A situação da população da favela do Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, ilustra bem a situação de várias favelas do Brasil, onde facções criminosas estão extorquindo as populações, cobrando o que seriam praticamente impostos, em troca de uma falsa proteção ou com base em ameaça direta mesmo. Na prática, não estão muito diferentes do estado “oficial” brasileiro, com a diferença de não haver uma justificação ideológica que negue sua natureza criminosa.
Extorsão e ameaça
Segundo reportagem mostrada pela GloboNews, moradores do Rio das Pedras estão sendo extorquidos pela milícia local, que já está transformando a favela em um condomínio onde estão sendo cobradas taxas de R$ 400,00 por morador. A prática é uma novidade em relação aos moradores, mas comerciantes já pagavam taxas sobre a venda dos seus produtos e serviços, configurando praticamente em impostos.
Abaixo a reportagem da GloboNews abordando a situação:
Praticamente estados
Muitos estudiosos corretamente se referem ao crime organizado como estados paralelos. Mas mesmo estes deixam esse escapar uma observação importante: não é que o crime organizado “usurpe” as funções do estado. É que o próprio estado já é o crime organizado institucionalizado em larga escala.
O que diferencia os estados paralelos e o estado “oficial” é apenas legitimação (infundada) dada ao último pela casta de intelectuais pró-estado que o defendem. E isso é feito por meio do ensino formal controlado e regulamentado pelo estado e pela grande mídia, a qual é a ele associada.
Ao monopolizar a força e a lei em determinado território enquanto se exige extorsão (imposto) dos moradores locais, o crime organizado em nada se diferencia do estado, a não ser em relação à legitimação.
Além disso, a acensão dos estados paralelos mostra que o estado “oficial” é incapaz de proteger os cidadãos pacíficos. E isso enquanto esses mesmos cidadãos são impedidos pelo estado de se defenderem por conta própria através da doutrinação que os ensina a serem submissos e das leis desarmamentistas.
Consequência da guerra à drogas
Os conservadores estatistas, vendo tal situação, podem até apontar o comércio de drogas por parte do crime organizado como a principal causa disto tudo. Mas estão errando o alvo. Na verdade, é justamente a guerra às drogas que gera essa situação, já que ao criminalizar o comércio de drogas, o estado retira os produtores e comerciantes pacíficos deste ramo e deixa apenas os indivíduos violentos que simplesmente não dão a mínima para a lei estatal e nem mesmo o estigma social de desobedecê-la.
Com o fim da proibição das drogas, indivíduos pacíficos poderiam entrar na atividade e reduzir o poder das facções. Do mesmo modo, o fim da proibição das armas e dos impostos sobre elas permitiria aos indivíduos pacíficos obter armas para sua segurança e poderem se defender de tais grupos criminosos.

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