Tendo como estratégia o “divide et impera” [1] e o controle da mídia – e da academia – [2] como instrumentos e ferramentas para o controle da população, os governantes utilizam de mais uma arma ideológica – a qual também combina perfeitamente com a ideia de socialismo e democracia – para a passividade e o enfraquecimento dos governados: o igualitarismo. Este é uma ferramenta para as tensões e ao atomismo, uma vez que sempre haverá os melhores e os, agora “oprimidos”, piores [3].

   Essa afeição da democracia e dos governantes ao igualitarismo não só se dá à propaganda por votos – com a “captura” dos votos das “minorias oprimidas” –  mas também pela decadência social. O efeito do igualitarismo entre diferentes “classes” – e por classes, encaixa-se aqui qualquer forma de divisão – é duplo. Não haverá apenas uma ordem social atomizada, desconfiada de seus vizinhos, familiares e amigos; mas também cada vez mais decadente, burra, dependente e fraca, i.e., os níveis e qualidades serão nivelados por baixo.

   Além disso, posso estabelecer esse efeito como inerente ao igualitarismo, i.e., a priori – o que é o meu intuito principal aqui. Para tal, devo relembrar dois fatores importantes sobre a ação humana, que são 1) ela não só busca sempre um estágio de conforto maior, mas a maximização deste, i.e., o maior “lucro” possível e 2) a ação humana é guiada e moldada por categorias imutáveis, como o conhecimento, preferência temporal, objetivo, expectativa de lucro, custos, valores e outros fatores praxeológicos e psicológicos [4].

   Dito isto, definiremos o igualitarismo social no sentido literal de igualdade, em todos os aspectos sociais. Para ele não há o mais bonito, o melhor, o mais inteligente. Não há melhor cultura, melhor religião, o mais capaz, dentre outras infinidades entre “melhor” e “pior” ou “mais” e “menos”. Todos são igualmente capazes, igualmente bons; porém alguns mais favorecidos e outros menos, devido as “oportunidades”, ou a “exploração”, ou qualquer outro espantalho que “justifique” as diferenças práticas existentes. Assim, o igualitarismo seria posto em prática pela redistribuição dos ganhos, das oportunidades e das qualidades, ao ponto de que todos utopicamente estejam, ao menos inicialmente, no mesmo nível. Além disso, um outro fator para que essas diferenças sejam deixadas de lado, seria a quebra absoluta do “preconceito” e da discriminação, i.e., a condenação de toda a percepção e julgamento sobre essas diferenças existentes, não podendo determinar algo como “bom”, “ruim”, “melhor”, etc.

   Deixando de lado o quão antiético, utópico e falso isto seja, percebamos seus efeitos sobre as pessoas: uma vez que os custos de alguém faltar com a educação, ser preguiçoso, desleixado, mau comportado, irritante, ou até mesmo criminoso – dentre possuidor de outras características indesejáveis -, é (1) a discriminação e o isolamento social, i.e., o ostracismo que virá em consequência e (2) a ausência de recompensas, ou seja, ao não deter certas qualidades, não será premiado como se as tivesse – enquanto os detentores de características desejáveis, como a boa aparência, a educação, a inteligência, a boa comunicação, a produtividade, a proatividade, etc. serão.

   Quando (a) se ignora, forçosa ou voluntariamente, essas diferenças; levando a (b) em que se redistribui as recompensas dos mais bem caracterizados; os custos de ser improdutivo, desleixado, ou de manter qualquer característica não desejável, somem. Ilustro essa questão em dois campos: econômico e social. No primeiro, imaginemos que se redistribua o salário do mais rico e produtivo ao menos rico e improdutivo. As recompensas, i.e., os incentivos de ser produtivo caem, traduzindo-se em um aumento do custo – e clara diminuição do lucro – pela produção. Assim, o produtivo tende a produzir menos. Por outro lado, o improdutivo, que passou a receber – por ser improdutivo -, ao ver os custos de ser pouco produtivo diminuírem, tende a continuar da mesma forma, ou até mesmo a produzir ainda menos.

   Já no campo social, mostro isso com “duras verdades”: uma pessoa bem cuidada, higiênica, bem aparentada, inteligente, educada, disposta e bela, tende a ser mais – ou muito mais – atraente que uma pessoa que caminha pelo rumo contrário à todas essas qualidades. Ao se “redistribuir” elogios e gratificações, i.e., promover a aceitação completamente cega, a falta de discernimento, e até ao criar uma glorificação do descuidado, mal-educado, desleixado, preguiçoso, etc. estes tendem a permanecer – ou piorar – como são, uma vez que tais custos desaparecem e os incentivos dos primeiros diminuem, ou até somem completamente.

   Por fim, digo que essa relação se estabelece por um importante fator citado aqui: a ação busca maximizar os lucros. Uma vez que os custos de se manter em uma posição, antes ruim, acabam desaparecendo, a diferença entre o agradável e o desagradável se tornam insignificantes ou inexistentes.

[1]: https://www.facebook.com/EconomiaAustriaca/photos/a.305430606629032.1073741828.249887182183375/374478533057572/?type=3

[2]: https://www.facebook.com/EconomiaAustriaca/photos/a.305430606629032.1073741828.249887182183375/323714081467351/?type=3&theater

[3]: Basicamente, a estratégia se molda em apontar os melhores como ilicitamente favorecidos, as custas dos piores, sendo assim, toda e qualquer redistribuição sobre os pertences dos produtores e possuidores, destinados aos improdutivos e não possuidores, seria supostamente válida.

[4]: https://www.facebook.com/EconomiaAustriaca/photos/a.305430606629032.1073741828.249887182183375/348382842333808/?type=3

Ler também: Hoppe, H. H. Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo, São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013, cap. 2, 3, 4, 5 e 6; Hoppe, H. H. Democracia, o Deus que falhou. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2014.