Graças à nova versão do ChatGPT, internautas agora podem criar versões de si mesmo e de outras pessoas no estilo dos animes do Estúdio Ghibli. A nova funcionalidade se tornou a maior febre da internet na última semana, mas também trouxe de volta a velha discussão sobre “direitos” autorais e valorização dos artistas.

Criando versões de si mesmo com a arte do Studio Ghibli

A nova versão do ChatGPT, o ChatGPT 4.5, trouxe várias atualizações. Dentre elas, a possibilidade de o usuário criar versões de si mesmo com a arte do Estúdio Ghibli, famoso estúdio japonês responsável por grandes obras, como a Viagem de Chihiro. A nova função virou uma verdadeira febre na internet, onde os usuários não apenas aproveitaram para fazer versões do Studio Ghibli de si mesmo e de entes queridos, mas também personalidades famosas e até mesmo de memes. 

Abaixo, algumas artes feitas no estilo do Studio Ghibli peloa internautas:

Nem todos gostaram da novidade

A novidade, no entanto, não agradou a todos. Os defensores dos chamados “direitos” autorais acusaram a Open Ai, empresa responsável pelo ChatGPT, de estar “violando” os “direitos” do Studio Ghibli ao replicar a sua arte, que é sua marca registrada.

Em entrevista ao site Zero Hora, o advogado Juliano Madalena comentou que os “direitos autorais” não protegem a técnica utilizada na criação dos desenhos; somente os desenhos feitos pelos artistas. Por isso, não haveria como o Studio Ghibli processar diretamente a Open Ai pelo uso de sua técnica. No entanto, Madalena afirma que há a possibilidade do Studio Ghibli de processar a Open Ai, apontando uma brecha que pode ser aproveitada.

Segundo o advogado, como a IA só aprende por meio do uso de um banco de dados, é possível verificar se no banco de dados utilizado houve uso de conteúdo exclusivo do Studio Ghibli sem autorização, e assim, se houve de fato “violação dos “direitos autorais” do estúdio.

Outra preocupação levantada foi sobre a possibilidade de as artes feitas com IA desvalorizarem o trabalho dos artistas profissionais.

Também em entrevista ao Zero Hora, o ilustrador e concept artist Róger Goulart disse que “foi feito para sinalizar para o mercado que as pessoas estão priorizando mais o resultado do que a arte”. O artista também declarou que “a arte da máquina pode até parecer bonitinha à primeira vista, mas é vazia porque não tem a essência”.

Não existem “direitos autorais”

Como bem mostrado pelo advogado e autor libertário americano, Stephan Kinsella em sua obra “Contra a Propriedade Intelectual“, não existe propriedade intelectual e nem direitos autorais. Os únicos direitos que os indivíduos podem ter são sobre recursos escassos, e ideias não são um recurso escasso.

Mais de um indivíduo pode usar da mesma ideia sem entrar em conflito um com o outro. E como bem explicado pelo filósofo e economista Hans-Hermann Hoppe, a finalidade da propriedade privada é evitar conflitos, estabelecendo de antemão quem é o proprietário do que.

Dito isso, é absurda a afirmação de que o Studio Ghibli estaria tendo seus “direitos autorais” violados pelo ChatGPT. E mesmo o uso das obras feitas pelo estúdio ainda não seria violação de tais “direitos”, pois, como já dito, não há direito de propriedade sobre ideias; apenas sobre recursos escassos legitimamente adquiridos (seja via apropriação original ou trocas voluntárias).

Desvalorização dos artistas?

Outra reclamação contra a nova funcionalidade do ChatGPT é a de que ela estaria desvalorizando o trabalho dos artistas. O “argumento” é o de que tais artes feitas pela ferramenta de IA não teriam “alma” como uma arte feita por um artista humano. Também foi comentado que isso “ameaçaria” tal profissão, já que cada vez mais as pessoas optariam pela arte feita por IA.

Os argumentos são completamente absurdos. Primeiro porque a nova funcionalidade está sendo utilizada para casos simples, como fazer versões despretensiosas dos usuários e de seus entes queridos e também de memes. Seria financeiramente inviável contratar artistas profissionais para estes casos. A nova função do ChatGPT apenas tornou viável o que antes não era.

E sobre a “ameaça” ao ganha-pão dos artistas, isso não passa de um medo infundado, de puro sensacionalismo barato. Para trabalhos realmente importantes, as pessoas continuarão a contratar artistas profissionais. Como o próprio da nova funcionalidade do ChatGPT, o ilustrador Róger Goulart comentou, “a arte da máquina pode até parecer bonitinha à primeira vista, mas é vazia porque não tem a essência”.

E, como o próprio Goulart também apontou em entrevista ao Zero Hora, o cofundador do Studio Ghibli, Hayao Miyazaki, rejeita totalmente o uso da Inteligência Artificial para criar suas artes. Assim como Miyazaki, muitos outros empreendedores do ramo do entretenimento farão o mesmo. Algumas empresas farão uso da IA para seus trabalhos e outras não. Haverá opção para todos os gostos.

O fato é que, graças à Inteligência Artificial os indivíduos não ficarão mais à mercê de um setor tão concentrado em poucas mãos e tão regulamentado quanto o da indústria do entretenimento. Neste aspecto, a IA é libertadora.


Leia também: A guerra dos dubladores contra a Inteligência Artificial


Anúncio

Image

O conteúdo deste artigo está livre de restrições de direitos autorais e de direitos conexos. Sinta-se livre para copiar, modificar, distribuir e executar o trabalho, mesmo para fins comerciais, tudo sem pedir permissão.

Shares:
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *