Escrito por: Lidia Araujo (@fifthokage)
Revisado por: Paulo Costa (@PauloDroopy)


Em meio a um cenário de ameaça às liberdades individuais, os cidadãos da Bielorrússia mantêm-se firmes nas manifestações contra o autoritarismo de Alexander Lukashenko, considerado o “último ditador da Europa”.

No dia 20 de Agosto de 2020, o governo reprimiu duramente a “Marcha pela Liberdade”, movimento que vem lutando, dentre outros aspectos, pela transparência política. Isso inclui perseguições, ameaças, torturas, prisões, exílios e assassinatos a aqueles que vêm se opondo ao regime ditatorial.

Os protestos vêm acontecendo devido à suspeita de fraude eleitoral e impedimento da candidatura de políticos da oposição. Até mesmo observadores internacionais não reconheceram a legitimidade das eleições, como a União Europeia (UE), que propôs uma mediação internacional oferecida pela OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa).

Em 1979, Lukashenko iniciou sua carreira política ao ingressar no Partido Comunista da URSS. Atualmente, ele permanece há quase três décadas no poder. Com a justificativa de “evitar interferências de governos internacionais”, negou-se a convocar uma nova eleição.

Em relação à situação jurídica e econômica do ex-país soviético, os poderes instituídos constitucionalmente dão ao presidente o controle do governo e dos tribunais, e os decretos presidenciais têm mais força do que a legislação comum. Além disso, a corrupção vem sendo acentuada com o domínio estatal de 70% da economia.

A fim de pressionar a saída de Lukashenko da presidência, os representantes da UE se reuniram na Quarta-feira (19) para discutir o apaziguamento da crise política com a Bielorrússia. Inclusive, a Comissão Europeia doará 30 milhões de euros para ajudar a sociedade civil, as organizações sociais e a pandemia de Covid-19.

Mesmo com tais propostas, o governo bielorrusso estabeleceu suas tropas nas fronteiras com a Polônia e a Lituânia, países pertencentes ao bloco, simbolizando que a paz não se estabelecerá tão cedo. Ao negar a mediação da OSCE, procurou a ajuda da Rússia, que se alinha implicitamente ao evitar demonstrações públicas de apoio.

Ludwig von Mises dizia que “ser livre é, sempre, livrar-se do governo; é restringir sua interferência. A liberdade só prevalece nas áreas em que os cidadãos tenham oportunidade de escolher a maneira como devem proceder”. E, nesse caso, os indivíduos não têm sequer a liberdade de escolher seus representantes políticos. Não é segredo para ninguém que os mais prejudicados nessa história são os próprios cidadãos do país.

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