Rússia reforça medidas coletivistas

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É normal, não correto, que um país em guerra seja varrido por novas ondas coletivistas. Esse é o esperado. Como os estados progressivamente se entranham nos meandros da vida social, como ele espalha seus ramos e aprofunda sua presença no cotidiano, os conflitos por ele criados passam a abarcar o povo comum. Nascidos em uma divisão política artificial de território, os indivíduos se veem como parte de uma identidade criada, não orgânica. Devem lutar não por suas famílias, mas pela nação. Nas entrelinhas: pela continuidade do estado frente a seus inimigos externos; outros estados. Ao mesmo tempo, se aproveita da crise por ele mesmo criada para avançar com agendas e implementar um novo normal.

A partir de 1 de setembro do próximo ano, todas as escolas secundárias do país iniciarão aulas obrigatórias dos chamados “Fundamentos de Segurança e Proteção da Pátria”.

O Ministro Kravtsov disse ser de fundamental importância que a educação patriótica seja desenvolvida. As escolas russas já estão recebendo livros didáticos revisados. As crianças em idade escolar também deverão receber treinamento militar prático como parte do currículo.

O programa de estudos deve refletir conhecimentos sobre a preparação militar básica, como estatutos militares gerais, formações de combate, armamento, engenharia, treinamento médico, requisitos de segurança ao usar armas e operação de drones.

“A principal tarefa é criar um patriota. Estamos reescrevendo todos os nossos livros didáticos em todas as disciplinas”, disse a deputada Nina Ostanina, presidente do Comitê sobre Família, Mulheres e Crianças. O vice-presidente do Comitê, Oleg Smolin, acrescentou que “o patriotismo não deve ser apenas o tema de aulas individuais, mas sim o tema de todo o sistema educativo”.

Em outro desdobramento, uma proposta de lei pretende obrigar os estrangeiros a assinar um “acordo de fidelidade” ao entrar no país. Sob ela, os estrangeiros serão proibidos de desacreditar a política estatal do governo, contestar a interpretação histórica e divulgar informações destinadas a menosprezar ou induzir a negação de valores morais e outros valores constitucionalmente significativos, como as ideias sobre o casamento como uma união de um homem e uma mulher.

A pena por violação do “acordo de fidelidade” não foi especificada. Também ainda não está claro se o acordo deve ser assinado na chegada ou ao solicitar um visto russo.

Gabriel Camargo

Autor e tradutor austrolibertário. Escreve para a Gazeta com foco em notícias internacionais.

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