quarta-feira, dezembro 7, 2022

Brasil, o país inflacionário: a política econômica é a inflação

O jornalista polêmico e sarcástico, Ivan Lessa, costumava dizer que o Brasil de 15 em 15 anos esquecia do que aconteceu nos seus últimos 15 anos. Isso tem se mostrado ser uma verdade, porém ao que parece não é preciso de quinze anos para a memória do brasileiro falhar – esse tempo de esquecimento é cada vez mais rápido. Poderíamos sem muito exagero dizer que a cada ano o brasileiro esquece o que aconteceu no ano anterior.

Alguns dias atrás foram revelados os números da inflação no ano de 2021, de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A inflação do acumulado dos 12 meses chegou a 10,06% apenas nos números oficiais. Nós sabemos que a inflação e perda do poder de compra é muito maior que o divulgado. As causas disso segundo o estado foram os lockdowns dos governos locais, a famosa política do “fica em casa, a economia a gente vê depois’’, além da crise produtiva juntamente com a crise energética.

Apesar do fracasso que é o governo Bolsonaro – e todo amante da liberdade que se preze deve ter no mínimo vergonha desse governo, independente de ser direita ou algo do tipo – em certa medida, é compreensível a empolgação de muitas pessoas com esse mandato pois para o brasileiro é uma novidade alguém assumir o posto máximo do país e se intitular conservador, liberal e contra os impostos. Mas a ingenuidade é acreditar no discurso demagógico mesmo quando a realidade e o campo prático nos mostram uma coisa completamente diferente. Todavia, como foi mencionado, esse governo no seu discurso oficial é uma novidade para o brasileiro médio, ainda mais em um país que é tão simpático a políticas de esquerda e de grande intervencionismo. Pelo menos na teoria é uma coisa “nova”.

Voltando ao ponto da curta memória do brasileiro, principalmente daqueles que estão ligados no jogo político, é pertinente lembrar de 2015. Nesse ano, estava no poder o governo desastroso da petista Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente ou como ela gostava de ser referida, “presidenta” do Brasil. Para muitos libertários, o governo Dilma foi uma máquina de produzir amantes pela liberdade e proponentes contra o estado.

O que tem de especial em 2015? Nessa época o Brasil teve o acumulado de 12 meses 10,67% de inflação. Pasmem: Sem pandemia e sem lockdown, o governo Dilma conseguiu ser uma praga pior no cenário econômico. E a meta do teto da inflação no Governo Dilma era de 6,5%, mas o valor real foi muito superior. Ao menos em uma coisa a “presidenta” estava certa, se o governo tem uma meta, o objetivo é superar essa meta.

Nesse ano, o brasileiro pagou muito caro em serviços e produtos essenciais para o custo de vida. A habitação teve um aumento de 18,31%, alimentação e bebida 12,03%. Outro recorde também foi quebrado, desde 2003, no primeiro governo do ex presidente e presidiário Lula, que a inflação foi superior a meta do Conselho Monetário Nacional.

Inflação na alimentação

Naquele ano, a cebola e o alho foram os alimentos que mais tiveram mudanças em seu preço. A cebola ficou 60,61% mais cara e o alho 53,66%. Outros alimentos também sofreram com a inflação, o tomate teve um aumento de 47,45% e o feijão 30,38%. O frango e carne também foram afetados, um frango inteiro teve alta de 13,45%, a carne 12,48% e o pão 12,05% variando ao longo do ano de 2015.

Outros itens afetados pela inflação

Assim como no nosso passado recente e ainda segue, a energia em 2015 teve um aumento de 51% na média nacional, mas em São Paulo esse percentual chegava a 70,97%. O gás de cozinha que também explodiu de preço recentemente, resultando até no auxílio-gás feito pelo governo Bolsonaro, em 2015 teve um aumento de 22,55%.

O desastre econômico não para por aí. Água e esgoto também tiveram mudanças em seu preço, subindo 14,75%. Os combustíveis, como quase tudo naquele ano, também tiveram um aumento considerável: O litro da gasolina subiu 20,10% em média e o etanol 29,63%.

Brasil e a inflação, a sua amante mais amada

Alguns economistas gostam de dizer que a inflação é uma doença da moeda. Olhando um pouco para trás e especificamente para história econômica e monetária do Brasil, percebemos como a inflação sempre esteve presente. E como se ela não bastasse, ainda temos o medo de sermos roubados pelos governantes, algo que aconteceu no governo Collor explicitamente.

Com governos de Direita ou de Esquerda, a inflação sempre se fez presente. Em alguns anos foi mais baixa e em outros um pesadelo. Mas se a inflação é a doença da moeda, o nosso real está com uma doença crônica, e que aparenta nunca acabar.

Entretanto, todo esse cenário calamitoso não é o fim, o fim da História não é aqui, e justamente por sabermos que haverá um amanhã, devemos procurar soluções para proteger e até aumentar o nosso poder de compra, e uma alternativa que já possuímos é o bitcoin. Enquanto há tempo, devemos tirar o estado do nosso dinheiro antes que ele nos tire o nosso dinheiro, seja com confisco ou solapando a nossa moeda com políticas de expansão monetária.

Mises em Teoria e História

Segundo Murray N. Rothbard, o livro Teoria e História de Ludwig von Mises era a sua obra mais negligenciada, mas Rothbard reconhecia a imensa importância dessa primorosa obra, que para muitos estudiosos em Mises, Teoria e História foi a base para o seu tratado econômico Ação Humana.

Em Teoria e História, Mises afirma que a história não era um passatempo inútil e banal. Apesar da história tratar do passado, daquilo que já aconteceu, ela nos ensina preciosas lições e nos diz a respeito do que está por vir.

O que um dia foi considerado loucura e teoria da conspiração, hoje já é discutido pelo alta escalão da política global: A ideia de um governo mundial e o ponta pé para isso passar pelo grande reinício da economia global que é proposto pelos “especialistas” em economia. Exemplo disso é o discurso da economista anglo-egípcia Minouche Shafik, que fala da necessidade de “um novo pacto social”.

A luta pela liberdade é constante e necessária.

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