Inflação e Deflação EP02: Mudanças na base monetária

Não obstante, os preços não são afetados apenas por essas valorizações de compradores e vendedores. São afetados também pelo meio monetário e suas diferenciações de circulação, entre outras coisas que não se apresentam tão maléficas.

Para explicar isso, devemos voltar para os princípios básicos praxeologicos. No caso, a utilidade marginal e a lei da utilidade marginal decrescente. Ambos os conceitos se aplicam a qualquer mercadoria. Um dos méritos do economista austríaco Ludwig Heinrich Edler von Mises foi justamente conseguir aplicar esses conceitos à moeda que é, acima de tudo, uma mercadoria como qualquer outra.

Mises usou o que ele chamava de teorema da regressão para explicar como o marginalismo se aplicava à moeda. Não nos cabe aqui explicar detalhadamente tal teorema tão complexo. Porém, em suma, se diz que a demanda de uma moeda, isto é, sua utilidade marginal, é definida em uma mistura da expectativa futura de seu poder aquisitivo e seu uso como bem liquido.

Já a lei da utilidade marginal decrescente diz que a cada nova unidade de um meio diminui sua utilidade marginal devido a essa nova unidade ser aplicada num ramo de ação menos valorizado que a unidade anterior seria aplicada.

A utilidade marginal define a razão de troca de qualquer mercadoria que passe nos critérios para existir alguma utilidade. Isso não seria diferente com o dinheiro devido ao fato já aqui exposto de que se trata, além de qualquer coisa, de uma mercadoria.

Por exemplo, uma pessoa quando resolve comprar um carro julga o que ela renuncia e o que ela ganha com esse ramo de ação. Vamos supor, hipoteticamente, que esse carro tenha o preço de 100 mil unidades monetárias. Essa pessoa, por obvio, irá considerar tudo que ela pode comprar com essas 100 mil unidades monetárias, limitando ao seu conhecimento, e julgará se vale a pena ou não o comprar o dito carro.

Isso irá depende de como ela valoriza a moeda, sendo isso diferente para cada indivíduo. Para simplificar, chamaremos essa valorização de demanda por encaixe.

Essa valorização é afetada também pela lei da utilidade marginal decrescente, onde, caso ela receba mais unidades monetárias, a unidade monetária marginal será menos valorizada.

Juntando esses dois conceitos, se cria a oferta e demanda para a moeda. Onde, ceteris paribus, uma maior demanda por encaixe irá aumentar seu poder aquisitivo marginal e vice-versa. Assim como uma menor oferta monetária diminui o poder aquisitivo marginal e vice-versa.

É importante ressaltar que a demanda e a oferta monetária só influenciam o poder aquisitivo na media em que a quantidade em circulação de uma moeda é mudada devido a esses fatores.

Como as pessoas valorizam menos a moeda, gastam mais nominalmente, o que aumenta as demandas dos produtos, aumentando seus preços. É importante ressaltar que isso não implica numa mudança da preferencia temporal. Por mais que se consuma mais, não necessariamente a poupança não acompanha essa mudança. Só se pode afirmar que a valorização marginal da moeda diminuiu. Nada além disto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

MP da tarifa de luz
Economia

Segundo ex-diretor da Aneel, MP assinada por Lula para baixar a conta de energia terá efeito contrário

Segundo Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, a medida provisória para baixar o valor da conta de luz, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (9), tem dispositivos que levarão ao efeito contrário. Segundo Edvaldo Santana e outros especialistas, haverá um aumento da tarifa para os consumidores. A MP […]

Leia Mais
Liga Hanseática
Economia

A Liga Hanseática: Um “Império” do Comércio

Era uma vez um fenômeno medieval do norte, tão sujeito a mitos universais e curiosidade quanto o das encantadoras cidades-república florescentes do sul: a Liga Hanseática dos séculos XIII ao XVI. “O Hansa” (alemão antigo para “associações”) ou “A Liga”, como era conhecido, começou como um tratado entre Lübeck e Hamburgo “para limpar a estrada […]

Leia Mais
Murray Rothbard Pânico de 1819
Economia

Pânico de 1819: A Primeira Grande Crise Econômica dos EUA

Em 1819, se iniciava a primeira grande crise econômica dos EUA. A primeira de muitas das grandes crises que vem abalando a maior economia do mundo. No entanto, essa crise teve algumas características que a diferenciam da maioria das crises subsequentes, como a não intervenção do estado para sua resolução, alem de sua curta duração: […]

Leia Mais