segunda-feira, novembro 28, 2022

Universidade Libertária: um ode aos antigos anarquistas?

Texto por Pedro Henrique da Silva Valois

Segundo Edgar Rodrigues em seu texto História do Movimento Operário no Brasil, os anarquistas brasileiros, preocupados com a sua ideologia, estabeleceram escolas livres, universidades populares e grupos de teatro social.

Como diz Edgar, foram duas universidades populares durante a trajetória do anarquismo brasileiro. Como afirma Edgar no seu texto Educação e Cultura Libertária, no teatro da história mundial, os anarquistas fundaram escolas baseadas nos ideais de Francisco Ferrer y Garcia e baseados também nos ideais de La Ruche Sebastião Faure: Os portugueses receberam os ensinamentos de Ferrer com uma verdadeira alegria libertária. Onde havia analfabetismo e desordem, os anarquistas traziam educação e o seu espírito de solidariedade: educavam crianças do maternal dando a elas vestuário, alimento e moradia até mesmo quando saíssem da escola; educavam crianças pobres.

Não se educa integralmente o homem disciplinando a sua inteligência, esquecendo seus sentimentos e desprezando sua vontade. O homem na unidade do seu funcionamento cerebral, é complexo, tem várias facetas fundamentais, é uma energia que vê, afeto que repele ou recebe, concebendo voluntariamente e tornando em actos as leis do organismo do homens

Edgar Rodrigues

Venho neste texto salutar os meus amigos da Universidade Libertária que, com o seu estrondoso esforço, oferecem atualmente bolsas a alguns indivíduos que se dedicam integralmente estudo, em um local físico, para a propagação do movimento anarquista de vertente adepta ao livre-mercado.

Pois, independente da vertente anarquista que seguem, sempre se colocam, invariavelmente, contra as classes dominantes, isto é, a classe política e a classe burguesa, que obtêm a sua riqueza, ou a mantém, através do roubo direto (imposto e taxas) e através de subsídios e regulações, respectivamente, isto é, eles, ao contrário de obterem a sua riqueza por meios pacíficos como a produção e a troca, a obtêm pelo meio político, isto é, por meio da coerção e do poder.

Daniel Miorim de Moraes, fundador da Universidade Libertária ao centro junto com os estudantes da Casa Libertária. Fonte: universidade Libertária.

O Projeto da Casa Libertária se mostra como um raio de sol anarquista, que entra por um bueiro sujo, no porão inopioso e fedorento do movimento anarquista de mercado atual, com seus “intelectuais” pedantes e seus lobos em pele de cordeiro. Ousam falar e reivindicar o direito de uso exclusivo da palavra anarquia como se fosse uma propriedade privada no sentido de Hoppe: “mas estes homens não são anarquistas!”

Olhem para a definição de anarquia segundo Malatesta, em A Anarquia, então, e verão que eles são realmente anarquistas:

A palavra anarquia vem do grego e significa sem governo, estado de um povo que se rege sem a autoridade de um governo

Após algumas páginas ele afirma que o:

Governo é a coletividade dos governantes; e os governantes — reis, presidentes, ministros […] são aqueles que têm a faculdade de fazer leis […] Os governantes, numa outra palavra, são aqueles que têm a faculdade […] de se servir de uma força social — seja ela força física, intelectual e econômica de todos — para obrigar a fazer o que eles próprios, os governantes, querem.

Obviamente, Malatesta coloca como um ponto positivo a punição e a vigilância por parte do Estado, isto é, do governo para quem descumpre contratos privados. O ponto central é que o governo é um conjunto de indivíduos com poder de coerção que obrigam os homens a fazerem o que eles mesmos querem contra a sua vontade.

Anarquistas de todas as vertentes do mundo uní-vos novamente!

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