Não Gleisi Hoffman. Você que é a negacionista econômica

Gleisi Hoffman acusa o Banco Central de "negacionismo econômico"

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Após a decisão do COPOM em manter a taxa de juros em 13,75%, Gleisi Hoffman voltou a atacar o Banco Central do Brasil (Bacen). Dessa vez a petista acusou Roberto Campos Neto, presidente do Bacen, de “negacionismo econômico”.

“Quanto já custou ao país o negacionismo econômico de Campos Neto? Quantos empregos, empresas falidas, famílias destruídas? A vacina sempre esteve ao alcance do Copom, mas insistem nos juros genocidas. Até quando ficarão impunes?”,

O presidente Lula também atacou o Banco Central e afirmou que a manutenção da taxa de juros em 13,75% estaria impedindo o crescimento econômico no país. Gleisi, Lula e o PT já vêm atacando a posição do Banco Central de manter a taxa de juros em torno dos 13% desde o início do ano.

Hoffman e o PT são os verdadeiros negacionistas econômicos

Para aqueles que realmente entendem a ciência econômica, é óbvio que Gleisi Hoffman e o PT são os verdadeiros negacionistas econômicos. As insistências do governo PT em fazer baixar artificialmente a taxa de juros não possui nenhum comprometimento com a ciência econômica, já que tal medida é antieconômica.

Seu comprometimento é com sua demagogia barata, independente das consequências que o público brasileiro irá enfrentar.

Desde o início do governo Lula, Gleisi Hoffman vem apelando ao discurso enganoso de que a finalidade da alta taxa de juros é apenas enriquecer os rentistas às custas da população. No entanto ela ignora a função do juros para a economia: eles são a relação entre bens futuros e bens presentes.

A importância da taxa de juros para o mercado

Mais precisamente, o juros é uma relação entre a proporção da poupança em sociedade e a demanda por crédito. Se a poupança for elevada e a demanda por crédito for baixa, a taxa de juros será baixa. E vice e versa.

Ao baixar artificialmente a taxa de juros (como foi feito durante a pandemia) o estado envia falsos sinais ao mercado. Empreendimentos que não seriam viáveis passam a serem vistos como lucrativos.

O próprio estado emite títulos de dívida para pagar aos bancos (que são seus principais compradores) e os paga com dinheiro que ele irá imprimir. Por meio dos bancos, esse novo dinheiro recém impresso irá entrar na economia na forma de crédito barato graças à taxa de juros baixada artificialmente.

Estes empreendimentos acabam drenando recursos do mercado que não estão sendo poupados, o que ajusta seus preços para cima devido ao aumento repentino da demanda. Da mesma forma, os trabalhadores contratados por esses novos empreendimentos passam a gastar o dinheiro extra, também ajustando os preços dos bens de consumo para cima devido ao aumento repentino da demanda.

Como não houve uma poupança prévia, as novas demandas dos primeiros recebedores do novo dinheiro recém impresso irão pressionar nos preços dos bens de consumo e de produção para cima. Enquanto isso, os últimos recebedores deste novo dinheiro irão arcar com uma menor oferta de bens a preços maiores, já que não houve um aumento produção destes bens.

E essa é a verdadeira relação entre taxa de juros artificialmente baixa e inflação.

Leia também: Conhecendo a TACE para entender as crises econômicas

O desespero de Hoffman e do PT

Se Gleisi Hoffman e o PT sabem dessa dinâmica ou não, é irrelevante. Como já dito, o comprometimento deles é com seus interesses políticos, não com as verdades da economia.

No entanto o PT sabe que sem apelar para uma taxa de juros artificialmente baixa, não poderá haver um crescimento artificialmente alto na economia. Eles sequer se importam com as consequências que virão depois.

Caso algo dê errado (e com certeza irá), eles irão fazer o de sempre: culpar as empresas pela crise ou dizer que ela é “forjada”.

E essa é uma das coisas mais revoltantes nos políticos e burocratas que propõem medidas antieconômicas: se algo der errado, eles não irão arcar com as consequências. Isso os estimula a continuar propondo tais medidas insanas, já que possuem a certeza de que ficarão impunes.

Porém dessa vez estão sendo colocados freios nas ambições do partido, o que vem deixando o PT bastante desesperado. O governo Lula vem se desgastando cada vez mais diante do público e precisa apelar para sua principal arma na política: entregar migalhas à população e dar falsa sensação de prosperidade.

Mas agora sem a possiblidade de baixar a taxa de juros artificialmente, o PT se vê tomado pelo desespero de que talvez a sua única tática para se perpetuar na política esteja perdida.

2 respostas para “Não Gleisi Hoffman. Você que é a negacionista econômica”

  1. Avatar de Alexandre
    Alexandre

    Até ilude em acreditar na democracia bostileira

    1. Avatar de Rodrigo
      Rodrigo

      Pois é kk

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 thoughts on “Não Gleisi Hoffman. Você que é a negacionista econômica

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Praça de Maio
Economia

Mises na Argentina: lições do passado para hoje

Ludwig von Mises visitou a Argentina em junho de 1959 a convite do Dr. Alberto Benegas Lynch. As palestras que Mises proferiu na Universidade de Buenos Aires foram reproduzidas no livro ‘Economic Policy: Thoughts for Today and Tomorrow‘ (Política Econômica: Pensamentos para Hoje e Amanhã, lançado no Brasil como ‘As Seis Lições‘). Como o título […]

Leia Mais
Caridade
Economia

Entendendo o Verdadeiro Significado da Caridade

Na edição de janeiro-fevereiro da revista The Misesian, o economista Jörg Guido Hülsmann fala sobre os insights que o levaram a escrever seu livro ‘Understanding the True Meaning of Charity’ (‘Entendendo O Verdadeiro Significado da Caridade’, ainda sem tradução no Brasil). Confira abaixo a entrevista. The Misesian (TM): A economia das doações e da caridade […]

Leia Mais
Economia

A conta chegou: alta de inflação e dos juros e queda do PIB

Analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central (BC) mostraram um maior pessimismo em relação a economia do país, voltando a revisar para cima as projeções de juros e inflação para este ano. As informações foram divulgadas no Boletim Focus desta segunda-feira, 20. As previsões pessimistas são reflexo das políticas keynesianas nas quais o governo […]

Leia Mais