Na entrevista ao site New Yorker realizada nesta segunda-feira, o ministro do STF Alexandre de Moraes cuspiu as conhecidas falácias sobre como a liberdade de expressão na internet teria dado poder aos nazistas. O que Moraes não quer admitir é que ele tem mais em comum com Hitler e os nazistas do que ele imagina.
Liberdade de epressão e “extrema-direita”
Em entrevista ao site esquerdista americano New Yorker, o ministro do STF Alexandre de Moraes aproveitou para vomitar as já conhecidas falácias de que a liberdade de expressão na internet é responsável pela acensão da “extrema-direita”. É óbvio que a fala do ministro é usada como justificativa para defender a censura na internet sob o pretexto de “proteger a democracia”.
Ainda segundo ele, os “extremistas de direita” aprenderam com a experiência da Primavera Árabe a capacidade de a internet ser usada para mobilizar e organizar pessoas para realizar mudanças sociais. Segundo Moraes, os “extremistas de direita estariam usando tal ferramenta para ganhar poder e impor suas ideias à sociedade.
O ministro ainda soltou a pérola de que, se os nazistas tivessem usado o X, o mundo todo teria sido dominado por eles. Segundo Moraes, se Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, estivesse vivo e com acesso ao X, “estaríamos condenados”, porque “os nazistas teriam conquistado o mundo”.
A censura na Alemanha pré-nazista
Moraes aqui parece ser completamente ignorante sobre a história da Alemanha antes do Regime Nazista. Na República de Weimar, havia a lei de censura sobre obras cinematográficas, proibindo qualquer conteúdo que fosse considerado uma ameaça ao regime.
O nazismo chegou ao poder mesmo sob tal censura e conseguiu isso justamente porque uma Alemanha desesperada caiu em seu discurso de ser uma alternativa à República de Weimar, que já apresentava sérios problemas (hiperinflação, aumento da dívida pública, estagnação econômica).
Uma vez no poder, os nazistas mantiveram as mesmas leis de censura e acrescentaram muitas outras mais.
Óbvio que Moraes pode tentar argumentar que, dada a genialidade propagandística de Goebbels, um maior alcance graças à liberdade de expressão irrestrita na internet poderia ajudar os nazistas a enganar, manipular e subjugar ainda mais pessoas. Mas novamente, isso não seria possível em um cenário de livre concorrência de ideias.
Em um ambiente onde não há censura sobre nenhum tipo de ideias e discurso, as ideias anti-nazistas também teriam chance de serem propagadas. Moraes parece presumir que a maioria da população é incapaz de perceber os males do nazismo mesmo tendo acesso a ideias anti-nazistas, ou que a maioria das pessoas tenha tendências nazistas.

Moraes tem mais em comum com Hitler do que ele imagina
Alexandre de Moraes pode pensar o contrário, mas ele e os ministros do STF estão mais próximos de Hitler do que ele imagina ou quer admitir. Assim como Hitler e os nazistas, Moraes defende censura e repressão sob a justificativa de proteger a sociedade de uma “ameaça maior”.
O que Moraes não quer admitir é que tal ameaça não seria em relação à sociedade, mas aos privilégios e poderes do ministro. Existe uma crescente indignação contra as falhas da justiça estatal e regalias do judiciário, e Moraes e o STF precisam direcionar toda a preocupação para iludidos saudosistas da Ditadura Militar, como se tal regime tivesse a chance de retornar.
Por tabela, o ministro inclui todos os que são inimigos do STF sob o rótulo de “ameaça da democracia” e os rotula como um perigo que precisa ser extirpado. Qualquer semelhança de tal estigmatização com a mesma realizada pelos nazistas contra os judeus, acredite, não é mera coincidência.
Moraes jura que, deixada livre, a internet irá levar todos a defender ditaduras de direita, ou porque são “estúpidas demais” ou porque possuem tendências autoritárias. De todo modo, isso reflete os preconceitos elitistas do ministro, que se julga o único capaz de guiar essa sociedade de”ignorantes”.

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