A Autoridade Britânica de Normas Publicitárias (ASA) proibiu dois banners que afirmavam que os produtos agrícolas britânicos poderiam ser suficientemente “ecológicos” para serem consumidos. A situação foi relatada pelo jornal The Independent.
A campanha publicitária foi encomendada pelo Conselho para o Desenvolvimento da Agricultura e da Horticultura (AHDB), órgão sem fins lucrativos que reúne agricultores regionais e recebe financiamento do Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra). Em 2021, o órgão lançou a campanha “Vamos nos alimentar de forma equilibrada” (também conhecida como “Nós comemos alimentos equilibrados”). No âmbito dessa iniciativa, são destacadas as atividades dos agricultores que prometem “trabalhar em harmonia com a natureza”, e mostra-se aos britânicos de onde vem a comida que chega à sua mesa e como a agricultura do país “produz diligentemente produtos naturais e saborosos”. Na verdade, o principal objetivo da organização é salvar os produtores de carne e leite dos políticos de extrema esquerda, que querem destruir a agricultura em nome da agenda “verde”. Isso é feito por meio de propagandas que afirmam que é possível consumir produtos com menores emissões de CO₂, com uma “abordagem cientificamente fundamentada para fornecer informações precisas e transparentes”. Em cinco anos, a campanha apresentou nada menos que 34 agricultores.
O primeiro anúncio tratava da carne produzida por fazendeiros locais. Nele se dizia: “A carne bovina britânica não é apenas saborosa, mas também tem uma pegada de carbono duas vezes menor do que a média mundial*”. Por trás do «asterisco» havia um texto adicional: «Emissões de CO2 equivalente (equivalente de dióxido de carbono) ao longo de todo o ciclo de vida por quilo de carne bovina». O segundo cartaz tratava de laticínios. Nele também se afirmava que o leite britânico “não só é saboroso, mas também é produzido de acordo com os padrões internacionais, e sua pegada de carbono é um terço menor do que a média mundial”.
A denúncia contra os cartazes foi apresentada pelo ativista ambiental Chris Packham. Anteriormente, ele trabalhou na televisão pública. Atualmente, ele está processando autoridades governamentais por não cumprirem com o devido empenho os planos de “neutralidade de carbono”. Especificamente, ele exigiu que o tribunal obrigasse o governo britânico a impor uma moratória sobre veículos com motor a combustão interna em 2030 (conforme inicialmente planejado; no entanto, o governo adiou a data para 2035, quando ficou claro que o plano era inviável). Ele também exigiu a cancelamento do projeto da ferrovia de alta velocidade HS2 para “salvar as árvores”.
Na denúncia contra a AHDB, Pakham acusou os criadores da propaganda de induzir os consumidores em erro. Conforme explicado pela imprensa, os profissionais de marketing da associação se basearam em dados sobre as emissões “da fazenda até a prateleira da loja”. O ativista exigiu que fosse levado em conta o “ciclo completo” das emissões de CO₂. A ASA tomou o partido de Pakham e proibiu os dois banners. É digno de nota que as autoridades reconheceram que, na verdade, elas próprias não sabem quais serão as emissões “totais” para todos os países do mundo, mas obrigaram os agricultores a provar isso por conta própria para que a campanha pudesse continuar.
“[O consumidor médio], sendo suficientemente informado, atento e prudente», compreenderá que essas alegações se aplicam não apenas à venda no varejo, mas também a atividades como o preparo de alimentos e a geração de resíduos. Embora reconheçamos as dificuldades potenciais em fornecer dados sobre as emissões pós-venda, as alegações na publicidade davam a entender que essas emissões estavam incluídas e, por isso, esperávamos que as provas apresentadas também as incluíssem. Por isso, concluímos que as provas apresentadas não são suficientes para confirmar as alegações sobre o ciclo de vida completo contidas na publicidade, exatamente como provavelmente foram interpretadas pelo consumidor médio”, afirma a resposta do órgão.
Anteriormente, em Amsterdã, sob o pretexto de “combater as mudanças climáticas”, foi proibida a publicidade de produtos cárneos e de meios de transporte que utilizam combustíveis “não ecológicos”. A proibição abrangeu banners com hambúrgueres e voos aéreos.
Matéria publicada no site SVTV e traduzida por Rodrigo






