A teoria da tragédia dos bens comuns pode ser resumida na seguinte frase: “O que é de todo mundo, é de ninguém e o que é de ninguém, ninguém cuida”.

Para ilustrar a explicação vamos imaginar um terreno público em que quatro indivíduos podem colocar seu gado para pastar nele. Note que no caso o terreno é socializado e a grama do terreno é consumida pelo gado (propriedade privada de cada indivíduo).

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Como esse terreno é público e cada um pode colocar seu gado lá como quiser, então, para maximizar seu ganho, um indivíduo decide que vai colocar mais gado para pastar lá. Como o terreno não é de sua posse, a depredação não precisa ser arcada diretamente por ele. Como o lucro é só do dono do gado e o prejuízo é dividido por toda a sociedade, o dono do gado só tem a ganhar colocando mais gado lá.

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Perceba que esse incentivo é o mesmo para todos os indivíduos, logo todos os indivíduos acabam tendo um grande incentivo de colocarem mais gado e consumirem o máximo de grama que puderem antes que os outros façam isso. Uma competição para decidir quem consome mais recursos do pasto público começa.

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Ao deixar o prejuízo socializado e o lucro privado, o incentivo para aumentar o lucro sem arcar com o prejuízo é muito elevado. E a responsabilidade que seria de todo mundo acaba sendo de ninguém.

A “solução” estatista

Por fim, a responsabilidade por esse bem público acaba sendo do Estado. A fim de preservar esse bem, o Estado se encarrega da manutenção da grama e do licenciamento e regulação para o uso. Porém, com essa solução, os usuários novamente não precisam arcar com o prejuízo, que fica totalmente por conta do Estado. Por outro lado, o Estado não obtém lucro nenhum a partir da preservação do bem. Ele só tem prejuízo na verdade. Novamente não há punição direta por depredação e a competição acaba incentivando a indulgência. E quando um indivíduo faz mau uso de um bem público, todos acabam sendo prejudicados.

A solução da propriedade privada

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Quando cada indivíduo é dono de uma parte do terreno, cada um precisa arcar com o próprio prejuízo, logo há um incentivo muito grande para cada indivíduo preservar seu pasto. Afinal, essa responsabilidade é só sua e não mais socializada e, caso seu pasto seja destruído, ele não terá mais o pasto público a recorrer. Além disso, quem administra mal o próprio recurso não prejudica os outros.


Escrito por: Gabriel Belli (@Bellivre)

Revisado por: Paulo Droopy (@PauloDroopy)