Essa foi a frase utilizada por Robert A. Heintlein e popularizada pelo economista Milton Friedman, em 1975. No âmbito da economia e da alquimia, essa frase é uma verdade absoluta, no que ela se propõe a dizer: é impossível conseguir algo sem nada em troca. No estrito senso da ação humana, como estudada e desenvolvida por Ludwig Von Mises, também é irrefutável. Toda ação requer uma troca, seja ela estritamente autística ou também interpessoal.

   A frase é suficiente para quebrar parte dos vários mitos que envolvem uma glorificação ao estado, tratado como ente místico, por muitos ludibriados que o atribuem como um fornecedor gratuito de serviços ou produtos. Se o estado dá algo é porque tirou algo de outro alguém, o que pode incluir este que cegamente apoia sua atuação.

   Após igualar o estado a nós reles mortais, em relação ao que tange a escassez dos bens materiais, abandonemos a frase com que este texto foi aberto e respondamos a questão: é possível com que hajam serviços privados, bons, gratuitos ao consumidor e rentáveis?

   A resposta a esta questão deve ser um alto e sonoro “sim!”. Hoje existem diversas marcas e organizações que realizam tal prática, por exemplo. E mais: com uma eficiência admirável, muitas vezes superior a instituições tradicionais – como escolas, faculdades, locadoras, cinemas, transportadoras etc. A proposta deste artigo é trazer destes exemplos e explicar, de forma relativamente superficial, como realizam tal feito.

   No âmbito do ensino, por exemplo, existem tanto sites, quanto canais de YouTube, com conteúdo e didática altamente elogiáveis, sendo muitas vezes comparados de forma superior em relação as tradicionais instituições educacionais já citadas. Sites como o Khan Academy e o Brainly – reconhecido mundialmente -, e canais de YouTube, como o Canal Física; trabalham com conteúdo irrestrito e gratuito. Suas fontes de renda advêm de monetização – adsense – e a abertura a doações. Ambos já se mantêm a alguns anos. O Canal Física, por exemplo, hoje possui em torno de 32 milhões de visualizações e 517 mil inscritos. Boa parte dos canais de YouTube, Startups, aplicativos de celular e sites, incluso este para qual o artigo foi destinado, o Gazeta Libertária, operam desta maneira.

   Ainda no ensino, há hoje o Curso Em Vídeo, o Passei Direto, o Me Salva, dentre outros, que trabalham com conteúdo parcialmente irrestrito – sendo essa parcela bem volumosa – e parcialmente restrito para membros Premium, sendo também muito bem vistos pelo público estudantil em geral, de ensino médio a superior. Também desta forma de operar, há o Spotify para a música, jogos eletrônicos online – como o conhecido League Of Legends – e muitos outros.

   Há marcas também que dividem o seu público consumidor em dois: parceiros e simplesmente consumidores. Os que apenas consomem do serviço prestado utilizam de ferramentas irrestritamente gratuitas. Já os parceiros pagam, ou subtraem de seus ganhos, para oferecer e anunciar serviços, podendo até mesmo gerar renda a partir das plataformas utilizadas. Alguns até mesmo pagam adicionais, de forma a obter maior visibilidade – com o mesmo fim – em relação aos demais concorrentes.

   Há diversos exemplos muito conhecidos que operam desta forma. Uber, iFood, Google, YouTube, Amazon, Mercado Livre, redes sociais em geral, além de vários concorrentes dessas empresas citadas – mecanismos de pesquisas, plataformas de vídeo, áudio, lojas, restaurantes e transportes.

   O Estado enfraquece algum setor via impostos – que são coercitivos, portanto roubos – para fornecer em outro. Cria problemas agravantes no processo, como subtrair o reinvestimento pela automanutenção, falsificar a oferta e a demanda, muitas vezes cria monopólio e regulação, impedindo a competitividade. Gera um verdadeiro desserviço a sociedade. Por outro lado, indivíduos cooperam, se reinventam, buscam meios de produção comparativamente mais baratos e eficazes. Desenvolvem o comércio, a tecnologia, tudo em prol do seu egoísmo, da sua vontade de alcançar estágios próprios e superiores de satisfação.