O atentado contra judeus em aeroporto na Rússia e o mal do coletivismo

Como publicado aqui em um artigo recente de Gabriel Camargo, uma multidão de maioria muçulmana invadiu o aeroporto de Makhachkala em busca de passageiros judeus vindos de Israel. A ação foi feita como forma de retaliação às contraofensivas do estado israelense contra a Faixa de Gaza.

O atentado é um exemplo claro do mal do coletivismo ao reduzir o outro a uma mera parte de um coletivo e atribuir à ele todos os crimes de outros agentes que fazem parte de tal coletivo.

O ataque ao aeroporto é outros ataques a judeus na Rússia

Segundo uma reportagem da BBC, centenas de indivíduos participaram da manifestação. Alguns chegando até mesmo a abordar civis nas ruas e exigir seus documentos de identidade para verificar se eram judeus. Enquanto alguns entoavam slogans antissemitas, outros gritavam “Alahu Akbar” (Deus é Grande, em árabe).

Um passageiro, que disse estar no voo vindo de Tel Aviv, disse à imprensa local que foi parado pela multidão. Ele disse que foi dispensado depois que manifestantes disseram: “Hoje não vamos tocar nos não-judeus”, o que dá a entender que o grupo tem o hábito de atacar outros grupos além dos judeus (extremistas islâmicos, talvez?). Segundo o governo russo, a situação foi controlada pelas forças de segurança após chegarem ao local. O governo russo informa que ao menos 70 pessoas foram presas.

Além do atentado no aeroporto, um outro grupo se dirigiu a um hotel na cidade de Khasavyurt, no Daguestão, onde acreditavam que alguns israelenses estariam hospedados. Os manifestantes chegaram até mesmo a jogar pedras nas janelas e só se retiraram quando o gerente do hotel garantiu que não havia nenhum judeu ou israelense no local.

O governador do Daguestão, Sergei Melikov, denunciou a invasão do aeroporto pela multidão em uma postagem no aplicativo de mensagens Telegram. Na publicação, o governador afirmou que “não há honra em insultar estranhos, revistando seus bolsos em busca de passaportes!” ele escreveu. Ele condenou “ataques a mulheres com filhos”.

Leia também: Israel X Palestina: qual deve ser a posição libertária diante deste conflito?

O coletivismo como inimigo da liberdade

Ninguém que defende genuinamente a liberdade pode se deixar levar por qualquer ideia coletivista que seja. Atribuindo os crimes do estado israelense aos civis israelenses, e judeus em geral que nada tem a ver com esse conflito, os manifestantes anti-isralenses os negaram como indivíduos de direito e responsáveis apenas pelos seus atos.

E não são apenas eles. Uma breve olhada em publicações sobre o conflito entre Israel e Palestina, mostra comentários fazendo generalizações tanto contra israelenses e judeus, quanto contra palestinos e muçulmanos em geral. Chegando ao absurdo de achar que a morte de civis inocentes deve fazer parte do conflito. Alguns “lamentando” isso como um “triste destino”. Outros chegando ao nível mais baixo ao defender que é uma “vingança legítima” contra o outro lado.

Em parte, a guerra reacendeu acusações e ataques a ambos os grupos envolvidos na guerra. De um lado, teóricos da conspiração que acham que todos os judeus são maus e estão por trás de todo o mal do mundo e alguns chegando ao extremo absurdo de defender a extinção de todos eles, e chegando a exaltar até mesmo Adolf Hitler e tentar justificar sua perseguição e extermínio aos judeus.

Óbvio que o estado israelense é um grande responsável por vários ataques à Gaza de longa data, bem como é levado por sua obsessão expansionista a pressionar os palestinos a saírem de suas terras. Porém, isso é um crime do governo israelense, não da população civil israelense. Indivíduos não são o seu governo. Como colocado corretamente pelo economista e filósofo libertário Murray Rothbard, o estado é apenas um parasita vivendo da sociedade.

Do mesmo modo, os ataques generalizados contra os palestinos e muçulmanos em geral não são justificáveis. Eles não podem ser responsabilizados pelos atos brutais do grupo terrorista Hamas. É inegável a existência de radicais islâmicos que cometem inúmeras atrocidades contra indivíduos inocentes (muitas das suas vítimas sendo inclusive outros muçulmanos). No entanto, os indivíduos muçulmanos não envolvidos nestes ataques não devem ser responsabilizados por tais crimes.

Todas as formas de coletivismo nascem do não reconhecimento de cada indivíduo como um soberano sobre sua própria pessoa e responsável apenas por suas ações. Ao negar tudo isso, o pensamento coletivista faz indivíduos enxergarem o outro apenas como uma parte insignificante de um todo. Seja sacrificando-o em nome do “bem coletivo”, seja tornando-o um bode expiatório dos crimes cometidos por pessoas de seu mesmo grupo.

Não importando o tipo ou forma do coletivismo, todo defensor da liberdade deve repudiá-lo.

4 thoughts on “O atentado contra judeus em aeroporto na Rússia e o mal do coletivismo

  1. Aqueles judeus que mataram o Senhor Jesus, que nos perseguiram, que não são do agrado de Deus, que são inimigos de todos os homens (1Tessalonicenses 2,15) BÍBLIA SAGRADA

    1. Sim, o apóstolo São Paulo aponta para os judeus que estiveram envolvidos diretamente no assassinato de Jesus. Óbvio que isso não recai sobre os judeus atuais em geral, até pq seria contraditório, já que os apóstolos também eram judeus, assim como o próprio Jesus. E que também muitos líderes judeus perseguiram os apóstolos. Assim como alguns se convertaram. Fora que o apóstolo fez um apontamento. Ele em nenhum momento deu respaldo a qualquer forma de hostilidade generalizada contra judeus.

      Inclusive, o próprio São Paulo em Romanos 11 repreende qualquer forma de antissemitismo na Bíblia, alertando para os cristãos não se ensoborbecerem e lembrarem que foram salvos pela misericórdia divina, e não por mérito próprio. E que Deus não abandonou o seu povo Israel em nome da promessa que fez a Abraão:

      “1. Pergunto, pois: Acaso rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum; por que eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
      2. Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus contra Israel, dizendo:
      3. Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e procuraram tirar-me a vida?
      4. Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal.
      5. Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça.
      6. Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.
      7. Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos,
      8. como está escrito: Deus lhes deu um espírito entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje.
      9. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço, e em retribuição;
      10. escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e tu encurva-lhes sempre as costas.
      11. Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.
      12. Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!
      13. Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério,
      14. para ver se de algum modo posso incitar à emulação os da minha raça e salvar alguns deles.
      15. Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?
      16. Se as primícias são santas, também a massa o é; e se a raiz é santa, também os ramos o são.
      17. E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira,
      18. não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.
      19. Dirás então: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado.
      20. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu pela tua fé estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme;
      21. porque, se Deus não poupou os ramos naturais, não te poupará a ti.
      22. Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado.
      23. E ainda eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os enxertar novamente.
      24. Pois se tu foste cortado do natural zambujeiro, e contra a natureza enxertado em oliveira legítima, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira esses que são ramos naturais!
      25. Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado;
      26. e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades;
      27. e este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados.
      28. Quanto ao evangelho, eles na verdade, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.
      29. Porque os dons e a vocação de Deus são irretratáveis.
      30. Pois, assim como vós outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles,
      31. assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada.
      32. Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.
      33. Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!
      34. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro?
      35. Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?
      36. Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.”

  2. Ah, sim, eu vi. Esses e outros. Só que tem um detalhe que você está ignorando: isso fez parte de um programa satírico de humor cujo roteiro foi elaborado por um judeu não religioso chamado Roy Arad. O nome do programa era ‘Toffee VeHa-Gorillah’. Roy Arad inclusive escrevia para o jornal Haaretz, um jornal assumidamente de esquerda e crítico do primeiro ministro israelense, Netanyahu. Este programa em específico muito provavelmente foi uma sátira aos judeus ortodoxos ou as alas mais radicais deles. Óbvio que cristãos podem ver que isso é uma heresia. Nada diferente do que o Porta dos Fundos faz há anos no Brasil. E nem por isso todos os brasileiros são blasfemo. Acho que você deveria olhar mais para o próprio quintal

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