segunda-feira, outubro 3, 2022

A guerra está gerando perseguição ao povo russo

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, países do ocidente iniciaram uma série de medidas na tentativa de atingir o governo Russo para pressiná-lo a para a guerra. Estas medidas, no entanto, atingem principalmente os indivíduos que moram na Rússia e os russos que moram em outros países.

É importante lembrar que sanções não são medidas libertárias, pelo contrário, são medidas altamente restritivas às liberdades individuais, afetando principalmente o povo e não o governo.

Já há muitos anos países como Irã, Coreia do Norte e Cuba sofrem com sanções impostas pelo governo americano, mas no caso Russo, os boicotes governamentais e institucionais (levando em consideração as associações esportivas), assim como corporações, grandes bancos e até universidades tem atingido não somente quem mora na Rússia mas também nascidos na Rússia que moram no exterior.

Isto é algo muito além de uma campanha contra o governo russo. É uma perseguição aberta e preconceituosa contra indivíduos que não tem nenhuma culpa nesta guerra.

Na Inglaterra, no condado de Kent, a conselheira sênior do condado diz que está ciente dos incidentes em que os russos que vivem no condado estavam sofrendo bullying pela invasão da Ucrânia.

Susan Carey, membro do gabinete do meio ambiente, contou aos colegas em uma reunião sobre os incidentes que foram trazidos à sua atenção.

Ela disse: “Isso não deveria precisar ser dito, mas temo que sim… Precisamos distinguir as ações do Estado russo de indivíduos russos. Há pessoas que vivem em Kent que sofreram bullying de pessoas que discordam – como todos nós – da invasão da Ucrânia.”

Reino Unido deveriam ter seus vistos revogados: “Minha opinião é que devemos enviar à Rússia uma mensagem muito clara e rescindir todos os vistos para cidadãos russos atualmente existentes no Reino Unido e enviar todos em casa.” As informações são do jornal kentonline.co.uk.

Em Portugal, relatos de ameaças de morte e bullying vem sendo denunciado por imigrantes russos, “não tivemos voto nesta matéria da guerra. Não queremos a guerra mas também não queremos ser discriminados desta maneira” — falou uma russa que mora em Portugal.

A associação russa “Pushkin” criou um grupo no whatsapp que tem recebido queixas de cidadãos russos um pouco por todo o país, e que aumentaram exponencialmente nos últimos dias. A presidente da associação diz: “Temos recebido denúncias de ameaças. De um dia para o outro começámos a ser alvo de todo o tipo de discriminação”, acusa. “Temos de nos unir e aguentar.”

Imagens de um menu de um restaurante onde se pode ler “russos fora de serviço” são compartilhadas na internet.

Para outra imigrante, a russa Anna Pogrebtsova, esta onda anti-russa é muito injusta para toda a comunidade. “Temos contribuído para o desenvolvimento da economia portuguesa. Durante os piores incêndios em Portugal, o país pôde contar com a ajuda de equipas russas no combate aos fogos.”

Para ela que vive em Portugal há quase duas décadas e diz nunca ter sentido este tipo de perseguição. “Nós não tivemos voto nesta matéria da guerra. Não queremos a guerra mas também não queremos ser discriminados desta maneira. E porquê? Isto é uma vergonha para a sociedade portuguesa.” Os relatos podem ser conferidos no jornal português Expresso.

Já na Alemanha a clínica privada bávara, em Munique, anunciou que não trataria mais pacientes russos e bielorrussos”, numa carta datada de 4 de março. A notícia se espalhou pela internet. O documento não poderia ser mais direto e sem margem para dúvidas: “Condenamos veementemente a invasão do Exército russo à Ucrânia, com a ajuda do Governo bielorrusso. (…) Por isso, de agora em diante e até novo aviso, não trataremos cidadãos russos e bielorrussos.”

Tudo isso em “solidariedade” para com as vítimas da guerra na Ucrânia, em aparente retaliação contra a agressora Rússia e a cúmplice Bielorrússia. A declaração de apoio às vítimas ucranianas gerou controvérsia nas redes sociais, e tendo sido classificada como racista e xenófoba. Com a repercussão a clínica voltou atrás na decisão e afirmou que continuará a “tratar pacientes russos e bielorrussos sem reservas”. As informações foram checadas pela agência poligrafo.sapo.pt.

Os atletas não ficam de fora, nem os paralímpicos. Atletas russos e bielorrussos foram banidos dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim, os organizadores se curvaram à opressão e às ameaças de boicote.

Infelizmente tudo isso parece estar apenas no começo. Enquanto o povo russo sofre com ações coordenadas pelo ocidente em ataque ao governo russo, mas que acabará por afetar o cidadão russo e o mundo todo, cresce aos olhos de todos atitudes de ódio e perseguição.

As sanções, ou melhor, o “Terrorismo Econômico” promovido pelo ocidente, com a liderança dos EUA e da UE, já estão afetando o mundo todo. O termo terrorismo econômico é estritamente definido para indicar uma tentativa de desestabilização econômica por parte de um grupo.

Também conhecido como “Terrorismo financeiro”, refere-se à manipulação secreta da economia de uma nação por atores estatais ou não estatais. No entanto, o terrorismo econômico é principalmente aplicado em nome de sanções econômicas.

O efeito das sanções para os russos comuns será imenso, afetando o poder de compra, a renda e o emprego, algo que certamente causará queda no padrão de vida dos Russos.

A ideia das sanções econômicas é fazer o povo do país sancionado sofrer, para que assim este se revolte contra seu governo. Não é preciso dizer o quanto anti ético e ineficazes são estas medidas. As sanções deixarão o povo ainda mais refém de seu governo e possivelmente crie uma maior antipatia contra as nações que os impuseram sanções. Imensas dificuldades econômicas caem sobre o povo, há dificuldades de compra de produtos como remédios, insumos, combustíveis, peças automotivas e muito mais.

No entanto, os governantes não sofrem estes danos, exemplos disso são: Irã, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e até a própria Rússia, as sanções atingem o povo, não o governo. É nosso dever como adeptos á defesa da liberdade e propriedade, lutar contra toda e qualquer sanção econômica imposta por governos e seus conluios com as grandes corporações.

Texto escrito por Alex Motta

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