Após o ativista conservador americano Charlie Kirk ter sido morto a tiros por um ativista antifa, vários militantes esquerdistas apontaram sua morte por arma de fogo como uma “ironia” pelo fato de sua defesa do porte de armas de fogo durante sua vida. Em resposta, o colunista libertário JD Tucille mostra que não há nenhuma ironia neste caso e a liberdade traz riscos, algo que Kirk, como ele aponta, não negou em vida. 

A liberdade tem seus riscos

Em seu artigo publicado na Reason, Tucille comenta que tinha muitas divergências com o Charlie Kirk. Afinal, ele era libertário e o Kirk não. Mas comenta que se havia um ponto em comum com o Kirk era a defesa da Segunda Emenda da Constituição dos EUA, a saber, o direito de portar armas. Ele aponta para o comentário que Kirk fez sobre a Segunda Emenda e sobre como as mortes faziam parte de uma discussão mais ampla sobre os perigos inerentes à liberdade. Kirk enfatizou que não é possível aproveitar as vantagens da liberdade sem também sofrer as consequências negativas.

Em seu comentário, Kirk disse que:

“A Segunda Emenda não se refere à caça. Eu adoro caçar. A Segunda Emenda nem sequer se refere à defesa pessoal. Isso é importante. A Segunda Emenda existe, Deus nos livre, para que você possa se defender contra um governo tirânico… Agora, também devemos ser realistas. Devemos ser honestos com a população. Ter uma população armada tem um preço, e isso faz parte da liberdade. Dirigir tem um preço — 50.000, 50.000, 50.000 pessoas morrem nas estradas todos os anos. Esse é o preço. Se você eliminasse a direção, teria 50.000 mortes a menos no trânsito. Mas decidimos que os benefícios da direção — velocidade, acessibilidade, mobilidade, acesso a produtos e serviços — valem o custo de 50.000 pessoas morrendo nas estradas.”

E Kirk acrescentou:

“Você nunca viverá em uma sociedade onde os cidadãos estão armados e não haverá uma única morte por arma de fogo. Isso é um absurdo. É uma bobagem. Mas eu acho que vale a pena. Acho que vale a pena ter, infelizmente, algumas mortes por arma de fogo todos os anos para que possamos ter a Segunda Emenda para proteger nossos outros direitos concedidos por Deus. Esse é um acordo prudente”.

Tucille faz um outro paralelo, desta vez usando a liberdade de expressão como exemplo e comenta que Kirk também poderia ter mencionado que a liberdade de expressão também é perigosa. Ele comenta como a liberdade de expressão é importante para o funcionamento de uma sociedade livre e aberta. Mas também adverte que proteger a liberdade de expressão também traz o risco de popularizar ideias totalitárias e perversas, como as de Karl Marx e Adolf Hitler. Isso acarreta o perigo da radicalização de almas perdidas que se deparam com ideias ruins, as abraçam, gravam a letra “Ei, fascista! Pega essa!” da canção antifascista “Bella Ciao” e memes de jogos em cartuchos de rifle e, então, assassinam seus oponentes políticos.

Tucille concorda que a liberdade pode ser abusada por pessoas más. Mas também comenta que se não podemos confiar que todos usarão a liberdade com sabedoria, não faria sentido comfiar nas pessoas do governo para administrar com sabedoria um regime mais restritivo, pelo qual elas podem desarmar a população, censurar a liberdade de expressão, invadir casas à vontade e muito mais? Aqueles que buscam poder coercitivo sobre os outros trabalhando no governo são pelo menos tão propensos a abusar de sua posição quanto qualquer outra pessoa.

Tucille aponta que há tradeoffs não apenas na liberdade, mas também na restrição da liberdade. Considerando que temos o direito natural de ser livres e que Kirk estava certo ao afirmar que todos os governos tendem à tirania, é melhor confiarmos em mais liberdade, em vez de menos. Isso é reconhecer que não existem opções sem riscos.


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Sobre o controle de armas

Tucille então aponta para o tipo de arma qe foi utilizada para matar Kirk para enfatizar a principal contradição daqueles que afirmam que sua morte foi uma “ironia”. A arma que no caso seria um rifle Mauser Modelo 98 calibre .30-06, foi originalmente projetada no século XIX para uso militar, mas há muito tempo foi amplamente substituída nessa função por armas semiautomáticas e, posteriormente, por armas de fogo seletivas, a maioria usando cartuchos menos potentes (sim, os cartuchos mais comuns usados em armas do tipo AR e AK são geralmente menos potentes do que outros cartuchos usados para caça).

Tucille comenta que o design antigo continua sendo ideal para caçar animais de grande porte. É preciso se estiver devidamente calibrado, tem um alcance efetivo maior do que muitas armas militares modernas e cartuchos como o .30-06 são capazes de abater um animal com um único tiro. Ele enfatiza que é por isso que muitos dos rifles antigos foram adaptados, às vezes com modificações, para a caça. Os rifles de caça modernos com ferrolho usados para caçar veados, javalis, alces e animais semelhantes são variações de designs que remontam ao Mauser 98 e rifles semelhantes.

Tucille comenta que a verdadeira ironia estaria no discurso dos defensores de controle de armas, e não no Kirk. Ele aponta que a espingarda de caça supostamente usada para assassinar Charlie Kirk é um exemplo do único tipo de arma de fogo que os defensores do controle de armas dizem não querer proibir ou restringir. Nenhuma lei importante defendida nos últimos anos, como limites de capacidade de cartuchos ou proibições de armas semiautomáticas, teria afetado essa arma.


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