Projeto que prevê abordagem feminista como obrigatória em todas as disciplinas

Feminismo

O projeto de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pretende tornar obrigatório o ponto de vista feminista em todas as disciplinas escolares. A ideia visa impor a noção feminista sobre igualdade de gênero, apelando ao monopólio do estado sobre a educação, ao mesmo tempo, em que expande o poder deste.

O projeto

O projeto prevê a imposição da perspectiva feminista sobre disciplinas como cultura, artes, história e ciências como obrigatória nas escolas. Conforme o texto do projeto, a ideia é levar para as salas de aula o ponto de vista feminista como forma de “resgatar as contribuições, as vivências e as conquistas femininas nas áreas científica, social, artística, cultural, econômica e política”.

A relatora do projeto na CDH, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), enalteceu a proposta, afirmando que é uma forma de valorizar a mulher na sociedade.

Ela também afirma que o projeto visa combater “estereótipos machistas sobre as mulheres”:

“Em razão dos estereótipos existentes, há uma associação de brilhantismo e genialidade muito mais aos homens do que às mulheres. A existência desses estereótipos influencia a tomada de decisões de meninas a partir dos seis anos de idade, desencorajando-as de interesses em determinadas matérias, o que, como consequência, contribui para que diversas áreas e carreiras de grande reconhecimento tenham baixa representação de mulheres”

Soraya também comentou sobre a já conhecida dificuldade em encontrar personagens femininas nos livros de história:

“Mulheres são menos de 10% dos personagens em livros de história usados em escolas públicas. Dos 859 personagens mencionados na coleção História, Sociedade & Cidadania, somente 70 são mulheres, que aparecem muito mais do que os homens em rodapés e caixas laterais, fora do eixo central da narrativa”

O projeto também cria a campanha nacional “Semana de Valorização de Mulheres que Fizeram História”, que será celebrada todos os anos na segunda semana do mês de março em todas as escolas de educação básica.

Soraya afirma que a data não possui finalidade apenas comemorativa, mas também uma forma de conscientização para fazer cumprir a igualdade entre meninos e meninas prevista na Constituição.

O projeto, aprovado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal na última quarta-feira, segue para aprovação na Comissão de Educação antes de ir para o plenário do Senado.

O problema com tal projeto

O problema de tal projeto, em primeiro lugar, é o apelo dele ao monopólio da força, que também monopoliza a educação, impondo uma visão homogênea sobre as coisas que facilita o controle do estado sobre os indivíduos. A visão feminista proposta por Soraya e Tabata apenas irá se somar a esse programa de homogeinização educacional imposta pelo estado.

Além disso, o projeto na prática visa substituir um estudo sério sobre as disciplinas por uma maior politização nas salas de aula. Ao invés das crianças estarem aprendendo sobre uma determinada disciplina, e inclusive determinados autores indispensáves, os alunos serão obrigados a receber um enfoque maior de cientistas, filósofas ou artistas simplesmente por serem mulheres.

E isso mesmo que estejam em menor número, como a própria Soraya admite, e que tal ênfase acabe implicando muitas vezes em menor espaço para homens cientistas, filósofos e artistas, mesmo que muitos deles sejam os nomes mais indispensáveis para se estudar cada disciplina.

A justificativa tanto da Soraya quanto da Tabata são evidentemente falaciosas. Mulheres cientistas como Marie Curie nunca foram desestimuladas de seguirem a carreira científica porque tal área era dominada por homens. Elas simplesmente seguiram seus sonhos.

Se muitas mulheres não seguem a carreira científica, não se segue que seja devido aos estereótipos “machistas” em torno de tal carreira que as desestimule. É possível que, na verdade, elas não se identifiquem com tal área. Mesmo homens sendo sobre representados na carreira científica, tal carreira continua sendo raramente seguida pela maioria das pessoas.

Inclusive os homens.

No entanto, é evidente que os defensores de tal projeto estão preocupados somente com a propaganda da “representatividade”. Não importa aprender a disciplina corretamente, independente de quem seja o autor estudado. Mas sim, fazer o aluno se sentir representado pelo autor, ser do mesmo gênero ou cor que ele.

A superioridade da educação livre

Se os pais preocupados verdadeiramente com a educação dos seus filhos esperavam mais algum motivo para se opor ao monopólio estatal da educação, esse projeto é o maior motivo de que precisavam. Ao invés de os seus filhos aprenderem corretamente uma disciplina, serão completamente politizados e aliciados pelo estado.

Qualquer pai que se preza e que também reconheça o problema que é o estado, deve defender alternativas educacionais que realmente garantam que seu filho seja devidamente educado ao invés de se tornar mais um indivíduo cativo do estado.

O homeschooling, o unschooling e a educação particular são as verdadeiras alternativas à doutrinação estatal.


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