quarta-feira, agosto 17, 2022

Seria Alasca o próximo alvo de Putin?

A fotografia de uma placa com a frase “Alasca é Nosso”, localizada em Krasnoyarsk, na Rússia, vem viralizando e preocupando internautas. A placa apareceu na cidade um dia após o discurso do legislador, Vyacheslav Volodin, ao discursar em favor da retomada do Alasca pela Rússia.

Placa com a frase em russo “O Alasca é Nosso!”, localizada na cidade russa de Krasnoyarsk. Créditos da imagem: Reddit.com

Na ocasião, Volodin havia discursando durante uma reunião com parlamentares em Dombas, argumentando que caso os EUA persistisse com as sanções como retaliação a invasão da Rússia a Ucrânia, os russos tomariam o Alasca.

A decência não é fraqueza.Temos sempre algo a responder. Que a América sempre lembre que há uma parte de seu território … Alasca.

disse Volodin

E continuou:

Quando eles começarem a tentar se livrar de nossos recursos no exterior, deixe-os pensar duas vezes antes que eles o façam para que tenhamos algo a reclamar de volta também.

Vyacheslav Volodin, legislador que defende a retomada do Alasca pela Rússia. Créditos da imagem: New York Post.

Originalmente parte do antigo império russo, o Alasca foi vendido aos EUA pelo czar Alexandre II, por $ 7, 2 milhões (o equivalente a $ 142,2 milhões hoje). A negociação, realizada pelo secretário de estado da época, William Seward, foi bastante impopular na época, com a imprensa o batizando de “A Loucura de Seward. O território rico em ouro tornou-se um estado em 1959. 

Outros burocratas russos se mostraram favoráveis ao discurso de Volodin. Outro deputado da Duma, Pyotr Tolstoy – um bisneto do autor “Guerra e Paz” Leo Tolstoy – de forma provocativa sugeriu a realização de um referendo no Alasca.

O governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, respondeu a provocação dos burocratas russos em seu tweet:

Para os políticos russos que pensam que podem tomar o Alasca de volta. Boa sorte.

disse ele no tweet.

Cresce apoio pela retomada do Alasca entre russos

Apesar de nem todos os russos apoiarem a invasão ussa a Ucrânia ou qualquer outra invasão, há um crescente apoio entre russos não só pela invasão a Ucrânia, como também pela retomada do Alasca.

No caso das placas que apareceram em algumas cidades do país em apoio a retomada do Alasca, sua distribuição foi uma encomenda de uma empresa local chamada chamada “Alasca”, que fabrica reboques.Um funcionário do fabricante de reboques explicou que o diretor da empresa é “muito patriota” e tinha “decidido mostrar que somos a favor do patriotismo” através dos outdoors.

Em uma propaganda espantosa publicada em vídeo na internet, jovens cadetes russos prometem “pegar o Alasca dos EUA” e dizem que estão “prontos para morrer por Putin”. Isso pode nos dar uma dimensão da força da propaganda ideológica e política russa nas escolas, mídia e outros meios de formação de opinião.

O mais curioso nisso, é que o vídeo foi lançado há 3 anos. Isso pode ser uma evidência de que Putin e sua cúpula já tinha planos para a retomada do Alasca. Também é possível que a invasão da Ucrânia e sua tomada pela Rússia seja um plano de longa data, fazendo parte do projeto de expansão da Rússia, como argumentaram Ayush Poolovadoo e Antony Muller, apontando o Eurasianismo como um dos fatores impulsionadores do belicismo de Putin.

Abaixo vídeo com o a propaganda em apoio a retomada do Alasca pela Rússia:

EUA mantém vigilância sobre o Alasca temendo possível invasão russa

Soldados americanos realizando treinamento militar no Alasca. Créditos da imagem: Folha de São Paulo.

Desde março deste ano, os EUA vem reforçando sua vigilância militar no Alasca temendo uma possível invasão russa. O governo americano já vinha mantendo vigilância há muito tempo, devido a tensões com a Rússia na disputa por rotas marítimas entre os dois países.

No entanto, a invasão da Ucrânia pela Rússia tornou a situação, que já era delicada, ainda mais tensa. Para manter a vigilância militar, os EUA vem investindo centenas de milhões de dólares na costa oeste do Alasca.

O investimento visa ampliar o porto de Nome, que pode transformar o polo de serviços de águas profundas que abastece e atende às embarcações da Marinha e Guarda Costeira americanas que navegam ao norte do Círculo Ártico.

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