segunda-feira, outubro 3, 2022

Sim Marcos Uchôa, política é algo ruim!

Em entrevista à Veja, o ex-jornalista da Globo, Marcos Uchôa, tenta rebater a afirmação de que política é ruim. Ele tenta inclusive mostrar que a política é algo bom e importante para sociedade, e que sua “demonização” é um desserviço. Desnecessário dizer que sua esperança em tal empreitada está fadada ao fracasso.

A política como “solução”

Durante a entrevista, Marcos Uchôa também afirma que pretende entrar para a política como candidato à deputado federal. Ele ainda afirma que ao sair da Globo, sentiu que deveria fazer algo diferente, como entrar para uma ONG (talvez devesse ter parado por aí). No entanto, afirmou que “nenhuma ONG é maior do que a política”.

Ele também diz que sua maior motivação foi a atuação de Bolsonaro, e que se tivesse outro presidente no lugar dele, talvez não tivesse entrado para a política. Uchôa também comenta que apesar de muitas pessoas parabenizarem sua decisão, o aconselham dizendo “não entra, você vai se queimar, esse negócio é pesado, tem muita sujeira”. Uchôa faria bem em seguir esses conselhos.

Questionado sobre o porque do apoio à Lula e PSB, ele explica que seus avós paternos fugiram da perseguição política durante a Ditadura Militar. No entanto, ao invés de reconhecer a perseguição de opositores como parte do problema, ele crê ingenuamente que entrar para o problema seria a solução. A única coisa que muda é a justificação para perseguir opositores e seus métodos.

Jornalismo do lado “certo”

Uchôa ainda afirma que o jornalismo não cumpriu bem seu papel, pois o jornalismo mainstream se “contentou” em apenas registrar os fatos envoldendo casos como a Operação Lava Jato e o impeachment da Dilma (que ele chamou de “golpe”. Como se democracia e o estado em si não fossem um golpe).

Segundo ele, era necessário que os jornalistas tivessem se posicionado sobre “tudo o que estava acontecendo”. Provavelmente uma referência à ideia de que havia um complô contra o governo do PT.

Se Uchôa analisar a política honestamente como ela é, verá que esse é apenas o modus operandi dos políticos em geral. Não muito diferente de agora, com a oposição à Bolsonaro pedindo seu impeachment. Não que Bolsonaro não seja uma ameaça à sociedade brasileira (todos os políticos são).

Políticos apenas usam dos “crimes contra a democracia” de seus opositores para tirar-lhes o poder e tomá-lo no lugar, se vendendo com a ideia de que eles serão a “solução”.

A única preocupação de Uchôa quanto à política

Mesmo diante de tantos motivos para entrar para a política, Uchôa afirma que a única coisa que o preocupa são os episódios de violência em nome da política, como o caso do petista morto por um bolsonarista. Ele deliberadamente cita esse caso ignorando o caso onde um bolsonarista quase foi morto por petistas, como se isso fosse um problema exclusivo do bolsonarismo.

Apesar de tais episódios serem lamentáveis, eles são mais um sintoma do que o “único” problema em si. As pessoas chegarem ao ponto de agredir outros e até mata-los em nome da política, é uma amostra do quanto esta ideia vem adoecendo as pessoas cada vez mais que adentra em suas vidas.

Quando você enxerga o outro com um obstáculo para seu plano de uma sociedade “melhor”, é sinal de que um espírito de pequeno ditador já está tomando conta de você.

A política não é a solução. É um grande problema

Uchôa se mostra preocupado (e com razão), com todos os problemas por ele apresentados. Ele aponta devidamente para o problema das maquinações nas disputas pelo poder, como a escalada da violência motivada pela política e com a perseguição à oposição dos grupos no poder. No entanto, ao invés de reconhecer tudo isso como partes essenciais do jogo político, ele aposta justamente em uma forma diferente de fazer tudo isso. Ele insiste acreditando que a política é a solução para todos estes problemas.

Uchôa, como tantos outros fiéis ao ideal democrático, ignoram que democracia, como qualquer regime estatal, se resume a dominação violenta de um indivíduo sobre o outro. Não importa quais as justificativas. Na prática, sempre será um grupo que enxerga seu semelhante, não como um fim em si mesmo, mas como um instrumento para alcançar seu mundo idealizado.

Nenhuma ideia baseada na força contra aqueles que resistem em fazer parte do mundo “perfeito”, pode ser algo louvável. Nem mesmo em teoria.

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