sexta-feira, fevereiro 3, 2023

Lula e Fernández defendem moeda única para a América do Sul

Não é a primeira vez que o PT e Alberto Fernández defendem uma moeda única para a América do Sul. No ano passado, Haddad e Gabriel Galípolo – hoje ministro da Fazenda e secretário-executivo do ministério, respectivamente – escreveram um artigo onde essa proposta aparece pela primeira vez. Em abril do ano passado, o presidente Lula mostrou apoio a ideia, afirmando que ajudaria na “integração econômica” da América do Sul.

Agora os presidentes do Brasil e Argentina – respectivamente Lula e Fernández – dizem estar estudando a possibilidade da criação de uma moeda única para a América do Sul. A ideia foi apresentada e assinada pelos dois presidentes, onde também foi enfatizada a relação estratégica que ambos planejam entre o Brasil e a Argentina com foco em uma maior integração econômica entre os dois países.

“Uma Moeda Para Todos Governar”

O artigo conjunto foi escrito em comemoração à visita de Lula à Argentina. Essa é a primeira viagem internacional do presidente desde sua eleição. A ideia era privilegiar o que Lula considera o “maior” parceiro econômico do Brasil.

O encontro entre Lula e Fernández também marca o retorno do Brasil à Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), grupo que o país abandonou em 2019, por ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, Bolsonaro rechaçou a ideia de participar do grupo regional em que estavam Cuba e Venezuela.

“PRETENDEMOS SUPERAR BARREIRAS ÀS NOSSAS TROCAS, SIMPLIFICAR E MODERNIZAR REGRAS E INCENTIVAR O USO DE MOEDAS LOCAIS. TAMBÉM DECIDIMOS AVANÇAR NAS DISCUSSÕES SOBRE UMA MOEDA COMUM SUL-AMERICANA QUE POSSA SER UTILIZADA TANTO PARA FLUXOS FINANCEIROS QUANTO COMERCIAIS, REDUZINDO OS CUSTOS DE OPERAÇÃO E DIMINUINDO A NOSSA VULNERABILIDADE EXTERNA”

diz o texto, publicado no site argentino Perfil.

Uruguai na contramão do Brasil e Argentina

Nem todos os membros do Mercosul querem colaborar com o objetivo de Lula e Fernández. O Uruguai há alguns anos vem fazendo tentativas de acordos econômicos fora do bloco.

Entre os países com os quais o Uruguai busca fazer parceria comercial estão a China e também os membros da Aliança do Pacífico (bloco formado por Chile, Colômbia, México e Peru). Porém, tal iniciativa é contrária às regras do Mercosul, e abriu uma crise direta entre os governos argentino e uruguaio, que Lula pretende ajudar a acabar.

No que implicaria uma moeda única para a América do Sul?

Por mais que Lula e Fernández afirmem que uma moeda única seja desejável para a América do Sul, o fato é que as consequências estariam longe de ser positivas para todos.

Assim como no caso da União Européia, uma moeda única na América do Sul levaria a uma transferência de renda dos países mais ricos (Brasil, Chile, Uruguai) para os países mais pobres (como a Venezuela).

Países que constumam usar políticas monetárias mais inflacionarias – como Argentina e Venezuela – iriam ter uma grande vantagem caso tal proposta fosse concretizada, mesmo que os demais países do bloco não seguissem as mesmas medidas.

No caso, eles poderiam imprimir mais dinheiro, permitindo assim importar mais produtos dos países mais ricos. Estes últimos, por sua vez, veriam o poder de compra da sua população diminuir, na medida em que este dinheiro recém impresso e sem lastro entrasse em sua economia.

Em outras palavras: uma transferência de renda dos países menos inflacionistas e mais ricos para os países mais inflacionistas e mais pobres.

Como bem dito pelo economista alemão da Escola Austríaca, Hans-Hermann Hoppe, uma moeda única é excelente. Mas isso quando ela é aderida voluntariamente, totalmente privada e sua oferta não pode ser manipulada por ninguém. Nem mesmo por um governo.

E o Bitcoin cumpre essa função. No entanto, o que Lula e Fernández estão propondo é uma verdadeira ameaça à economia dos países sul-americanos.

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