A direita brasileira claramente é incapaz de nos dar mais liberdade econômica, social, jurídica ou religiosa do que temos hoje. A esquerda odeia todas essas liberdades, tendo se consolidado como um espectro autoritário até entre os progressistas.
Os libertários são todos escravos de políticos e grupos supranacionais. Os bitconheiros habituais criaram uma seita e são extremamente ignorantes nas práticas agoristas, sendo holders puros. Precisamos de uma resposta diferente para o problema. Precisamos de uma resposta agorista.
O que é o Agorismo e por que ele importa?
A cartilha agorista nos diz:
Agorismo é pensamento e ação consistentes com liberdade.
A ideia é simples, mas exige que você raciocine. Até aqui, eu venho tentando falar dessas ideias de forma mais ampla o possível, mas resolvi que é hora de falar disso de forma direta.
Você não controla o mundo, a única coisa que é capaz de controlar é você mesmo. Não é capaz de decidir os meios de outros e não é capaz de antever os resultados do que estabelece.
Mesmo se as coisas funcionarem de forma ligeiramente diversa do que você gostaria, em virtude da chamada sensibilidade às condições iniciais unido com a evolução temporal, você terá uma trajetória completamente diversa.
Eu vou repetir: o grau de previsibilidade que você possui sobre outros é próximo do 0 porque toda previsão não leva em consideração o status de mudança permanente que as pessoas estabelecem na sociedade. Você está o tempo inteiro sob controle apenas do seu próprio ego,self, mente, cérebro, seja lá como queira colocar isso.
Qualquer erro que você cometer numa previsão pode dar lugar a uma previsão ligeiramente diferente que agora tem chances maiores de funcionar. Isso jamais ocorre com outros sujeitos. Toda tentativa de terceirizar certa decisão para um terceiro sem revogação está passiva de traição. É por isso que tantos se sentem tão decepcionados com a política.
Você não pode verdadeiramente esperar que o político aja de uma forma diversa. Mais do que isso, se você esperar que outra pessoa te traga qualquer tipo de mudança, estará afirmando que ela pode tomar a melhor decisão, até melhor do que você mesmo para sua vida. Mas, como?
Essa pessoa não tem os meios práticos para antever o que você precisa porque antes de surgir a situação, nem sequer você é capaz de afirmar o que você precisará nos próximos dias e meses. Isso não está acessível nem para você, quanto mais para um terceiro.
Dessa forma, a única maneira possível de alcançar liberdade é alcançar liberdade onde o controle está. Qualquer afirmação além disso é apenas um conjunto de falas sem sentido. É algo que não pode ser realmente defendido logicamente, é apenas um conjunto de palpites, tendências e vieses sem valor.
É por isso que Konkin diz: Quando alguém te impele a ser realista, você pode pegar um livro Agorista para obter a melhor descrição que encontrar sobre como o Agorismo realmente funciona.
Se você deseja encontrar livros e artigos que “falseiam a realidade” em prol de desejos, caprichos, medos e rancor, busque por rótulos como “liberal”, “conservador”, “socialista”, “comunista”, “fascista” ou, o pior de todos: “moderado”.
Desejos, caprichos, medos e rancor.
São esses os elementos centrais que fazem essas figuras não pensarem cientificamente. E qual a reflexão científica? Se um dado instrumento não está numa relação de causa e efeito com um dado resultado, então não podemos atribuir a esse instrumento a capacidade de criar o efeito.
Se o voto não é capaz de estar numa relação de causa e efeito com a liberdade, então não é capaz de aferir a liberdade. Essa é uma teoria causal, discute quais são os meios efetivos para X alcançar Y. Mas, também é uma teoria volitiva.
O que se pensa é parte expressiva da questão.
Por que? Trata-se de uma perspectiva que analisa a questão do ego enquanto ferramenta para obter certas ações. A cadeia de pensamentos que origina uma ação é tão ou mais importante do que a ação em si. É perfeitamente possível que alguém com intelecto mediano perceba isso.
Aquilo que buscamos modifica radicalmente a ação de atirar em alguém. Se buscamos proteger a propriedade de alguém ou proteger alguém que amamos, estamos diante de um ato de legitima defesa. A mesma descrição material do fato com outros pensamentos pode estar descrevendo assaltos.
O pensamento deve ser compatível com ser livre. Ele deve desde já enunciar o fato o agente A é livre. O agente A clama:
Sou livre e tenho controle apenas das minhas próprias ações e pensamentos e direito apenas a esse controle e… que é o mesmo que postular “sou agorista e…”
Além dessa compatibilidade entre teoria causal e volitiva e do afastamento dos elementos emocionais das análises, o agorismo é científico. Nos diz Konkin:
Agorismo é uma ideologia, portanto, mas é também uma forma científica e definitivamente materialista de pensar.
Não é uma visão religiosa—exceto que acredita que liberdade absoluta é moral—tampouco pretende tomar o lugar das visões religiosas de qualquer um—a menos que levem à escravidão.
Mas, principalmente, o aspecto científico brilha ao afirmar que:
Como toda forma de pensar baseada cientificamente, evoluirá conforme nosso entendimento da realidade. Quem tiver fé em algo provado falso que já foi princípio do Agorismo não é um agorista.
O agorista deve buscar coerência científica. Não é uma conversa de palpites.
O agorista se beneficia da visão muito presente na computação: Show me the code, show me the math, show me the money.
É sobre ter coerência. A tal ponto que Konkin afirma:
A realidade é nosso padrão. A natureza é nossa legisladora.
Não existem contradições na realidade. A realidade não aceita sequer 01 contradição. Nos conta Konkin:
Um agorista é alguém que age consistentemente pela liberdade e na liberdade.
E por que? Por que essa intransigência? Porque de um erro se segue qualquer coisa.
Veja, eu não estou dizendo aqui com linguagem frouxa e casual. Eu estou dizendo do ponto de vista lógico: o chamado princípio da explosão. Existem muito mais formas de errar do que de acertar, evitar toda possibilidade de erro é muito mais difícil do que afirmar o correto.
Se a escolha do seu caminho é incorreta, então você quase seguramente irá terminar no erro.
Mas, quais são as práticas e reconhecimentos da realidade fundamentais que o agorismo estabelece? Isso ficará para uma segundo capítulo.

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