Ao contrário do que diz a acusação do estado brasileiro, o casal que educava suas duas filhas sob o regime de homeschooling não praticou abandono intelectual. Muito pelo contrário. As duas meninas, sendo uma com 11 e a outra com 15 anos, recebiam uma educação acima da média nacional. A verdade é que os pais estão sendo punidos por não submeterem suas filhas ao monopólio estatal da educação.

Os pais (que tiveram seus nomes ocultados por ordens do estado brasileiro) foram condenados pela 2ª Vara Criminal de Jales, no interior de São Paulo, após o estado descobrir que ambos haviam deixado de matricular suas filhas nas escolas estatais ou reguladas pelo estado desde o ensino fundamental. Como punição, o casal recebeu uma pena de 50 dias de detenção, em regime inicial semiaberto, com a suspensão da execução por dois anos mediante a prestação de serviços à comunidade e a obrigatoriedade de matrícula e frequência das crianças em uma escola regular (leia-se: controlada pelo estado).

A acusação? Segundo a justiça estatal, ao não matricularem suas filhas em uma escola controlada pelo estado, eles haviam praticado “abandono intelectual”. Segundo o estado, apesar do currículo denso em disciplinas técnicas, como matemática, sociologia, história, português etc., as crianças haviam sido privadas de interação social e contato com a realidade social e diversidade cultural.

Não é de hoje que a esquerda política, que se tornou um braço do estado, usa esse discurso de “exposição da realidade” e “diversidade cultural” significando a exposição a tais questões sob os critérios deste mesmo grupo político. Ao contrário do que a esquerda afirma, não se trata de uma exposição simplesmente visando a empatia e combate ao preconceito (isso é o que é prometido), mas sim, um condicionamento social de como as crianças e adolescentes devem pensar, o que consequentemente ajuda a facilitar a dominação estatal sobre elas.

Além disso, é pouco provável que as crianças não socializem com demais crianças de realidades diferentes das delas, seja no bairro onde moram, nas igrejas que frequentam ou com membros da família. Para falar a verdade, a educação domiciliar se torna uma verdadeira barreira contra a destruição de valores que dão sentido, propósito e garantem a manutenção das redes de apoio das quais essas crianças fazem parte. Mas o estado não tolera isso. Não porque esteja preocupado com essas meninas. Mas sim, porque tal abordagem é uma barreira contra seu plano de controle total sobre a sociedade, começando pela educação infantil.


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Ainda sobre a qualidade da educação que as duas meninas vinham recebendo dos pais, relatórios do desempenho das duas irmãs revelam que as meninas de 11 e 15 anos liam cerca de 30 livros por ano, enquanto a média de leitura no Brasil — segundo dados da Revista internacional Ceoword — é de 5,6 livros. Além disso, os pais das duas meninas afirmam que as filhas aprendiam inglês, latim, piano e participavam de aulas de canto em coral oferecidas pela paróquia frequentada pela família, além das disciplinas escolares tradicionais, como física, ciência, português, história, como já foi mencionado antes. Inclusive a mãe das duas meninas se formou em pedagogia justamente para poder educá-las em casa, ao mesmo tempo em que contratou dois professores particulares para ajudá-la nisso.

O mais contraditório é a justiça estatal acusar os pais de usar as filhas como “instrumento ideológico” para defender o ensino domiciliar (como se isso por si só fosse uma pauta ideológica), enquanto o próprio estado é quem teme perder pessoas que ele poderia condicionar desde crianças para facilitar sua dominação sobre elas.

Agora, infelizmente, devido à medida tirânica e injusta do estado, as meninas terão uma educação medíocre (o padrão das escolas estatais brasileiras) e serão moldadas em pessoas obedientes ao governo (o que eufemisticamente o estado chama de “formar cidadãos”). Dois pais inocentes que apenas estavam preocupados com o bem-estar de suas filhas e queriam lhes dar uma educação adequada, agora serão escravizados (sim, é isso que significa “serviço comunitário” em casos de crimes sem vítima como esse) enquanto a impunidade contra criminosos reais continua em alta (confira aqui).


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