sábado, dezembro 3, 2022

Um Perigo Real: A Perda da Liberdade

“A liberdade custou muito sangue e sofrimento para ser renunciada por uma retórica tão barata.” – Thomas Sowell

INTRODUÇÃO

O economista e filósofo político Thomas Sowell (1930-), autor e membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford, já presenteou os Estados Unidos e o mundo com suas várias obras de economia e, claro, com suas célebres frases que ficaram conhecidas na internet. Thomas Sowell é reconhecidamente um dos maiores defensores da liberdade, portanto, não é preciso dizer que a frase escolhida para dar início a este texto não foi escolhida por acaso, até porque, está mais atual do que nunca.

O momento vivido pelo mundo nesses últimos anos fez-se necessário o discurso e a luta pela liberdade, pois a “solução” encontrada pelos donos do poder para combater a pandemia que pegou o mundo de surpresa, foi uma clara demonstração de força, onde conseguiram acabar com a liberdade individual e econômica dos mais diversos países do mundo, incluindo o Brasil. A tirania tomou conta através do medo e as pessoas foram tratadas como meros animais que precisavam ser cuidados por mentes iluminadas.

O sistema de governo vigente é a democracia, portanto, o risco de o Estado crescer é sempre grande, o risco da perda da liberdade é sempre grande, o risco de o dinheiro desvalorizar a tal ponto do país tornar-se uma miséria é sempre grande, pois “A tendência natural do estado é a inflação”, Murray Rothbard (1926-1995). E se ”A liberdade nunca está mais do que uma geração de distância da extinção”, como bem disse Ronald Reagan (1911-2004), então é obrigação dos indivíduos estarem sempre atentos e preparados para lutar por sua liberdade.

A PANDEMIA NO BRASIL

O primeiro caso de uma infecção causada pelo novo coronavírus foi identificado em Wuhan (China), no dia 31 de dezembro de 2019. Desde então, os casos começaram a se espalhar rapidamente pelo mundo, primeiro pelo continente asiático, e depois por outros países.

No início da pandemia no Brasil – convenientemente depois do carnaval – falava-se em “achatamento de curva” por meio de isolamento social, mas não demorou muito para que o tal isolamento logo se estendesse como forma de “proteger” os cidadãos do “poderoso e destruidor” Covid-19.

Passado pouco tempo, foi decretado a obrigatoriedade do uso de máscaras com objetivo de combater o vírus (ou seja, para o “bem de todos”). Além disso, cuidados como lavar as mãos e usar álcool em gel passaram a fazer parte do cotidiano.

Poucos meses depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu quem seriam os responsáveis por proteger os coitados cidadãos que se encontravam necessitados da ajuda do Estado: os governadores e prefeitos.

Sim, o STF delegou poder aos governadores e prefeitos e, a partir de então, eles passaram a decretar lockdowns, bandeiras de diversas cores foram decretadas por diversos estados e cidades do Brasil e foi oficialmente instaurada uma ditadura.

A fome de poder tomou conta das cabeças vazias dos burocratas. A liberdade já não era mais um direito e os tais dos “direitos humanos” continuaram sendo desrespeitados por um bom tempo.

O SURGIMENTO DA TIRANIA

Foi F.A. Hayek (1899-1992) quem disse que “A liberdade não se perde de uma vez, mas em fatias, como se corta um salame.” – e foi exatamente o que aconteceu. Muitos não acreditaram que uma tirania poderia tomar conta do Brasil e do mundo, entretanto, é inquestionável que governos do mundo inteiro usaram a pandemia como forma de controle social.

E por incrível que pareça, até hoje existem pessoas que acham normal o que aconteceu e que, inclusive, as tais “medidas de combate ao covid-19” (assim chamada pelos burocratas) deveriam ter sido mais rigorosas. Por esta razão faz-se necessário a explicação do professor e economista Donald Boudreaux (1958-), de como surge a tirania:

“Todo e qualquer tirano verdadeiro sempre aponta para algum problema – talvez real ou talvez inventado, mas infalivelmente exagerado – cuja persistência infligirá ao seu amado povo um dano sem precedentes. Com sua cuidadosamente ensaiada pose de visionário corajoso e caridoso, ele convence o povo a obedecê-lo, demonstrando jamais ter receio de usar todos os poderes de que precisa para salvar seu povo dos terríveis perigos à espreita. E ele insiste que seu exercício de poder deve ser amplo e ousado, livre de sutilezas legais ou éticas que apenas o impediriam de salvar seu rebanho. Tremendo de medo desses terríveis perigos descritos por seu senhor, e esperançoso pela salvação prometida, o povo se submete. Como ovelhas.”

Boudreaux explica que o autoritarismo surge com aceitação de um grande número de pessoas, pois sempre há uma justificativa aparentemente plausível. O tirano sempre terá uma desculpa, por mais esfarrapada que seja. O problema é que, infelizmente, muitos inocentes caem nessas desculpas quando elas não parecem ser tão esfarrapadas assim.

Por exemplo, no caso da pandemia, a desculpa era de proteger os cidadãos, eliminar um risco iminente, etc. E essas pessoas – os que apoiam medidas autoritárias – também tornam-se vítimas, entretanto, não sentem – ou ignoram – que estão vivendo sob um regime ditatorial.

Muitas vezes, esses indivíduos defendem com entusiasmo os mais diversos crimes que os ditadores cometem. Isso tudo, é claro, para um bem maior. Ou, como dizem atualmente, “em nome da ciência, da saúde e do bem-estar”.

Boudreaux acrescenta: “A tirania, acredita-se, não acontece conosco, pois não se se trata de uma tirania se o objetivo declarado é a nossa salvação; não é tirania aquilo que promete nos proteger de perigos que temos certeza de que são reais, grandes e iminentes.”

E foi assim que a tirania seguiu em crescimento durante a pandemia. Foi com grande ajuda da imprensa que espalhou medo, pois através do medo é mais fácil porque as pessoas ficam mais vulneráveis. Foi por causa do medo que o autoritarismo cresceu, e cresceu tanto ao ponto de uma notícia como Feijoada clandestina com mais de 200 pessoas é encerrada em Manaus,ser vista como algo normal. Tempos atrás, era inimaginável as palavras “feijoada” e “clandestina” escritas juntas.  

Prefeitos que há pouco tempo eram considerados de pouca relevância, tornaram-se verdadeiros ditadores. Decretaram seus lockdowns, decidiram quais empresas fechariam, quais se manteriam abertas, etc.

A prefeita de Nova Granada (SP), por exemplo, achou inteligente que pacientes com suspeita de coronavírus devessem usar pulseira amarela; já os moradores com casos confirmados deveriam ficar com a cor vermelha e, se o(a) paciente fosse flagrado(a) na rua, poderia ser multado a partir de R$ 300. “Nada demais”, diziam alguns.

No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite decidiu o horário que comércios poderiam funcionar, quais comércios poderiam funcionar e quais itens poderiam ser vendidos nos comércios abertos (chinelos, por exemplo, foram plastificados e impedidos de serem comprados).

Já no Tocantins, o governo decidiu que o ideal seria rastrear celulares com intuito de identificar aglomerações. E o autoritarismo seguiu com toques de recolher, polícias invadindo propriedades privadas, dentre outros absurdos cometidos por vários governadores e prefeitos do Brasil e mundo afora.

CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS

A liberdade é um dos bens mais preciosos do ser humano. E se moralmente falando é horrível uma pessoa perder sua liberdade, economicamente a situação é terrivelmente triste. Situação essa causada justamente pela falta de liberdade.

Para onde se olhava, o que se enxergava eram comércios fechados, placas de “vende-se”, anúncios de “aluga-se”, empresas falindo, e outras funcionando de forma clandestina. Barbeiros e donas de salões de beleza atendendo a portas fechadas e com horário marcado, com medo de serem descobertos. O cenário era horripilante.

O fechamento das atividades econômicas e o fim da liberdade dos cidadãos foi desesperador, o IBGE chegou a divulgar que o desemprego durante a pandemia foi maior que o estimado e o número de desempregados ultrapassou 15 milhões no início de 2020.

Porém, é claro que impostos continuaram aumentando. Por exemplo: após o governo federal ter decretado isenção de diversos impostos federais, 18 Estados e DF aumentaram ICMS sobre o diesel; também isento de impostos federais, o botijão de gás teve elevação de tributos estaduais em 12 Estados e no DF – e esses são apenas dois exemplos.

Enquanto alguns ingênuos imploravam por mais intervenção estatal, as notícias eram cada vez piores:

e daí por diante.

IDEOLOGIA POLÍTICA

Toda ideologia política tem três elementos: uma visão do inferno com um inimigo que tem de ser esmagado; uma visão de um mundo mais perfeito; e um plano de transição de um para o outro. Logo, lockdown tornou-se uma nova ideologia que passou a ser seguida a partir de 2020. E essa ideologia foi veementemente difundida e fortemente defendida.

A ideologia perversa é extremamente perigosa porque é defendida por ministros do STF, políticos em geral, mídia, pessoas comuns, etc. Isso é assustador. Se há algum motivo para comemorar, é de que o desemprego começou a cair, os comércios já não estão mais fechados, as pessoas deram uma trégua e pararam de pedir por mais medidas restritivas, políticos e ministros do STF pararam de decretar que empresários fechassem suas empresas, etc.

No entanto, é preciso dizer que infelizmente o Brasil tornou-se um continente durante a pandemia: Estados tornaram-se países. Governadores tornaram-se ditadores. E o povo tornou-se gado que aceitou tudo quietinho e ainda agradeceu pelo pasto – obviamente esse não é um discurso antisseparatismo ou antifederalismo, mas sim a constatação de um fato: políticos demonstraram seu lado mais ditador durante a pandemia.

NOVO PERIGO IMINENTE

Por fim, o assunto do momento são as eleições. Temos um cenário onde um dos candidatos têm essas notícias em seu currículo:

Enfim, existem diversas outras notícias que mostram o interesse de Lula por ditaduras, o apoio dele à ditadores e o carinho que ditadores têm por ele. Além disso, enquanto esteve no governo, Lula financiou obras na Venezuela, Cuba, Bolívia, Camboja, dentre outros países.

Lula também expandiu a oferta monetária, o crédito e baixou juros. Criou estatais, regulamentações e algumas burocracias. Lula expandiu bolsas e, por fim, quem colheu isso tudo foi sua sucessora, Dilma Rousseff – que obviamente piorou ainda mais a situação com a Nova Matriz Econômica.

O perigo iminente agora é que, esse homem que disse não estar mais radical por querer regulamentar a mídia e os meios de comunicação, mas sim, estar mais “maduro” – fazendo clara alusão ao seu amigo Nicolas Maduro – pode chegar ao poder.

Lula está claramente com sangue nos olhos, em cada discurso ele demonstra mais raiva e está fazendo de tudo para chegar ao poder. Seu histórico discurso em defesa do aborto mudou agora no 2º turno das eleições; a pedido da campanha de Lula, o TSE já retirou três conteúdos jornalísticos do ar e teve pedido de censura de TRINTA E QUATRO perfis de jornalistas e influenciadores digitais de publicarem no Twitter, imagina quando chegar ao poder.

A Gazeta Libertária pode ser a próxima, o que impede? Foi John Stuart Mill quem disse: “Nunca podemos ter certeza de que a opinião que tentamos sufocar é falsa; e se tivéssemos, sufocá-la continuaria sendo um mal.”, portanto, é dever de todo libertário, liberal e conservador lutar também por seu direito inviolável à liberdade de expressão.

Importante ressaltar que, se Lula ganhar essas eleições, nove dos onze ministros do STF terão sido indicados pelo PT. Já diria Rui Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.”.

Venezuela, Cuba, Camboja, Coreia do Norte, Nicarágua estão aí para mostrar quão genocidas, cruéis e rigorosas as ditaduras de esquerda podem ser. Argentina, Chile, Bolívia, Cuba, Venezuela estão aí para mostrar o quão miserável as políticas econômicas da esquerda podem deixar um país.

Se “ontem” o Brasil e o mundo viveram uma ditadura sanitária, hoje, o risco é de que volte ao poder um ditador com sede de vingança e sangue nos olhos. Se “ontem” a economia passou por uma grave queda que, aparentemente, começa a se recuperar, o risco agora é de que um defensor nato das políticas econômicas mais desastrosas volte ao poder.

CONCLUSÃO

Lute por sua liberdade individual. Lute por liberdade econômica. Lute por sua liberdade de expressão. Como bem afirmou Evelyn Beatrice Hall: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.

Quando sentiu necessidade, Murray Rothbard apoiou George Bush (1924-2018) nas eleições de 1992; os grandes nomes do Liberalismo, Friedrich Hayek e Milton Friedman (1912-2006), apoiaram Margaret Thatcher (1925-2013) e Ronald Reagan (1911-2004); tudo fazia parte de uma luta pela liberdade. Hoje, porém, o que vivemos no Brasil é mais perigoso. O atual perigo é real e cresceu muito com resultado do primeiro turno das eleições. Defenda sua liberdade, pois já diria o saudoso Nelson Rodrigues (1912-1980):

A liberdade é mais importante do que o pão”.

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