segunda-feira, outubro 3, 2022

Reportagem sobre o Holodomor no Fantástico causa revolta em comunistas

No último domingo, o programa Fantástico da Rede Globo exibiu uma reportagem sobre o caso do Holodomor, que foi uma tragédia resultante de uma grande fome que matou centenas de milhares de ucranianos. A tragédia ocorreu quando a Ucrânia fazia parte da extinta União Soviética (URSS).

No entanto, após a reportagem, várias pessoas simpáticas ao socialismo, inclusive à extinta URSS, alegaram que o Fantástico estaria levando desinformação para as pessoas. A reação negativa foi demonstrada nas redes sociais, principalmente no Twitter, onde muitos quando não negavam totalmente, tentavam retirar toda a responsabilidade do líder soviético da época, Josef Stalin.

Abaixo, seguem alguns prints de tweets de simpáticos ao comunismo sobre o caso:

nesse tweet, o usuário simplesmente nega o fato histórico acusando a reportagem do Fantástico de “desinformação”.
Já está usuária além de negar apresenta uma fonte que contesta o fato histórico do Holodomor

A jovem no seu tweet usa uma fonte acima para “refutar” o fato histórico do Holodomor, no entanto, não há uma única prova que desminta o episódio, apenas alegações usando negacionistas já desmentidos como referência.

A fonte afirma que não há um único registro fotográfico de pessoas morrendo de fome durante o Holodomor. No entanto, uma pesquisa rápida na internet mostrará imagens registradas por pessoas que testemunharam a tragédia na época, como algumas que se seguem abaixo:

O que foi o Holodomor

Holodomor vem do ucraniano e significa “Matar Pela Fome”. Foi uma grande tragédia que consistiu na morte por inanição de centenas de milhares ou até de milhões segundo alguns, de ucranianos devido ao confisco de grãos para sustentar as reservas de alimentos do governo soviético.

Frente à escassez de alimentos, a mando de Stalin, o governo soviético confiscou grãos de várias das repúblicas soviéticas e impôs a coletivização forçada. Vários dos países membros da URSS além da Rússia foram duramente atingidos, no entanto, os ucranianos acabaram sendo as principais vítimas.

Além de uma maior oposição ao regime soviético, na Ucrânia havia um grande contingente de pequenos proprietários rurais, os kulaks, que resistiam à coletivização forçada, a qual o regime soviético usou como bodes expiatórios os acusando de “não colaborar” e com isso agravar a fome.

Negação do Holodomor

De acordo com o historiador Robert Conquest, a União Soviética encobriu o caso por décadas e manteve fora do conhecimento dos países ocidentais, bem como outras ondas de fome também causadas pelo governo. Segundo ele, a coletivização forçada atingiu várias das repúblicas soviéticas pertencentes à URSS, porém, no caso da Ucrânia houve um impacto maior, uma vez que havia uma maior resistência ao domínio soviético.

Segundo Conquest, a União Soviética já vinha enfrentando uma grande fome devido à vários fatores, como os custos da Segunda Guerra Mundial, secas e também péssimas abordagens sobre a produção agrícola oriunda de doutrinas pseudocientíficas defendidas pelo partido da época, o PCUS.

Até hoje, vários mitos difamatórios contra os kulaks que eram usados pela propaganda soviética são tidos como verdades por muitos comunistas, e muitas vezes usados para tentar desmentir a tragédia e o fato de ser causada diretamente pelo regime stalinista.

Um destes mitos é o de que os kulaks incendiaram boa parte de suas colheitas para não entregá-las aos poder soviético, no entanto, não há uma única prova de tal ocorrido, permanecendo como um mito usado por Stalin e o PCUS para jogar a culpa nos kulaks pela grande fome.

Alguns tentam minimizar a situação, afirmando que o número não foi tão grande quanto historiadores afirmam, chegando a alegar que a queda brusca nós números se deve além de mortes por doenças sem tratamento na época, a uma queda na natalidade da população.

No entanto, de acordo com o historiador Henadii Boriaki que teve acesso a várias fontes oficiais que haviam sido ocultadas pelo regime, o GPU ou OGPU (Obiedinionnoye gosudarstvennoye politicheskoye upravlenie – Diretório Político Unificado do Estado) havia manipulado dados, omitindo registros de nascimento e morte bem como alterando as causas das mortes. Tal fato é confirmado por Robert Conquest.

A discussão sobre o termo

Quando muitos simpáticos à URSS não negam o fato do Holodomor, questionam ao menos a etimologia da palavra, que significa na língua ucraniana “Deixado Para Morrer de Fome“. A crítica de muitos, é que não haveria provas de que houve intenção por parte de Stalin e do PCUS de matar os ucranianos apenas por serem ucranianos, e logo, não haveria uma intenção de genocídio, como foi o caso do Holocausto dos judeus pelo nazismo ou do Genocídio Armênio pelo Império Otomano.

No entanto, sabendo-se que havia uma forte resistência ucraniana contra a URSS, não é totalmente descartável a possibilidade de Stalin ao menos enfraquece-los intencionalmente para rechaçar sua oposição. Fato inegável é que havia de fato uma oposição e perseguição violenta do regime soviético contra os kulaks. Independente se havia intenção ou não em matar os ucranianos pela fome, fato é que as políticas econômicas totalitárias causaram a morte de centenas de milhares de pessoas, com as estimativas mais conservadoras ultrapassando os 300 mil mortos. Isso torna o Holodomor uma tragédia tão terrível quanto o Holocausto e o Genocídio Armênio.

As marcas de Holodomor nos ucranianos

Até hoje o terrível episódio do Holodomor deixa marcas que foram passadas pelos sobreviventes e que são testemunhas vivas de um dos maiores crimes da humanidade que a ideologia marxista-leninista, principalmente sua ala stalinista, tenta negar. Muitos imigrantes ucranianos que sobreviveram e vieram para o Brasil trouxerem as memórias deste que é mais um capítulo negro na história da URSS.

Em memória ao ocorrido, até hoje existe o Museu do Holodomor, onde tem registros de toda a tragédia, disponíveis para todos os negadores deste fato histórico.

O negacionismo conveniente

A alá comunista da esquerda – principalmente a vertente stalinista – sempre se apresentou como detentora da verdade e de todo conhecimento histórico, apontando para qualquer oposição ao comunismo como “reacionarismo” e “fascismo”, criando inimigos que justificassem sua existência como símbolo de combate a opressão.

Aparelhando ideologicamente escolas e universidades e as usando como campos de doutrinação, onde disciplinas que deveriam ser usadas para ampliar os conhecimentos dos alunos são usadas como pretexto para trazer o discurso comunista à tona.

Foram décadas de doutrinação ideológica e negação dos fatos em nome de uma ideologia, fazendo uso de uma narrativa de um regime já morto, mas vivo nas tristes memórias de suas vítimas e seus descendentes, buscando com isso trazer sua utopia destrutiva para a realidade, pois para os alienados pouco importa a verdade, a justiça e o bem. O amor a idealização de um mundo perfeito fala mais alto. Para estes pouco importam suas consequências nefastas.

Por sorte, hoje contamos com maior acesso à informação que amplia nossa liberdade e nos da a chance de não cairmos na lábia de ideologias anti-humanas que só fluem na mente dos incautos.

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