sábado, dezembro 3, 2022

Escândalo da FTX e o que podemos aprender com isso

Desde a última semana, a exchange FTX vem sendo um dos assuntos mais comentados do mundo cripto e fora dele. A empresa, que era até então uma das maiores do mercado cripto, entrou em processo de falência, prejudicando milhares de investidores.

Depois do episódio, não faltaram aqueles que defenderam a regulação como precaução para evitar situações deste tipo. Mas afinal, o que realmente aconteceu e o que poderia ser feito para evitar?

Um breve histórico da FTX

A FTX – abreviação para Future Exchange – foi fundada pelo seu atual proprietárioSam Bankman-Fried, em 2019. A empresa, sediada na Bahamas, começou na Alameda Researcht, empresa a qual passou a estar associada desde então. 6 meses depois da sua criação, teve 20% dos seus ativos adquiridos por Changpeng Zhao, CEO da Binance.

Em julho de 2021, a empresa levantou $ 900 milhões em uma avaliação de $ 18 bilhões de mais de 60 investidores. Dentre as principais empresas investidoras, estavam Softbank, Sequoia Capital. A Binance, que investiu na FTX em 2020, vendeu suas ações em 2021.

Em fevereiro de 2022, a FTX anunciou que tinha como parte dos seus projetos, a criação uma divisão de jogos que ajudaria os desenvolvedores de videogames a adicionar criptomoeda, NFTs e outros recursos relacionados a blockchain aos videogames.

A FTX também havia anunciado em julho deste ano um acordo com a opção de compra da BlockFi por até $ 240 milhões. O acordo incluiu uma linha de crédito de US$ 400 milhões para a BlockFi.

A FTX foi sendo vista como uma exchange promissora até mesmo por outras exchanges, que passaram a comprar sua token, a FTT, na expectativa que tendessem a se valorizar mais ainda.

Polêmicas e processo de falência

As várias polêmicas que vieram à tona, incluindo investimentos dos ativos dos clientes sem o consentimento destes, impactaram fortemente a credibilidade da empresa.

Dentre uma das polêmicas, estava o empréstimo que a FTX havia feito à empresa associada, Alameda Researcht. O empréstimo havia sido feito com ativos dos clientes sem seu consentimento, e inclusive contra um dos regulamentos da própria FTX.

Ao tomar conhecimento do caso, Changpeng Zhao, CEO da Binance, anunciou que iria vender todos os seus tokens da FTX, o que levou a uma queda de 80% do seu valor. A queda do token levou a uma verdadeira corrida pelo saque dos depósitos dos clientes, o que despencou mais ainda os valor da FTT.

Pedido da falência da FTX

Com a situação econômica da empresa agravando, o CEO Sam Bankman-Fried entrou com um pedido de falência da empresa nos EUA devido a falta de liquidez. A solicitação foi apresentada pela empresa na última sexta-feira (11).

Após o pedido de falência,
Sam Bankman-Fried pediu renuncia do cargo, deixando John Ray III em seu lugar como novo CEO da FTX. Além de problemas de liquidez, a empresa também havia anunciado um ataque hacker, que pode ter desviado US$ 662 milhões em criptoativos da plataforma.

O efeito do dominó sobre as exchanges

A falência da FTX atingiu em cheio várias outras exchanges. De acordo com o The Block Research, mais de uma centena de empresas haviam investido ou tinham alguma posição nos ativos da FTX. Além das exchanges, diversas empresas DeFi (empresas de finanças descentralizadas) e do Web3 tiveram seus saques travados e seus investimentos perdidos.

Dentre as empresas mais atingidas está a BlockFi, que chegou até mesmo a preencher o pedido de reestruturação da empresa, o primeiro passo para declarar falência.

A regulação das exchanges é a solução?

Muitos estão defendendo agora a regulação das exchanges acreditando que isso poderia evitar situações como a da FTX. Muitos chegam até mesmo a afirmar que todo o escândalo envolvendo a FTX e a Alameda Researcht só foi possível por que as exchanges não foram regulamentadas o suficiente.

No entanto, a regulamentação além de ser uma invasão do estado nas transações individuais e um aumento do poder estatal, apenas acaba substituindo um problema por outro. A regulação das exchanges apenas tornaria as transações mais burocráticas e até mesmo caras.

Poderia inclusive acontecer o que já acontece com as demais empresas regulamentadas no mercado, com aumento de barreiras para o surgimento novas empresas do tipo, favorecendo as empresas já existentes, além de uma maior invasão na privacidade dos usuários de criptomoedas.

O caso da FTX configura em um caso de fraude, pois a empresa usou dos fundos dos investidores sem o consentimento destes para fazer operações arriscadas. A FTX basicamente roubou seus clientes e deve ser processada por isso.

Um sistema de justiça realmente efetivo iria punir os responsáveis e garantir a indenização das vítimas.

No entanto, a própria legislação estatal irá proteger Sam. A lei de falência irá isenta-lo de ter de indenizar seus clientes.

Isso mostra que ao contrário do que é alardeado por defensores do monopólio estatal, a justiça privada baseada em uma ética objetiva comprometida com a liberdade e propriedade seria muito mais eficaz.

Evitar as exchanges seria recomendável

Independente de tudo, é importante recordar o plano original de Satoshi Nakamoto para o Bitcoin. Nakamoto ao criar o Bitcoin, o fez com o intuito dele poder ser transacionado de forma prática sem precisar passar por nenhuma organização centralizada, como corretoras.

E em um cenário como o atual, onde o estado regula cada vez mais as exchanges, colocar em prática o hábito de transacionar Bitcoin de forma P2P se faz cada vez mais urgente para resgatarmos nossa liberdade.

Se quer entender mais sobre Bitcoin e outras criptomoedas, clique aqui e leia nosso guia essencial sobre o assunto

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