A CEO do mensageiro Signal, Meredith Whittaker, ameaçou novamente desativar o aplicativo no Reino Unido. O motivo foi a iniciativa do primeiro-ministro Keir Starmer, que obrigará as empresas a escanear conteúdo na internet e a verificar a idade dos usuários.

Em 8 de junho, Starmer discursou na London Tech Week e exigiu que as empresas de tecnologia implementassem as medidas correspondentes por conta própria. Se elas não o fizerem, o governo aprovará uma lei que as obrigará a isso. Um prazo de três meses foi concedido para o cumprimento das exigências. As empresas que não as cumprirem enfrentarão multas e, em casos extremos, responsabilidade criminal para os executivos. O projeto de lei ainda não foi apresentado ao parlamento: o Ministério do Interior está trabalhando em sua elaboração, mas os prazos para adoção não foram divulgados.

O Signal emitiu uma declaração oficial na qual criticou essa ideia. Segundo a empresa, a medida proposta não protegerá as crianças, mas criará uma infraestrutura de vigilância em massa para todos os habitantes do país. A verificação compulsória de idade e o escaneamento de mensagens privadas, acredita o Signal, representam uma ameaça ao direito fundamental à privacidade.

A empresa alerta que tais ferramentas nunca permanecem nos limites declarados. “Sabemos pela história: assim que elas aparecem, ocorre inevitavelmente uma expansão autoritária do escopo de conteúdo e de pessoas que essas tecnologias irão monitorar”, diz a declaração. Hoje, as autoridades prometem escanear apenas imagens com corpos nus, porém o Signal acredita que o sistema se espalhará rapidamente para discursos políticos: “Seu alcance será determinado pelos caprichos do governo — hoje identificar imagens de nudez, amanhã discursos políticos“.

A empresa aponta separadamente para os beneficiários das novas medidas: as exigências do governo britânico fortalecerão o domínio de mercado da Apple, Google e Microsoft e o controle dessas empresas sobre os dados pessoais dos usuários.

Para o Signal, a verdadeira preocupação com as crianças tem outra face: “A segurança infantil significa uma educação bem financiada, serviços sociais plenos e restrições reais para tecnologias de IA e plataformas“. Em vez disso, acredita a empresa, as autoridades buscam uma “infraestrutura invisível de vigilância, ativada por padrão e, possivelmente, empurrada para a lei sob pretextos cínicos“.

Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo

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