais