sábado, novembro 26, 2022

Sem expectativa, classe média está fugindo do Brasil, diz economista

Em entrevista ao Estado de Minas, a economista brasileira, Sandra Utsumi – radicada em Portugal há 16 anos – afirma que está havendo uma grande fuga da classe média no país devido as baixas expectativas de melhoria econômica. Utsumi, que é diretora executiva do Banco Haitong, afirma que o Brasil está se tornando um exportador de mão de obra qualificada (predominante bens classe média do país) por não ter condições de gerar oportunidades melhores, principalmente para os mais jovens.

Muitas empresas da Europa estão contratando jovens brasileiros que não têm boas perspectivas em seu país. O Brasil está exportando capital humano, sua melhor mão de obra. Vejo muitos professores universitários, jovens recém-formados, vindo trabalhar em Portugal, abrindo pequenas empresas, atuando no setor de tecnologia.

disse Utsumi

E mais:

Há uma fuga da classe média do Brasil, que cada vez menos vê perspectivas de crescimento econômico, se depara com qualidade de vida que não avança. Por isso, prefere arriscar uma vida em outros países, mesmo que mais modesta

Segundo projeções do Banco Haitong, o Brasil deverá crescer apenas 0,8% neste ano, e com previsão de apenas 0,3%, para o ano de 2023. A projeção não difere muito da que viu na última década, quando o Produto Interno Bruto (PIB) avançou para 0,3% ano.

Segundo Utsumi “é muito pouco para uma economia com o potencial da brasileira”. Para ela, o país não conseguirá se livrar da recessão que em que o mundo já entrou, com extensão prevista entre o último trimestre de 2022 e o primeiro de 2023. A contração econômica, combinada com inflação ainda alta e juros subindo, pesará fortemente sobre os consumidores, que serão duramente atingidos pelo desemprego e redução da renda (pela inflação).

Para Utsumi, o Brasil “deveria crescer, em termos reais, acima de 2% ou 3% ao ano”. Ela também afirma “o que avanço que o país viveu no boom do início dos anos de 1970 e na época do Plano Real é algo pouco esperado”. E ainda ressalta que “estruturalmente, o Brasil deveria, para competir com outros países emergentes, crescer consistentemente”.

Apesar das previsões do Banco Haitong, é possível que a desaceleração econômica seja muito maior do que o previsto, uma vez que o próprio índice de inflação ficou acima da previsão dos economistas e dos bancos centrais, mesmo com suas estimativas levando em conta os impactos da pandemia e da guerra na Ucrânia.

Aquilo que os economistas austríacos já alertavam nós últimos, já é admitido pelos economistas mainstream: a recessão econômica está vindo. E será destrutiva.

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