O governo do Reino Unido apresentou na quarta-feira um plano de “toque de recolher” noturno nas redes sociais para adolescentes. A medida prevê que recursos que provocam a permanência prolongada nos aplicativos, como a reprodução automática de vídeos, serão desativados por padrão durante o período noturno.

As novas regras vão afetar grandes plataformas como Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X, mas não vão se aplicar a mensageiros como WhatsApp e Signal. Espera-se que a implementação das medidas exija a aprovação de novas leis, e elas devem se tornar um dos passos finais do atual gabinete liderado por Starmer.

O ministro de segurança online do Reino Unido, Kanishka Narayan, em entrevista à Sky News, referiu-se aos dados de um programa piloto recente com a participação de mais de 300 adolescentes e pais, que teria demonstrado uma redução significativa no uso de redes sociais durante a noite e um impacto positivo no sono e na concentração. Segundo ele, mais de 90% dos participantes do experimento mantiveram as restrições introduzidas. No entanto, os resultados de um experimento local dificilmente podem ser chamados de um retrato representativo do comportamento de milhões de usuários em todo o país.

O chefe da organização beneficente infantil NSPCC, Chris Sherwood, declarou que, sem novos passos mais rígidos, a iniciativa corre o risco de continuar sendo apenas uma “solução temporária”, que não atinge a própria arquitetura de engajamento, especificamente os algoritmos e mecanismos que tornam as redes sociais difíceis de serem controladas pelos adolescentes.

A comissária para os direitos das crianças da Inglaterra, Rachel de Souza, chamou a iniciativa de um “passo positivo”, observando que os próprios jovens supostamente querem reduzir o tempo nas redes sociais, mas acham difícil fazer isso por conta própria.

Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo

Opinião

Para muitos, tal medida pode parecer ótima. No entanto, o que muitos não percebem é que estariam terceirizando a responsabilidade sobre suas próprias vidas e de seus filhos para o estado inglês, que agora terá um maior poder de decisão sobre o quanto cada indivíduo desta faixa etária poderá acessar as redes sociais.

O que pode parecer uma medida aparentemente inofensiva e até benéfica é apenas o primeiro passo para o estado inglês começar a decidir qual tipo de conteúdo os cidadãos podem consumir e no que devem acreditar e seguir. A ideia aqui é garantir que os eleitores, desde cedo, estejam alinhados aos interesses políticos do estado. Mais precisamente, do governo vigente.

De fato, o vício em redes sociais é um problema real, mas interferir em uma decisão que deveria caber aos indivíduos e seus pais está longe de ser a solução para esse problema. Acompanhamento psicológico para lidar com tal vício seria um caminho muito mais efetivo, além de os pais e indivíduos utilizarem ferramentas já disponíveis nas próprias redes sociais para o controle de tal conteúdo.


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